quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Boa noite, bons amigos!


O lirismo Galaico-Português autóctone e o de origem provençal...

foto google




Em seguimento do tratamento que pretendi dar ao lirismo português dos princípios do anterior milénio, falo-vos ,hoje, muito sucintamente, das CANTIGAS DE AMIGO, nossas...aqui nascidas, cantadas e espalhadas, de geração em geração, com uma característica formal, que as torna únicas no contexto do lirismo peninsular: são PARALELÍSTICAS!

As romarias, as danças ligadas aos rituais primaveris,a saudade provocada pela ausência dos namorados(AMIGOS!)nas lutas contra os muçulmanos hostis ao senhor feudal, o mar, as relações com a mãe, tudo isso levava as raparigas(meninhas, donzelas, louçanas, fermosas), a cantar ,de manhã à noite, quer se encontrassem nos campos ,nas fontes,no lavadouro,na praia ou à beira-rio!Poesia espontânea, ingénua, fortemente afectiva, exprimia sentimentos de AMOR, SAUDADE e PREOCUPAÇÃO da "AMIGA" para com o seu "AMIGO!

Interessante nas nossa CANTIGAS DE AMIGO é o facto de elas serem feitas por homens, os TROVADORES, que demonstram deste modo, o profundo conhecimento da alma feminina, qual Psicólogo que tudo sabe e tudo compreende!De tal modo o faz, que o leitor se esquece desse facto e fala das queixas das "MENINHAS"!
Muitas dessas CANTIGAS, da autoria do nosso rei D.DINIS, são, inclusivamente, dialogadas, como se a NATUREZA fosse o confidente natural das donzelas: "
- Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
ai, DEUS, e u é?(novas=notícias, e u é=onde está?)
(...)
_ Vós me perguntades polo voss'amigo?
E eu ben vos digo que é san' e vivo:
AI deus, e u é?(...)

O refrão indica, precisamente ,que estas cantigas passavam de modo oral, de geração em geração! não havia escolas e o povo , nomeadamente as raparigas simples, não sabiam escrever!
Já referi que, com o decorrer das gerações, estas cantigas foram recolhidas em livros especiais, chamados CANCIONEIROS.
Através das cantigas recolhidas ,vê-se como estes livros se tornaram documentos importantes para o estudo da vida portuguesa, NA IDADE MÉDIA, dos séculos XII a XIV.
Pelos registos aí efectuados, pode ver-se o que se comia, o que se vestia, como eram as casas, as roupas, a alimentação, os usos, costumes e tradições.

Outro local importante das preocupações da donzela, é o mar ou a beira dos grandes rios, onde o amigo ia lutar ou pescar.
Numa ingénua cantiguinha ,diz a meninha:
"Ondas do mar de VIGO,
se vistes meu amigo!
E ai DEUS, se verrá cedo!(verrá=virá)(...)
Noutras , o problema é a ida à fonte ,não especialmente para ir buscar água à fonte fria, rodeada de arvoredo, mas o encontrar-se com o seu amigo...
E aí, a mãe ora compreende ,ora não...porque também já foi moça e sabe como são as coisas...

Sei que muito há a dizer sobre esta matéria, mas é quase impossível tornar o post mais longo...Sei ,também, que quem gostar desta matéria, procurará completar os seus conhecimentos...
Deixo-vos com uma ideia expressa pela estudiosa de LÍNGUAS, LUCCIANNA STEGAGNO PICCHIO,a qual considerou as nossas cantigas de amigo como as mais perfeitas e belas
DA EUROPA!(não é pouco!)

Maria Elisa Rodrigues Ribeiro

4 comentários:

POEMA (REGººººº)

VELHOS DIAS
Quando chega até nós,
o Outono tem o aspecto
de qualquer corpo débil-
______estende-se sobre os dias,
______vai-lhes apagando as lindas cores
______envelhece árvores e flores…
…a natureza alegra-se com a recolha dos frutos
enquanto tudo se prepara para escurecer
e o poeta sofre o recordar
de mais um setembro a morrer…
Ao longe, um rasto de Verão
deixa sulcos azulados nas areias.
que já começam a tremer de frio
vindo de longínquas latitudes.
Os dias estão mais velhos, menos certos e credíveis…
Respiram com dificuldade tal, que as leis naturais os
obrigam a aceitar a nova realidade, que é o seu encolher…
Tudo, no entanto, tem um novo perfume.
Os aromas são outros…os sabores do novo vinho
espalham-se pelas montanhas e valadas e as uvas
escorrem mosto pelas vinhas alcantiladas.
A fruta velha não resiste ao sol posto e ,
como uma poesia,
afoga-se nas mãos de um poeta-a-amar-a-malvasia.
De celeiro a abarrotar
abriga-se a formiga invejosa
que não aceita a cantiga da alegre cigarra
pendurada no tronco antigo
a tornar a vida de todos mais formosa!
SET/019
Maria Elisa Ribeiro
“A admiração é filha da ignorância, porque ninguém se admira senão das coisas que ignora, principalmente se são grandes; e mãe da ciência, porque admirados os homens das coisas que ignoram, inquirem e investigam as causas delas até as alcançar, e isto é o que se chama ciência.”
― Padre Antônio Vieira
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A Polícia Judiciária identificou e deteve um reformado com 81 anos de idade, fortemente indiciado pelo abuso sexual de uma menina com 10 anos e outra com 14 anos, no concelho da Mealhada.

Boa Tarde, meus amigos! A Chuvinha ameaça...Mas precisamos tanto dela!


“Eu comecei a acreditar que o mundo inteiro é um enigma, um enigma inofensivo que se torna terrível pela nossa própria tentativa furiosa em interpretá-lo como se ele tivesse uma verdade secreta.”
― Umberto Eco
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terça-feira, 15 de outubro de 2019

Texto em "O Citador"




A Rotina não Basta ao Coração do Homem

A rotina começa por ser um esforço de regularidade nos vários planos da existência, esforço que, temos de dizer, é em si positivo. A vida seria impossível se o eliminássemos de todo. As rotinas têm um efeito saudável: tornando o quotidiano um encadeado de situações expectáveis, permitem-nos habitar com confiança o tempo. Mas o que começa por ser bom esconde também um perigo. De repente, a rotina substitui-se à própria vida. Quando tudo se torna óbvio e regulado, deixa de haver lugar para a surpresa. Cada dia é simplesmente igual ao anterior. A nossa viagem passa para as mãos de um piloto automático, que só tem de aplicar, do modo mais maquinal que for capaz, as regras previamente estabelecidas. Os sentidos adormecem. Bem podem os dias ser novos a cada manhã ou o instante abrir-se como um limiar inédito, que nunca os cruzaremos assim. Os nossos olhos sonolentos veem tudo como repetido. E, sem nos darmos conta, acontece-nos o que o salmo bíblico descreve a propósito dos ídolos: «Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não veem./ Têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram./ Têm mãos, mas não palpam» (SI 115,5-7). Podemos equivocadamente pensar que nos é possível viver assim. Mas chega a estação, como recorda o livro do Eclesiastes, em que «a vista não se sacia com o que vê, nem o ouvido se contenta com o que ouve» (Ecl 1,8). A rotina não basta ao coração do homem. O grande desafio é, em cada dia, voltar a olhar tudo pela primeira vez, deslumbrando-se com a surpresa dos dias. É reconhecer que este instante que passa é a porta por onde entra a alegria. Mas para isso teremos de recuperar a sensibilidade à vida, à sua desconcertante simplicidade, ao seu canto frágil, às suas travessias. A vida que nos havíamos habituado já a consumir no relâmpago que dura um fósforo, sem ouvi-la verdadeiramente, sem conspirar para a sua plenitude. Para responder à pergunta sobre o sentido que a dada altura nos assalta («a vida que levo que sentido tem?») é indispensável uma pedagogia de reativação dos sentidos.

José Tolentino Mendonça, in 'A Mística do Instante'

No ÁRCTICO E em toda a terra, vai ser difícil encontrar estas belezas...

Um alerta vermelho para o futuro Ártico


Escrito por Edward Struzik, da Queen's University, Ontario
Um alerta vermelho para o futuro ÁrticoO duto de Norman Wells conecta campos de petróleo nos Territórios do Noroeste a Alberta. Edward Struzik, Autor fornecida
Territórios do Noroeste Premier Bob McLeod estava certo quando ele emitiu um "alerta vermelho" em novembro e pediu um debate nacional urgente sobre o futuro dos Territórios do Noroeste. Seus pares, os primeiros-ministros de Nunavut e do Território Yukon, teriam justificativa para pedir a mesma coisa.
As habitação, pobreza e desemprego As estatísticas mostram que os nortistas estão em uma encruzilhada em seus esforços para encontrar um equilíbrio entre um modo de vida tradicional que coloca a comida do campo na mesa e uma que forneça bens básicos, luxos e oportunidades econômicas que a maioria dos sulistas toma como garantida.
McLeod, no entanto, estava errado em reclamar sobre um Ataque "colonial" sobre o futuro do desenvolvimento de petróleo e gás no Ártico.
Se o passado nos diz algo sobre o futuro, forjar o futuro do Ártico no desenvolvimento de combustíveis fósseis não é o caminho a seguir.

Boa tarde, meus amigos!
(Foto Pinterest)

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

POEMA (REGººººº)

Poema:
CONSTRUÇÃO
hoje,
_____como Ontem,
_______como D’Antes,
__________o Inverno continua
____________ e crescem as lembranças
______________das dores da construção da Vida.
o nó do imaginário solta-se do Outono
e continua a ir-sendo,
pelos invernos da memória.
trabalham, em uníssono, os sentidos-----os que conheci ao vivo e os outros que vão chegando pelos arrancos dos ventos estrídulos, que destroem aspidistras-----
quero subir aos telhados do universo, acender estrelas e desfazer nuvens-cirrus----- soltar galáxias de joelhos perros desgastados e viajar a trespassar o Inverno, para cair nos verões que tive-----
ponto de chegada almejada, a minha hora de nocturna plenitude, sob uma árvore frondosa, descansada de anos-a-crescer, num tronco iluminado pelos raios de luar------
um céu brilha por entre ramos da cidade-árvore-------há ruas oferecidas aos olhos interrogantes das seivas que correm por artérias dos caminhantes------mil palavras deslizam, melodiosas, pelos pingos da lua-----
deuses celtas vivem pelas pracetas das florestas-cidades, saltando de rua em rua a dançar o decurso do tempo, que não sentem -------sempre iguais a si próprios, sempre deuses, vêem o ar a poluir-se de nódoas no cume das árvores-cidades, indiferentes aos balanços das poeiras dos ventos-------onde vive o deus-tempo que, como o vento, chega, de rajada, à pauta de música de qualquer vida humana-------
Nunca hibernam…
______não sabem da Palavra nem do perfume
_________das sílabas que dão lugar aos versos, que deambulam
____________em viagens delirantes pela minha terra…
Nunca sabem se uma qualquer vibração errante
__________decidiu pousar no pensamento dos deuses ambulantes,
______________que amam ouvir os cantores das belezas das fontes,
___________________dos rios, dos montes ou das plantas .
Manifestamente, não se constroem deuses,
_______________que desconhecem viagens circunstantes…
Essas, conhecem-nas os verdadeiros navegantes
_______________do interior das almas atormentadas, os poetas ,
seres delirantes
do ventre das palavras,em-construção dos seus mais belos instantes.
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
Agosto-2014

Do nosso Raúl Brandão...






Ninguém se pode Encarar a si Próprio até ao Fundo

Ninguém pode com isto, ninguém pode encarar-se a si próprio e ver-se até ao fundo. A tua meticulosidade é de ferro, a tua meticulosidade está de tal maneira entranhada no teu ser que sem ela não existes. Pois até a tua meticulosidade se há-de dissolver! E tu sem o hábito não existes, nem tu sem o dever, nem tu sem a consciência. Sem estas palavras a vida não existe para ti, e sem escrúpulos que te resta? O que aí está é temeroso, seres estranhos, seres que, se dão mais um passo, nem eu nem tu podemos encarar com eles. Andam aqui interesses - e outra coisa. Com mil palavras diversas e ignóbeis, mil bocas que te empurram para a infâmia - outra coisa. Tens de confessá-lo. Não é a consciência - não é o remorso - não é o medo. É uma coisa inexplicável e imensa, profunda e imensa, que assiste a este espectáculo sem dizer palavra - e espera... És imundo, és a vida.

Raul Brandão, in 'Húmus'
 —

domingo, 13 de outubro de 2019

A TURQUIA...

Sobre este site
ABRILABRIL.PT
Iniciada esta quarta-feira, a ofensiva aérea e terrestre da Turquia no Norte da Síria provocou dezena e meia de mortos civis e grande destruição ao nível das infra-estruturas.

Bombings in Yemen are tearing families apart. No child asked for this. Please take one minute today to show you care by adding your voice.
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Stand with children in Yemen