


POEMA:
TUDO, PORQUE…
…a manhã de domingo floresce naturalmente,
na alegria ingénua-talvez inconsciente-da consciência da Terra
que se ergue como anjos, ao canto de uma “Avé-Maria”.
…a montanha alonga-se para o céu, sobe para os braços do sol,
estende-se nos raios de calor, quente e limpo,
como deus que se eleva para o Olimpo.
Cerro os olhos, quando ouço o rumor de uma ribeira,
que se despenha por uma ladeira do abismo
a encher todo o espaço em volta da sua viagem infinita.
(Recordo as tardes quentes em que, à sombra de resinosos pinheiros, de faias e olaias alpenduradas, silentes, comungava da alegria dos deuses escondidos nas folhas secas do chão todas as palavras que sentia vivas, num abrigo de emoção).
Sozinha- em-face-de-mim,
deixo-me ser visitada por pensamentos dispersos
na estranha e profunda sensação da solidão absoluta do sonho.
Não é verdade, afinal, que só é válido o que o pensamento
conhece,
na dor e no prazer, no sol das nuvens da beleza que não morre?
Mas, eu não aprendi o silêncio, ainda…
…e tudo porque falo por palavras…
…tudo porque a poesia fala da minha nudez,
de cada vez que penso já ter aprendido esse silêncio…
…tudo porque as manhãs frias florescem ao longo da Memória,
numa alegria ingénua,
talvez inconsciente-na-consciência do silêncio do sol…
…tudo, porque não sei dizer o silêncio da nudez das Palavras…
Maria Elisa Ribeiro
DEZ/014
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