segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

[OFFICIAL VIDEO] Hallelujah - Pentatonix

Dulce Pontes "Meu Amor sem Aranjuez"

Dimenticarti mai.....Amedeo Minghi

POEMA:Obra REGªªªªªª






Poema :

LUA- DE- PALAVRAS

O sol em fios derrama-se pelo negro- mundo-acinzentado.

É como quando o pensamento é da altura
de uma árvore enorme
presa a um ponto de luz criadora…

De um outro lado, os homens entoam cantos
que não consigo ouvir…
Não sou árvore tamanha
que possa desprender-me, da minha luz geradora

Mas sou árvore!
_____________Tenho braços!
________________Corre seiva em mim!
__________________Tenho raiz, que me segura
_____________________________onde me apoio!

Poucas verdades são tão verdadeiras
como a do Norte, cujas estrias seguem para Sul…

E à beira-mar,
uma lua-de-palavras
lê o seu livro-às-areias estagnadas…resignadas...

Maria Elisa Ribeiro
Dez/015

Receita de polvo no forno em azeite by necasdevaladares

Sonhos

Receita de Bacalhau á Gomes de Sá

Exclusive: Since the early months of President Donald J. Trump's administration, Jared Kushner has been having private, informal conversations with Prince Mohammed bin Salman. It has paid off well for the Saudis.
NYTIMES.COM
The crown prince of Saudi Arabia cultivated Mr. Kushner’s friendship. The benefits to the U.S. are uncertain but it has paid off well for the Saudis.

Quitte à se mettre certains membres de la famille royale à dos
Le Figaro
5 h
Que dira-t-il?
"A footprint relates to everybody who has been forced to flee, whether in Africa, Afghanistan or Bangladesh. There is nothing more human than a footprint."
THEGUARDIAN.COM
The artist has battled surveillance, underground exile and even irate Berlin taxi drivers. He thinks the world has forgotten what human rights mean, which is why he has designed a new flag
There was deadlock at COP24 when the United States, Saudi Arabia, Russia and Kuwait objected to a proposal to “welcome” a major climate change report that was released in October. Here's why that matters:
UK Prime Minister Theresa May has pulled the plug on the crucial parliamentary vote on her Brexit deal, sources say

Poema REGººººº!







O POEMA TUDO ESCONDE ATÉ À HORA-DE-SER



O vento leva as palavras, até onde o poeta
semeia sonhos, noites inspiradas, lagos de cisnes
enfeiçados pelos nocturnos luares…e olhos…e olhares…
…e sentidos vividos pelas folhas aos seus ouvidos.
O luar dos teus olhos a visitar os meus empalidece
enquanto minha tranças desfaço…

Tremo. Mas tu passas- a- um- passo- da- pressa
sem veres esta anemia de amor,
 que desejaria ser rubra flor
para parar esse passo,
 que se tornou mais lento e compassado.

A vida continua para os outros poemas em festa!








 Dançam pirilampos ao escurecer
 bebem os insectos os últimos sucos das plantas do amor,
e a noite da terra escreve o seu poema,
 que há-de ler à hora do mais belo alvor.

Confio que o teu olhar vença os mais belos luares…
Então, minh’alma, grande como o ESPERAR,
 soltará seus sonhos,
 afastará os cisnes,
 os luares e as rosas de múltiplas cores…
_____________________________________E tudo o que o meu poema está a esconder
_____________________________________sairá à luz do dia, quando ele estiver-a-SER.


Maria Elisa Ribeiro
Julho/017

· 
Discurso pronunciado por José Saramago no dia 10 de dezembro de 1998 no banquete do Prémio Nobel
10 Dezembro, 2014 0
Há 16 anos José Saramago recebia o Prémio Nobel de Literatura em Estocolmo. Abaixo, o discurso proferido pelo escritor durante o banquete.


"
Cumpriram-se hoje exactamente 50 anos sobre a assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Não têm faltado comemorações à efeméride. Sabendo-se, porém, como a atenção se cansa quando as circunstâncias lhe pedem que se ocupe de assuntos sérios, não é arriscado prever que o interesse público por esta questão comece a diminuir já a partir de amanhã. Nada tenho contra esses actos comemorativos, eu próprio contribuí para eles, modestamente, com algumas palavras. E uma vez que a data o pede e a ocasião não o desaconselha, permita-se-me que diga aqui umas quantas mais.
Neste meio século não parece que os governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo a que moralmente estavam obrigados. As injustiças multiplicam-se, as desigualdades agravam-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. A mesma esquizofrénica humanidade capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas, assiste indiferente à morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante.
Alguém não anda a cumprir o seu dever. Não andam a cumpri-lo os governos, porque não sabem, porque não podem, ou porque não querem. Ou porque não lho permitem aquelas que efectivamente governam o mundo, as empresas multinacionais e pluricontinentais cujo poder, absolutamente não democrático, reduziu a quase nada o que ainda restava do ideal da democracia. Mas também não estão a cumprir o seu dever os cidadãos que somos. Pensamos que nenhuns direitos humanos poderão subsistir sem a simetria dos deveres que lhes correspondem e que não é de esperar que os governos façam nos próximos 50 anos o que não fizeram nestes que comemoramos. Tomemos então, nós, cidadãos comuns, a palavra. Com a mesma veemência com que reivindicamos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa tornar-se um pouco melhor.
Não esqueci os agradecimentos. Em Frankfurt, no dia 8 de Outubro, as primeiras palavras que pronunciei foram para agradecer à Academia Sueca a atribuição do Prémio Nobel da Literatura. Agradeci igualmente aos meus editores, aos meus tradutores e aos meus leitores. A todos torno a agradecer. E agora também aos escritores portugueses e de língua portuguesa, aos do passado e aos de hoje: é por eles que as nossas literaturas existem, eu sou apenas mais um que a eles se veio juntar. Disse naquele dia que não nasci para isto, mas isto foi-me dado. Bem hajam portanto."

Respeite a Você Mais do que aos Outros
Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. (...) Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. (...) Pretendia apenas lhe contar o meu novo carácter, ou falta de carácter. (...) Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? Assim fiquei eu... em que pese a dura comparação... Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante. (...) Uma amiga, um dia desses, encheu-se de coragem, como ela disse, e me perguntou: você era muito diferente, não era? Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou essa calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com lassidão de mulher de cinquenta anos. (...) o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Ouça: respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você - pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse o único meio de viver.
Clarice Lispector, in 'Carta a Tânia [irmã de Clarice] (1947)'

In O Pensador, poema de Clarice Lispector:
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
Clarice Lispector