sexta-feira, 28 de julho de 2017

Bom dia, amigos!


Poema REGº














Poema:
PELE…
Na tua pele
_____a transpirar amor
________deixei gotas de água
___________a suspirar rios ao relento,
_______________poros a murmurar,
___________________e cortinas fechadas
_______________________na Hora-do-nosso-Momento.
Sei
quando irás voltar do escuro crepuscular,
sempre que minha pele reage
a um vento sibilante, e acorda o corpo que me habita.


Os anjos costumavam esconder as estrelas…
Era da sua luz que se alimentava a nossa vida,
tal flor tresloucada à procura de um-orvalho-sustento.
Recordo o perfil afadigado das minhas pálpebras
a procurarem ler teu corpo suado…água sagrada…

Na boca,
_________________ ficaram escondidos os beijos trocados,
__________________que eriçavam os poros
__________________ dos nossos sentidos…

Corri as cortinas.
E os livros em que te escrevo começam, devagar,
a divagar a peregrinação das nossas mãos
de quando a lua tremeu de rubor.
Arrumei os lençóis de linho com o teu sabor,
nos poemas que escrevo, à luz de um candeeiro íntimo
que ouviu suspiros de amor.
De linho e cambraia, de seda e jasmim
é o cheiro de ti-que- deixaste-em-mim…

O sol queima o dia das aves, que chilreiam…
_________As searas amadurecem nos cantos de Florbela…
____________Eu chamo-te, muda, daquela janela que deu para
_______________o Outono da Primavera- em- que- fomos Verão.

Oh, Deus…há tantos anos dentro das Horas dos dias de Solidão…

Maria Elisa Ribeiro-Portugal

AGOSTO/014

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Boa noite e bom fim de semana!


De T.S.Eliot,in NET:
Onde está a vida que perdemos vivendo?
Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?
Onde está o conhecimento que perdemos na informação?
...Ver Mais

O abutre...



Obrigada, Rodrigo Sousa Castro!


Rodrigo Sousa Castro
23 h ·

PSD, não se limita ao nojento movimento dos peões avençados na comunicação social, como JM Tavares e outros, ou à ignóbil exploração do número de mortos, que começou com os suicídios inventados por Passos Coelho e acaba nos esgares escritos por um alarve politico como o Paulo Rangel.
Na verdade a operação vai mais fundo e mais longe.
E o aríete de serviço , um dinossauro autárquico do PSD guindado a porta voz dos nossos valentes e valorosos bombeiros, Jaime Marta Soares não se cansa de tentar demolir a acção da Protecção Civil.
Neste imenso calvário que são os fogos florestais em anos propícios ao seu acendimento e propagação, ao invés de unir, defender e proteger, o PSD, sem embargo de exigir contas no final, tal como um vulgar partido da extrema direita ou da extrema esquerda prefere o " quanto pior melhor".
Espero que o Povo lhe responda na justa medida.

Bom dia, amigos e visitantes!


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Boa noite, meus amigos!


Obrigada, amigos visitantes!



O Blog http://lusibero.blogspot.pt tem, neste momento, as seguintes estatísticas:

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(Voltarei a dar notícias do Blog, quando ultrapassar o MILHÃO)



Lusibero
"As minhas palavras têm memórias ____________das palavras com que me penso, e é sempre tenso _________o momento do mistério inquietante de me escrever"
LUSIBERO.BLOGSPOT.COM

Reflexão sobre os fogos , em PORTUGAL











O mundo tem tido conhecimento ,através dos meios de comunicação, desta desgraça que tem afectado o nosso País, conhecido por já ter sido a maior mancha verde da EUROPA.




Desde ontem, à tarde, deflagaram mais incêndios em SETÚBAL, MAÇÃO e outras regiões. Temos a ajuda dos Bombeiros espanhóis e têm estado em acção mais de MIL operacionais, que não conseguem dar "vazão" a tanta desgraça.Apaga-se um fogo aqui e logo se reacendem várias frentes dali.




Este ano já arderam mais hectares que nos DEZ últimos anos. De inverno, ao darmos um passeio por terras onde o fogo reinou, é uma tristeza que nos toca o coração, quando damos de frente com aquelas montanhas-outrora verdes-negras e sem vida.




Estou convencida que muitos destes fogos são fruto de mãos criminosas e que, o que se salvar este ano, vai perder-se no próximo e daí por diante.




Nos últimos dias, não contentes com o número de 64 pessoas que morreram queimadas em Pedrogão Grande, a oposição de DIREITA lembrou-se de dizer que o governo tinha uma lista em segredo, da qual constavam 70 e tal, 80 mortos e que estava a enganar os portugueses.Isto de estar perto das eleições, que serão em OUTUBRO, faz perder a cabeça a estes "manganões, sem cabeça, porque sabem que os portugueses os não podem ver e, SE AS ESQUERDAS TIVEREM JUÍZO, ELES NÂO SE SENTARÃO MAIS NAS CADEIRAS DO PODER!




Então , 65 mortos é pouco? O CDS e o ppd querem mais? Fazer campanha eleitoral com a morte dos desgraçados que ,ou não puderam fugir, ou morreram a fugir, quando foram apanhados pelo fogo?




A raiva destes "animais" tem sido de tal ordem, que a PGR(Procuradoria Geral da República) teve que divulgar, ontem, a lista de 64 mortos de que dispunha.E fê-lo ,agora,- o que calou logo os lobos e as lobas ferozes,- porque admite estar a investigar os casos, número a número e nome a nome, pois sabemos que em PORTUGAL muita gente é conhecida por alcunhas e outros nomes.




O tempo é de dor, de reconstrução das terras com os milhões de Euros que os portugueses e os estrangeiros nos mandaram como ajuda. Não é tempo de vomitar ódio sobre o governo e as instituições.




PORTUGAL está de LUTO! Fora o TERRORISMO das más palavras, que Não deixam descansar o governo, o Presidente da República e todos nós que queremos paz.




É mais que hora de as entidades competentes olharem pelo Interior, pelo Território, em geral, de tudo fazerem pela Agricultura e pela Floresta.Todos se tinham esquecido que o País não é só LISBOA e PORTO. AÍ, não há eucaliptos!!!!













Maria Elisa Ribeiro




Mealhada, 26/07/2017

Joaquim Paço d?Arcos


Maria Elisa Ribeiro
Agora mesmo ·



Escritores, ensaístas, filósofos,tão esquecidos nas Letras Portuguesas.
Em termos de Letras, ninguém se nos compara! Então, por que se deixa, assim, cruamente, de falar deles e de se dar a conhecer a sua obra?O mesmo posso dizer do grande António Ramos Rosa, desaparecido há bem menos tempo. Encontrei o texto seguinte, na net:







JOAQUIM PAÇO D'ARCOS, "HERÓI DERRADEIRO"

"Numa tarde de Julho de 1926 atravessava as florestas de Cheringona, no território da Companhia de Moçambique, um expresso de uma só carruagem da Trans-Zambézia Railway.
Regressava da Zambézia à Beira o governador do Território. Acompanhavam-no, além dos seus ajudantes, o autor destas linhas e uma pessoa estranha à comitiva: Carlos Sobral.
Carlos Sobral era ao tempo director em África da «Mozambique Industrial & Commercial Coy. Ltd.», um desdobramento, para fins comerciais, da Companhia de Moçambique.
Naquele pequeno salão da carruagem de caminho-de-ferro conversaram durante longas horas da monótona viagem, esses dois homens, tão profunda e apaixonadamente portugueses, que o destino por ironia, mas por útil ironia, colocara a dirgir interesses que meses mais tarde se haviam de patentear tão opostos aos nacionais.
Eram homens de diferentes idades: o governador aproximava-se dos cinquenta, Carlos Sobral andaria pelos trinta. (...)
Mourejando por terras onde frequentemente o português se avilta, adoptando os hábitos de indolência a que o clima convida, os usos mesquinhos próprios dos meios pequenos, esses dois homens, ao contrário, mantinham íntegras em si as melhores qualidades da raça. Eram dois verdadeiros portugueses.
Carlos Sobral estava em conflito aberto com os dirigentes londrinos da companhia que superintendia em África. Admitia como muito provável a hipótese de repudiar a situação em que trabalhava. Era um lugar magnífico, e muitos outros homens, em circunstâncias idênticas, transigiriam em tudo para não perder a situação que usufruíam. Ele não transigia em nada e ao perguntarem-lhe o que iria fazer no caso de se encontrar desempregado, respondia tranquilo, cheio de confiança e de optimismo: trabalhar. E já se expandia por todo um projecto de se dedicar à cultura do solo, à criação de gado, na vida rude e fatigante do mato, que ele tanto amava.
É preciso conhecer certos territótios de África e a eterna dependência em que o português ali vive do Estado ou das grandes companhias, alheado por completo das qualidades de iniciativa que fazem dele um elemento tão útil no Brasil, é preciso conhecer aqueles meios de parasitagem e de covardia, para admirar em todo o seu valor a serena confiança com que Carlos Sobral, por ser português de «antes quebrar que torcer», trocava uma cómoda e rendosa situação pela tão mais humilde e ingrata profissão de pequeno agricultor.
Nessa tarde - curiosa coincidência do acaso! - esses mesmos homens perante cuja arrogância Sobral não cedia, assinavam em Londres o terceiro e último contrato sobre o porto da Beira. Meses decorridos, por uma triste e dolorosa fatalidade, Carlos Sobral morria na Zambézia, vítima de si próprio, da sua coragem magnífica.
Alguns dias depois do seu falecimento chegavam à Beira, para conhecimento do governador, e para serem executados, os contratos do porto.
O Governador não os executou. Era a vez dele, agora, num assunto de muito maior gravidade, assumir a atitude para a qual, meses atrás, serenamente, dignamente, Carlos Sobral se encaminhava.
A minha observação fora exacta. Aqueles dois homens haviam-se estimado porque ambos possuíam, entre a degradação e a vileza quase gerais, essa rija fibra moral dos portugueses de outro tempo.
Ao retratar a figura primacial deste pequeno romance eu não quis biografar Carlos sobral, pois que a sua vida foi muito diferente da do protagonista. Este é solteiro e Carlos Sobral era casado com uma nobilíssima senhora que foi a mais dedicada e a mais inteligente auxiliar da sua vida aventureira e trabalhosa.
Eu não quis fazer História, pretendi escrever umas páginas poucas em que focasse a miséria duns e a grandeza de outros.
E dar-me-ei por feliz se no decorrer destas linhas transparecer, em homenagem a Carlos Sobral, alguma coisa do seu espírito audacioso e cavalheiresco e da sua alma tão grande e tão justa."

in INTRODUÇÃO, "Herói Derradeiro" de Joaquim Paço d'Arcos
Publicada por Nuno Lebreiro à(s) 3:19 da tarde

OBRA REGª












Poema:

Poeta louco


um céu aberto aos raios de luz ciciou verdades escondidas nas dobras dos livros, guardados no pó das bibliotecas.
soltaram-se letras dos versos de um poema.

um poeta transpunha a entrada da catedral. estendeu a mão e guardou, na ponta dos dedos, com a concha da mão, esse tesouro-a-voar -para -cair-no-chão.

chamaram-lhe louco!

a loucura riu-se …ajudou o poeta a compor um poema…deu-lhe as notas para a sinfonia imortal , que faria vibrar as colunas da catedral…

o poema refez-se e uma música universal exultou numa pauta de luz e sons, num anoitecer em que o mundo foi mensagem primordial.

a loucura inconsciente fugiu pelas pedras da calçada enevoada, habitualmente pisada pela ignorância consciente.

um velho sino tocou ao ouvir o poema ,que a Loucura ornou de lexemas…
flores de tessituras de ansiados temas vivem ,alojados ,na ideia-tema.

doeu…esta pedrada no charco!
o vento viu, ouviu, parou -ao-passar por uma cicatriz de luz…

Maria Elisa Ribeiro
SET/014
Foto Google
De Salvador Dali, in NET:
“O primeiro homem a comparar as maçãs do rosto de uma jovem a uma rosa era obviamente um poeta; o primeiro a repetir isso era possivelmente um idiota.”
― Salvador Dalí

De Pablo Neruda



De Pablo Neruda, in NET:

Se Me Esqueceres
Quero que saibas
uma coisa.


Sabes como é:
se olho
a lua de cristal, o ramo vermelho
do lento outono à minha janela,
se toco
junto do lume
a impalpável cinza
ou o enrugado corpo da lenha,
tudo me leva para ti,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fosse pequenos barcos que navegam
até às tuas ilhas que me esperam.

Mas agora,
se pouco a pouco me deixas de amar
deixarei de te amar pouco a pouco.

Se de súbito
me esqueceres
não me procures,
porque já te terei esquecido.

Se julgas que é vasto e louco
o vento de bandeiras
que passa pela minha vida
e te resolves
a deixar-me na margem
do coração em que tenho raízes,
pensa
que nesse dia,
a essa hora
levantarei os braços
e as minhas raízes sairão
em busca de outra terra.

Porém
se todos os dias,
a toda a hora,
te sentes destinada a mim
com doçura implacável,
se todos os dias uma flor
uma flor te sobe aos lábios à minha procura,
ai meu amor, ai minha amada,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem se esquece,
o meu amor alimenta-se do teu amor,
e enquanto viveres estará nos teus braços
sem sair dos meus.

Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda"
Bom dia, meus amigos! (foto google)

Obrigada, Rodrigo Sousa e Castro!

a não se joga no campo económico financeiro.
Pelo contrário os utilizadores das redes sociais são usufrutuários pro bono de inúmeras vantagens.
A natureza dos adversários é de tal ordem dispare que o que mais espanta é que , jornalistas e gestores tão inteligentes que existem nos Media tradicionais, ainda não tenham percebido o equivoco em que estão a cair e ainda pior não tomem medidas para sobreviverem enquanto tais.
Julgo que é tempo de agirem se tiverem a coragem de interiorizar, que hoje nas Redes Sociais abertas, p.ex. FB, militam pessoas com mais capacidade geral de comunicar, quer nos aspectos gerais da politica quer em termos estritamente técnicos e cuja audiência suplanta já a de alguns OCS.
Atrevo-me a propor uma primeira medida, drástica e dolorosa é certo, mas também regeneradora, a qual seria a assunção na linha editorial de cada órgão dos interesses políticos que cada um defende.
A exemplo das melhores práticas internacionais

terça-feira, 25 de julho de 2017

Boa noite, meus amigos!


POEMA(OBRA REGª)






























POEMA

(Ciclo “Rumores poéticos”)

Conheço bem a terra que meus olhos transformaram com o ardor vivo da ajuda das tuas mãos…
Tua terra---- teu corpo--- teu olhar--- minha evasão!
E é sentimento! É desejo! É consagração!
--------------------------------------------------------------------------------------------
Essa terra, humedecida de orvalho, parece cristalizada num verniz de tom universal… diria mesmo, imortal.
A manhã mostra-se e alarga-se nos caminhos onde eu, pequeno figura,
obra imperfeita,
me divido nas poeiras do alvorecer em total comunhão do meu corpo com o teu,
sob um azul mítico de um inominável céu.
Uma a uma, levei comigo as pedras rugosas do alto da serra, para construir o meu lar_____ o fogo que lá brilhou, quase escureceu…Até tenho pudor de falar do que aconteceu na transformação que, entre mim e ti, se deu.
Sinto que, nessa terra,
se apagou o ardor das mãos
onde o fogo-do-lar viveu e
, numa tela a arder-apagada… ali… ficou uma folha amarelecida, de nós afastada, num triste canto da madrugada.
--------------------------------------------------------------------------------------------
Escorrem em Mim os sons do meu Outro lado longe do Outro lado de Ti
São sons
que falam da fecundação do Outono
no conchego da palma da tua mão
onde já nasceu uma nova Primavera…
São rumores…creio neles…vêm do útero da Terra!

Maria Elisa Ribeiro-Portugal(foto google)-REP.
FEV/016

A LER...


Jose Flath Costa partilhou uma ligação.
Ontem às 11:12


22 de julho 2017
Isabel Monteiro, empresária de 57 anos, natural de Lisboa, reuniu uma base de dados com as vítimas mortais do incêndio dos concelhos de Pedrógão Grande e já contabilizou mais de 80 mortos, dos quais 73 estão confirmados pelas famílias com nomes completos, localidade e local da morte.

A intenção era criar uma lista de vítimas para a criação de um memorial na Estrada Nacional 236, hoje conhecida como “Estrada da Morte”, mas foi ao recolher a informação junto das famílias, funerárias, bombeiros e dados da comunicação social que Isabel constatou que o número de vítimas mortais seria superior ao número oficial divulgado pelas instituições do Estado. Começou então uma investigação de fundo e o total de mortos contados até à data, na sua base de dados, já ultrapassa os 80.

A experiência dizia-lhe que, para ser útil na situação de Pedrógão, teria de ir diretamente ao local e perceber de que tipo de ajuda as famílias precisavam.
O instinto tem uma história. Em 1996, na guerra do Kosovo, Isabel viu um apelo da AMI e da Cruz Vermelha Portuguesa e decidiu ajudar, mas apercebeu-se que os donativos não estavam a ser encaminhados. Organizou, nesse ano, o Concerto dos Cobertores, na Praça Sony, cujo bilhete de entrada era um cobertor que seria enviado para Kosovo. O evento foi um sucesso e Portugal foi o segundo país a entregar o maior número de cobertores no Kosovo.
Isabel entrou em conflito com a AMI e pressionou o governo para ir diretamente no avião C130, que transportou muita da ajuda humanitária enviada de Portugal. Quis ir diretamente ao local dos acontecimentos entregar em mão a ajuda às vítimas do histórico conflito.

Isabel contou ao i que aprendeu com essa experiência a não doar dinheiro ou a entregar donativos sem ser diretamente a quem precisava e, ao saber da catástrofe de Pedrógão, decidiu pôr em prática mais uma vez o método de solidariedade direta.
“Fui a primeira vez a Pedrógão no dia 21 de junho. Dirigi-me ao quartel dos bombeiros e fiquei mesmo muito impressionada com tudo o que vi. Decidi então recolher donativos e voltei no dia 3 de Julho. Fui diretamente à junta de Castanheira de Pêra levar donativos que uns amigos da família que teve nove vítimas mortais me pediu para entregar”, conta. “Fui recebida por uma senhora que me disse que não era a Junta que tratava desse assunto e mandou-me entregar tudo aos Médicos do Mundo”.
Isabel que se recusa a entregar donativos às ONG, decidiu seguir caminho pelas aldeias. Foi então que o seu grupo de voluntários se cruzou com quatro senhoras que recolhiam sementes de eucalipto, na localidade de Vermelho, certificando-se de que estas árvores não voltariam a crescer perto das suas zonas de habitação. As mulheres, apesar de terem perdido todas as árvores e hortas, não quiseram receber donativos uma vez que as suas casas por dentro estavam intactas. "Foi aí que me disseram pela primeira vez que o número de mortos seria muito superior ao anunciado".

A Contagem
“Falaram-me de uma família de duas pessoas que salvaram tudo sozinhos e deixámos lá donativos, já que tinham dado abrigo à sobrinha que só tinha a roupa do corpo desde o dia do incêndio”, conta ao i.
Foi depois deste contacto que Isabel decidiu ir à aldeia de Nodeirinho, uma vez que tinha sido uma das localidades mais faladas na comunicação social. “Quando cheguei lá, as pessoas estavam todas reunidas na capela. Falei com toda gente, disseram-me o que lhes fazia falta e voltaram a confirmar a teoria de que o número de mortos seria muito superior ao anunciado” .
Isabel, intrigada com o assunto, terá falado telefonicamente no sábado dia 8 de julho com uma agência funerária em Vila Facaia que pelo telefone lhe confirmou, mais uma vez, que o número era muito superior. Abordou os funcionários com uma história que acabara de inventar. “Tive de inventar uma história, caso contrário nunca se iriam abrir comigo. Falei-lhes então que procurava um rapaz amigo de uma amiga minha que estaria a chegar para o tentar encontrar e que precisava de saber se o nome dele estaria entre os 64 mortos”.
Terá sido neste momento que a primeira pista lhe foi dada. Uma das funcionárias terá respondido sob pressão com um sincero “eu sei lá menina, são muito mais, só eu vi mais de 95 corpos”, desabafo que Isabel nunca mais conseguiu que se repetisse, já que a senhora em causa nunca mais o confirmou.

Isabel explica ao i que, nas suas visitas às localidades dos concelhos afetados pelo incêndio, “os locais estão muito pressionados politicamente e há um estado de medo instalado”.
Mas ao falar com as famílias de luto, a ideia da criação de um memorial surgiu. “É o mínimo que se pode imaginar depois de uma tragédia destas, nada faz sentido se não houver uma homenagem a todos os que morreram”.

A empresária de Lisboa terá então iniciado um processo de recolha de informação. "Primeiro procurei tudo o que a imprensa tinha escrito sobre os mortos, chegando mesmo a perceber que tinham dado como mortas pessoas que estavam vivas. Com o é o caso da dona Gina, que estava internada e viva e na comunicação social deram o nome dela como falecida”.
Ao verificar se os dados da imprensa estavam corretos, comecei a ir de família em família, a abordar bombeiros e cheguei a contar as campas frescas de um dos cemitérios para confirmar que os números são superiores, parece macabro mas tive de o fazer”.

Segundo Isabel e dois bombeiros que não querem ser identificados, várias vítimas foram encontradas mortas depois de os números oficiais terem sido dado como certos. Terá sido o caso de Leonor Silva Henriques e Armindo Henriques Modesto que não estavam referenciados em lugar nenhum, mas morreram dentro do carro de Anabela Lopes Carvalho, de Sarzedas, que circulavam na EN236.
Otília, irmã de Anabela, teve de identificar o corpo da irmã na estrada e falou a Isabel dos dois acompanhantes da irmã que não faziam parte das listagens.

Também Fernando, de Campelo, foi encontrado carbonizado por uma local de Pobrais no meio do mato vários dias depois. “Estes corpos foram encontrados e enterrados mas os números nunca foram atualizados”, explica Isabel Monteiro.

O i contactou várias das famílias das vítimas que pertencem à listagem de Isabel e que pedem para não ser identificadas, mas que garantem que o número de mortos (64) dado pelas autoridades "está muito longe da verdade".

Isabel Monteiro e a sua amiga Ana Sousa e Silva juntaram algum dinheiro e, com a ajuda e confiança do padre da Paróquia de Nossa Senhora dos Navegantes, no Parque das Nações, e um de Bragança, conseguiram uma quantia de dinheiro que lhes permitiu a aquisição local de animais e hortícolas para doar às famílias. Compraram 80 animais (com 208,99 euros) e com 197 euros compraram 700 mudas de hortícolas que transportaram às famílias afetadas pelos incêndios. Foi aí que constataram que, depois de 30 dias, a ajuda ainda continuava por chegar. “Chegaram-me a dizer que havia certamente mais de 100 mortos, eu não queria acreditar. Mas realmente assim que comecei a juntar toda a informação percebi que pelo menos mais de 80 mortos tínhamos listados”.

Para Isabel há demasiadas falhas em tudo que se relaciona com este assunto, como o exemplo dos questionários online para as vítimas dos incêndios. “Como é que o ministério da agricultura espera que idosos que não fazem ideia do que é usar a internet, depois de todo o trauma, ainda preencham formulários?”, pergunta. O formulário poderia ser entregue na Câmara Municipal até ao sábado dia 15 de julho.

Como Alcafache

No dia 13 de julho, às 18h21, Isabel publicou a lista na sua página do facebook pedindo que a ajudassem a atualizar e a corrigir os dados disponíveis. “As chamadas, até hoje ainda não pararam, sempre com novas informações”.

“Isto como bombeiro não me surpreende, já tivemos situações destas em Portugal, como no caso do comboio de Alcafache que nunca chegaram a dar o número real de vítimas e soubemos de corpos enterrados em vala comum”. O bombeiro de Viseu conta que militares já lhe haviam falado de um número de mortos muito superior ao anunciado, logo no primeiro dia de acção em Pedrógão. “Entre pessoal das operações sempre se ouviu falar em mais de 100 mortos. Mas sempre se falou disto sem provas, eram apenas boatos. Agora há nomes, como é que se mentem nomes de pessoas?”.

Segundo a empresária e os dois bombeiros que o i contactou, têm sido várias as pressões para que este assunto “morra na praia”. “Disseram-me que devia estar calada porque isto envolve interesses nacionais. Mas eu não quero viver num país em que interesses do Estado valem mais do que vidas humanas”.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) reiterou neste sábado que o incêndio do mês passado em Pedrógão Grande fez 64 vítimas mortais, em "consequência directa" do fogo, e que outros eventuais casos não se integram nos critérios "definidos". Os critérios que foram identificados para apurar as vítimas do incêndio são "mortes por inalação e queimaduras", resultantes do fogo, adiantou à agência Lusa a adjunta nacional de operações Patrícia Gaspar.

Segue-se a listagem das vítimas mortais contabilizadas por Isabel Monteiro, que reuniu informação com famílias, populares, funerárias e bombeiros.

(Em atualização)
..........,


Última Hora: Incêndios. Empresária contou mais de 80 mortos em Pedrógão Grande
O i divulga a lista, em constante atualização. Já se contabilizaram mais de 80 mortos, dos quais 69 estão confirmados pelas famílias com nomes completos,…
SOL.SAPO.PT

Capa do "Público", de hoje!


Público
8 h ·


Terça-feira, 25 de Julho de 2017

Pedrógão. Lei permite a António Costa pedir fim do segredo de justiça

Vagas nas escolas. Pais revoltados com problemas nas matrículas


Mercado de transferências. Manchester City, o clube que mais gasta, AS MONACO, o que mais lucra

Mais em http://publico.pt/