sexta-feira, 28 de junho de 2013

SOBRE "OS MAIAS": TEXTO DE JACINTO PRADO COELHO, em WWW. faroldasletras.no.sapo.pt











A Inserção do Insólito no Quotidiano;


A Compensação Irónica


Um dos mais difíceis problemas levantados por Os Maias ao autor é o da inserção do insólito do incesto (trágico, sim, mas, sob o prisma oitocentista, romanesco, folhetinesco também) na trivialidade chã da comédia lisboeta. Eça de Queirós, notarei desde já, resolveu o problema com subtil mestria. Incorporou assim o trágico amor impossível, com todas as suas românticas implicações, no realismo do romance de costumes. E não se pretenda que o dissolveu pela ironia ou pela censura crítica. O trágico subsiste n' Os Maias como um dos valores estéticos maiores.


Um dos processos utilizados por Eça é o da reacção das personagens perante o que julgam inverosímil, inacreditável. «Ega recomeçou a passear lentamente pelo meio do largo. E agora, pouco a pouco, subia nele um incredulidade contra esta catástrofe de dramalhão [a literatura defende-se aqui aludindo a si própria]. Era acaso verosímil que tal se passasse, com um amigo seu, numa rua de Lisboa, numa casa alugada à mãe de Cruges?... [É a natural revolta, em Ega, contra a brutal intromissão aleatória do insólito na normalidade do dia-a-dia.] Não podia ser! Esses horrores só se produziam na confusão social, no tumulto da Meia Idade! Mas numa sociedade burguesa, bem policiada, bem escriturada, garantida por tantas leis, documentada com tantos papéis, com tanto registo de baptismo, com tanta certidão de casamento, não podia ser!» E o monólogo interior prossegue, antecipando-se à crítica do leitor, tirando-lhe a força que podia ter se o narrador parecesse ingénuo: «Não era possível. Tais coisas pertencem só aos livros, onde vêm, como invenções subtis da arte, para dar à alma humana um terror novo...» (p. 621).


Outro processo consiste noutra forma de reacção, a que já aludi atrás: o Ega tenta explicar o sucedido por uma causa natural: a superioridade de Carlos e de Maria Eduarda, que tinha de ressaltar e de os aproximar numa «cidade provinciana e pelintra» como Lisboa. E é ainda o Ega, a personagem mais útil nesta manipulação do insólito, quem procura dar certa naturalidade à história, destragicizar o incesto, lembrando um caso ocorrido em Celorico, no lugar de Vouzelas: o caso de «dois irmãos que inocentemente iam casar» e que terminou bem: «Os noivos ficaram uns dias "embatucados", como dizia o padre Serafim; mas por fim já riam, muito amigos, muito divertidos, quando se tratavam de "manos"» (p. 627). O pobre do Ega tenta juntar argumentos para convencer Carlos de que o incesto não era «tão pavoroso» como se podia imaginar, não havia de estragar necessariamente uma existência. Simples desgosto dum amor acabado, «Bem menos atroz do que se Maria o tivesse traído com o Dâmaso.»


Carlos, por seu turno, desmitifica o incesto submetendo-o a uma análise cujo móbil, no âmago, é a revolta - o seu amor defendendo-se, não querendo morrer, só porque as revelações de um Guimarães e uma caixa de charutos cheia de papéis velhos o declaravam impossível, e lhe ordenavam que morresse!» (p. 647). O passo aduz uma realidade irónica implícita: o que é grave não é fazer mas saber, o pecado (e o sentimento de culpa, que altera a imagem do amor e a da amada) só existe depois de se saber: o mal não está, pois, num facto objectivo mas num facto subjectivo. Todavia, Carlos dá-se conta adiante (e com ele o leitor) de que a proibição não é só um fantasma da razão: instalou-se no subconsciente do amante: o divino corpo da amada, porque ele sabe que ela é sua irmã, torna-se-lhe repulsivo.


Ainda um processo de inserir o insólito no quotidiano, o lance trágico no realismo charro, é moderar as consequências do incesto (profundas, sim, mas não espectaculares) no espírito de Carlos. O remorso pelo acto nefando cometido (mesmo depois de conhecer a verdade medonha), o arrependimento por haver causado a morte do avô, o desgosto por ter sido obrigado a renunciar a Maria - todos esses golpes terríveis não chegam para o destruir. Carlos não se suicida, viaja. Tira partido do dinheiro que possui. Sem dúvida, ficam-lhe traços indeléveis na alma, sabemo-lo através do Ega, mas este, nas palavras, não exagera, reduz a desmesura à pacatez do quotidiano: «Ega confessou que Carlos ficara ainda "abalado". Vivia, ria, governava o seu faetonte no Bois - mas lá no fundo do seu coração permanecia, pesada e negra, a memória da "semana terrível"» (p. 689). Dez anos após a catástrofe, no Ramalhete abandonado, em conversa com o Ega, pondera Carlos filosoficamente: «- E aqui tens tu a vida, meu Ega! Neste quarto, durante noites, sofri a certeza de que tudo no mundo acabara para mim... Pensei em me matar. Pensei em ir para a Trapa. E tudo isto friamente, como uma conclusão lógica. Por fim, dez anos passaram, e aqui estou outra vez... / Parou diante do alto espelho suspenso entre duas colunas de carvalho lavrado, deu um jeito ao bigode, concluiu, sorrindo melancolicamente: / - E mais gordo! (p. 712). Podemos pensar que Carlos, embora capaz duma paixão intensa, é mais frio, menos impulsivo do que o pai. Porque foi educado de outra maneira, porque pertence a uma geração diferente? O que, neste momento, cumpre salientar é a verdade humana do seu comportamento; nesta verdade humana se manifesta o realismo do romance. Discretamente, sem esgares, tudo se resolve num sorriso triste, numa ironia melancólica - a ironia de, passados os transes patéticos, as dores se atenuarem, os sentimentos amortecerem, o homem se acomodar, se contentar com os pequenos prazeres que a vida lhe proporciona.


Faltou mencionar um processo, por assim dizer, constante em Eça de Queirós: o contraponto do sério e do cómico, a atenuação do trágico pelo ridículo. Desta compensação irónica serve de exemplo, no respeitante ao caso do incesto, o que há de ridículo no lugar-comum empregue por Guimarães para resumir a situação: «- Enfim, nem eu sei, um horror! / - um drama! - resumiu gravemente o Sr. Guimarães» (p. 620). A distensão do trágico obtém-se também pela interferência, tão frequente no romancista, dos prazeres da comida nas preocupações mais graves: «- O bife era excelente: - e depois de uma perdiz fria, de um pouco de doce de ananás, de um café forte, Ega sentiu adelgaçar-se, enfim, aquele negrume que desde a véspera lhe pesava na alma. No fim, pensava ele, acendendo o charuto e lançando os olhos ao relógio, naquele desastre, praticamente encarado, só havia para Carlos a perda duma bela amante» (p. 630). Quando vai um alvoroço pelo Ramalhete e Ega conta a Carlos as revelações terríveis do Sr. Guimarães, um intermédio burlesco, o Vilaça à procura do chapéu, interfere ciclicamente na conjuntura dramática. É, uma vez mais, o processo compensatório do romancista - o realismo da alternância do cómico e do trágico. No epílogo, a cena dos espirros, durante a visita lúgubre de Carlos e Ega ao Ramalhete, desempenha uma idêntica função.


Coelho, Jacinto do Prado, AO CONTRÁRIO DE PENÉLOPE - Para a compreensão d' Os Maias como um todo orgânico , Venda Nova, Bertrand Editora, 1976

O PENSAMENTO CRÍTICO DO GRANDE JOÃO GASPAR SIMÕES (1903-1987)





Em www.delfimsantos.org, o pensamento de João Gaspar Simões (1903-1987):

..."Partindo do princípio de que todos os homens são suscetíveis de se determinar por uma certa ordem de valores, o problema da cultura e, em última instância, o problema da vida estão na atenção que se preste ao próprio homem na organização dos meios favoráveis à sua própria condição humana. Quer dizer, em última análise, que o valor que a cultura precisa de preservar é o próprio homem, centro de toda a atividade pensante e de toda a orgânica política e social. Uma antropomorfização da vida intelectual, ética, política e social - eis a finalidade de toda a cultura. A convicção de que é este o caminho para solucionar a crise do nosso tempo seria partilhada por todos os homens de bom pensar se não fosse a conclusão de HegeI citada pelo próprio Delfim Santos e é que: «a história só nos ensina que o género humano nada aprende da história». Isto significa ser mais fácil ao homem vincular-se a fórmulas e identificar-se com sistemas que se lhe afiguram garantir a continuidade dos seus bens adquiridos, por mais mesquinhos que eles sejam, do que procurar resolver o seu problema fundamental, qual seja encontrar novas formas de cultura quando aquelas em que vive já não servem para satisfazer aquilo que é ou deve ser a sua finalidade última: tornar-se verdadeiramente homem."

João Gaspar SIMÕES, Liberdade do Espírito, Ensaios. Porto: Portugália 1948, 241-250

PRIMEIRA PÁGINA DO SEMANÁRIO "SOL"

LINDO TÍTULO!
Poiares Maduro reconhece erros do Governo;

António Saraiva incita Portas a fazer o que diz.

Leia amanhã no SOL.

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=78679
Não gosto ·  · Promover · 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

ARTIGO NET SOBRE A NÃO-VIOLÊNCIA





A Revolução da Dialética





                                                                                     Samael Aun Weor





AHIMSA - A NÃO VIOLÊNCIA
Ahimsa é o pensamento puro da Índia, a não-violência. O Ahimsa está realmente inspirado pelo amor universal. Himsa significa querer matar, querer prejudicar. Ahimsa é, pois, a renúncia a toda intenção de morte ou dano ocasionado pela violência.
Ahimsa é o contrário do egoísmo. Ahimsa é altruísmo e amor absoluto. Ahimsa é ação reta.
Mahatma Gandhi fez do Ahimsa o báculo de sua doutrina política. Gandhi definiu a manifestação do Ahimsa assim: "A não-violência não consiste em renunciar a toda luta real contra o mal. A não-violência, tal como eu a concebo, empreende uma campanha mais ativa contra o mal que a Lei do Talião, cuja natureza mesma traz como resultado o desenvolvimento da perversidade. Eu levanto, frente ao imoral, uma oposição mental e, por conseguinte, moral. Trato de amolecer a espada do tirano, não cruzando-a com um aço mais afiado, mas defraudando sua esperança ao não oferecer resistência física alguma. Ele encontrará em mim uma resistência da alma, que escapará de seu assalto. Essa resistência primeiramente o cegará e em seguida o obrigará a dobrar-se. E o fato de dobrar-se não humilhará o agressor, mas o dignificará... " (Não existe arma mais poderosa que uma mente bem fundamentada).
O Ego é quem desune, atraiçoa e estabelece a anarquia em meio à pobre humanidade doente. O egoísmo, a traição e a falta de irmandade dividiram a humanidade.
O Eu não foi criado por Deus nem pelo Espírito. O Eu foi criado por nossa própria mente e deixará de existir quando o tenhamos compreendido totalmente em todos os níveis da mente.
Só através da ação reta, meditação reta, vontade reta, retos meios de vida, reto esforço e reta memória podemos dissolver o Eu. É urgente compreender profundamente tudo isso, se é que realmente queremos a Revolução da Dialética.
Não devemos confundir a personalidade com o Eu. Realmente, a personalidade se forma durante os sete anos da infância e o Eu é o erro que se perpetua de século em século, fortalecendo-se cada vez mais com a mecânica da recorrência.
A personalidade é energética, nasce com os hábitos, costumes, idéias, etc., durante a infância e se fortalece com as experiências da vida. Tanto a personalidade como o Eu devem ser desintegrados. Nós somos mais revolucionários nos ensinamentos psicológicos que Gurdjieff e Ouspensky.
O Eu utiliza a personalidade como instrumento de ação. O personalismo resulta dessa mescla de ego e personalidade. O culto à personalidade foi inventado pelo Eu. Realmente, o personalismo engendra egoísmo, ódios, violências, etc. Tudo isso é rechaçado pelo Ahimsa.
O personalismo arruina totalmente as organizações esotéricas. O personalismo produz anarquia e confusão. O personalismo pode destruir totalmente qualquer organização.
Em cada reincorporação (retorno) o ego fabrica uma nova personalidade. Cada pessoa é diferente em cada nova reincorporação.
É urgente saber viver. Quando o Eu se dissolve, advém a nós a Grande Realidade, a Felicidade verdadeira, Aquilo que não tem nome.
Distingamos entre o Ser e o Eu. O homem atual só tem o Eu. O homem é um ser não realizado. É necessário realizar o Ser, é necessário saber que o Ser é felicidade sem limites.
É absurdo dizer que o Ser é o "Eu superior", o "Eu Divino", etc. O Ser, sendo de tipo universal e cósmico, não pode ter sabor de ego. Não tratemos de divinizar o Eu.
Ahimsa é não-violência em pensamentos, palavras e obras. Ahimsa é respeito às idéias alheias, respeito a todas as religiões, escolas, seitas, organizações, etc.
Não esperemos que o Eu evolua porque o Eu não se aperfeiçoa jamais. Necessitamos de uma total Revolução da Consciência. Este é o único tipo de revolução que nós aceitamos.
Na Revolução da Dialética, na Revolução da Consciência, se encontra baseada a doutrina do Ahimsa.
Conforme morremos de instante em instante, a concórdia entre os homens vai se desenvolvendo lentamente. Conforme morremos de instante em instante, o sentido da cooperação irá substituindo totalmente o sentido da competição. Conforme morremos de momento em momento, a boa vontade vai substituindo pouco a pouco a má vontade.
Os homens de boa vontade aceitam o Ahimsa. Torna-se impossível iniciar uma nova ordem em nossa psique excluindo a doutrina da não-violência.
O Ahimsa deve ser cultivado nos lares que seguem a senda do Matrimônio Perfeito. Só com a não-violência em pensamentos, palavras e obras pode reinar a felicidade nos lares.
Ahimsa deve ser o fundamento da vida diária, no escritório, na fábrica, no campo, no lar, na rua, etc. Devemos viver a doutrina da não-violência. 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

POEMA (inédito) publicado na COLECTÂNEA DA EDITORA MODOCROMIA "PALAVRAS DE CRISTAL"

  






              MÍSTICO DO REAL
(Inédito publicado na COLECTÂNEA DE MODOCROMIA, “PALAVRAS DE CRISTAL)


Sob as névoas etéreas da noite, sussurram ventos nas águas
das solitárias fontes…
As brisas esculpem os fundos regos da terra
onde se esboça a vida da madressilva e do lírio…
A montanha floresce no cantar dos raios de luar, sol da noite a cantarolar o azul do céu
que, lânguido, se deita por sobre as águas do mar.
               
                              Fecho os olhos.
                                          Vejo dois mundos distintos,
                                                                 o real e o do sonho…

                            Por eles vou viajar em horizontes do sonho,
                                           perdidos no Longe-do- vulto de um eterno Desconhecido.


Fala-me a aurora de tempos imemoriais
                        que se uniram a pedras duras, monumentais,
                                        nascidas em futuros pinheirais-verdes-de-aromas-catedrais.

Um Infinito sem perfil-a-achar, ruge em aparências que se esfumam no triste
canto de um rouxinol a acumular lágrimas musicais…

Por dentro do vulto que sou, vejo o Tempo que por mim passou a rondar o Sonho…
Há nuvens a abraçar o Além dos lamentos de dor no brilho dos cristais…
Ilusões de belezas grandiosas, clamam dos fundos dos mares das tormentas universais.

O sol fecunda o brilho do ventre cósmico…
                                            Os astros passeiam nas teias das estrelas imortais…

Cada palavra que se impõe-em-mim subsiste par que interrogue o mundo.
O seu tempo-no-meu-tempo acaba quando o Tempo chegar…

                                              No entretanto-de-mim,
                                               aflora a maciez de veludo nos templos da natureza,
                                               a acompanhar o caminho da minha solitária e silenciosa Procura.
                                               Qual narciso pretensioso fixa as águas dos ribeiros a correr
                                               para o mar ,onde quer permanecer.
                                               Sorri ao odor das rosas em dança de mariposas ,
                                                flutuantes e teimosas, em colorir néctares-a-flutuar!

Cada palavra minha é fé e dúvida.
É mar interior a desbravar terreno, tão inóspito quanto difícil de deslindar…
…e vejo quão necessária é uma gramática-da-mística do âmago
para explicar a verdade que não existe-subsistindo-na –essência do ser!

Não percebo bem nada do Resto-que-me-sustém!
Sou cósmica…sou húmus de estrelas…sou mentira da minha verdade-
-na verdade da mentira que sou!
Sou redoma aberta aos cânticos do universo e fragmento de raio solar!

(Sinto-me acompanhada por Algo Maior que o Homem
nos meus embates angustiosos com a realidade…)

Sou tempo do Tempo que foi, que É e que Há-de ser,
até que ele se canse e viva no cume das árvores
 a arrastar pós de estrelas
 pelas eras-de –EU-Ser…

O sentido das palavras…? Hei-de sabê-lo DEPOIS…


Maria Elisa R. Ribeiro

(Marilisa Ribeiro)- MST/MRÇ/013

POEMA DE JOSÉ RÉGIO(1901-1969)

Poema de José Régio (1901-1969):


Testamento do Poeta
Todo esse vosso esforço é vão, amigos:
Não sou dos que se aceita... a não ser mortos.
Demais, já desisti de quaisquer portos;
Não peço a vossa esmola de mendigos.

O mesmo vos direi, sonhos antigos
De amor! olhos nos meus outrora absortos!
Corpos já hoje inchados, velhos, tortos,
Que fostes o melhor dos meus pascigos!

E o mesmo digo a tudo e a todos, - hoje
Que tudo e todos vejo reduzidos,
E ao meu próprio Deus nego, e o ar me foge.

Para reaver, porém, todo o Universo,
E amar! e crer! e achar meus mil sentidos!....
Basta-me o gesto de contar um verso."-in O Citador

José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'

terça-feira, 25 de junho de 2013

POEMA: CONDICIONAL






















POEMA: CONDICIONAL


CONDICIONAL



.partiria nas asas das aves marinhas a visitar mundos floridos,
ondas alterosas,
montanhas tufosas e,
de passagem,
cantaria pertinho dos teus sentidos , inebriantes aromas de flores…

.pintaria crepúsculos em versos dourados…
…telas coloridas de rubro vermelho, no trigal extenso de páginas vividas…

.seria sedenta do magma de fogo
e invadiria, sem qualquer pudor,
o segredo intenso do teu ardor!
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………


.fiapos de nuvens rompem os céus, prontas a desabar no rio de afectos
que nos quer a abraçar.
.deambulo, cansada, pelas tuas mãos…
.afago-te o desejo, no calor das veias…
.envolvo-me em névoas, por caminhos vãos
onde as hortênsias estão cheias de ideias…

.o sol da seara prometeu dizer-me,
ao longo do dia de agreste calor,
o ponto de encontro entre o céu e a terra
onde, furtivo, repousa o viver.

(O restolho dos tempos gravou nas folhas o meu poema condicional-presente!)

. palavras-sós das invernais noites entram, solenes, em brisas permanentes!
.levo-as comigo para o teu beiral que, terno, me acolhe no vendaval!


………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

.meu presente é feito de ti,
boca do fogo
que sabe a vulcão do fim do mundo…

.meu condicional deixa de ser e cede lugar ao nosso querer…


.abandono-me nas mãos do presente-a-ser
em névoas floridas , vivas e altivas, prontas a viver!


DEZ/012-MQC


Maria Elisa R. Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)

POEMA DO NOSSO JOSÉ RÉGIO (1901-1969)





Um poema de Natal de José Régio


NATAL

Mais uma vez, cá vimos
Festejar o teu novo nascimento,
Nós, que, parece, nos desiludimos
Do teu advento!
Cada vez o teu Reino é menos deste mundo!
Mas vimos, com as mãos cheias dos nossos pomos,
Festejar-te, ? do fundo
Da miséria que somos.
Os que à chegada
Te vimos esperar com palmas, frutos, hinos,
Somos ? não uma vez, mas cada ?
Teus assassinos.
À tua mesa nos sentamos:
Teu sangue e corpo é que nos mata a sede e a fome;
Mas por trinta moedas te entregamos;
E por temor, negamos o teu nome.
Sob escárnios e ultrajes,
Ao vulgo te exibimos, que te aclame;
Te rojamos nas lajes;
Te cravejamos numa cruz infame.
Depois, a mesma cruz, a erguemos,
Como um farol de salvação,
Sobre as cidades em que ferve extremos
A nossa corrupção.
Os que em leilão a arrematamos
Como sagrada peça única,
Somos os que jogamos,
Para comércio, a tua túnica.
Tais somos, os que, por costume,
Vimos, mais uma vez,
Aquecer-nos ao lume
Que do teu frio e solidão nos dês.
Como é que ainda tens a infinita paciência
De voltar, ? e te esqueces
De que a nossa indigência
Recusa Tudo que lhe ofereces?
Mas, se um ano tu deixas de nascer,
Se de vez se nos cala a tua voz,
Se enfim por nós desistes de morrer,
Jesus recém-nascido!, o que será de nós?!

‹‹ em Diário de Notícias, edição nº 33 345 de 25 de Dezembro de 1958 ››


Publicação: domingo, 24 de Dezembro de 2006 19:51 por FernandaValente
Arquivado em: 

sábado, 22 de junho de 2013





NOTÍCIA DE HOJE: A UNESCO ACABA DE DECRETAR COIMBRA, A" ALTA", A "SOFIA" E A VELHA UNIVERSIDADE COMO PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE!

TEXTO DE CARLOS CARRANCA:




"COIMBRA PATRIMÓNIO MATERIAL DA HUMANIDADE (texto definitivo)
COIMBRA PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

A UNESCO acaba de distinguir a cidade de Coimbra , reconhecendo-lhe o seu valor patrimónial. Estamos todos de parabéns: O país que, mais uma vez, atravez de Coimbra sai engrandecido; A cidade e a sua Universidade que , assim, se tornam ainda mais importantes para o património da humanidade,e em especial, muito em especial, a ALTA DE COIMBRA que tanto sofreu nos anos 40 e 50 com a destruição de parte do seu património edificado e humano (onde incluimos as tradições populares e académicas) que hoje vê reconhecida a sua verdadeira grandeza. Não esqueço de aqui saudar com muita emoção os SALATINAS, verdadeiros resistentes dessa pátria pequena (a Alta)e que como povo que são, sempre souberam defender apaixonadamente esse reduto de fraternidade. A BAIXA DE COIMBRA ganha coma sua RUA DA SOFIA, ou da Santa Sabedoria, aquela que foi uma das maiores da Europa do seu tempo (sec. XVI) uma maior visibilidade.
Coimbra tem mais encanto na hora do seu reconhecimento mundial.

PENSAMENTOS DE FERNANDO PESSOA (BERNARDO SOARES) DO "LIVRO DO DESASSOSSEGO"-pesquisa NET









..."Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir - é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida. 

Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades. Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje - tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a desejara -, que posso presumir da minha vida de amanhã, senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha vontade? Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir. Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. 

É esta a minha crença, esta tarde. Amanhã de manhã não será esta, porque amanhã de manhã serei já outro. Que crente serei amanhã? Não o sei, porque era preciso estar já lá para o saber. Nem o Deus eterno em que hoje creio o saberá amanhã nem hoje, porque hoje sou eu e amanhã ele talvez já não tenha nunca existido. 
Tudo é vão, como mexer em cinzas, vago como o momento em que ainda não é antemanhã.

E a luz brota tão serenamente e perfeitamente nas cousas, doura-as tão de realidade sorridente e triste! Todo o mistério do mundo desce até ante meus olhos se esculpir em banalidade e rua.

Ah, como as cousas quotidianas roçam mistérios por nós! Como à superfície, que a luz toca, desta vida complexa de humana, a Hora, sorriso incerto, sobe aos lábios do Mistério! Que moderno que tudo isto soa! E, no fundo tão antigo, tão oculto, tão tendo outro sentido que aquele que luz em tudo isto! 

Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda-chuvas contra um raio.

Sou tão inerte, tão pobrezinho, tão falho de gestos e de actos.

Por mais que por mim me embrenhe todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia. 

Se eu fora outro, penso, este seria para mim um dia feliz, pois o sentiria sem pensar n' ele. Concluiria com uma alegria de antecipação o meu trabalho normal aquele que me é monotonamente anormal todos os dias. Tomaria o carro para Benfica, com amigos combinados. Jantaríamos em pleno fim de sol, entre hortas. A alegria em que estaríamos seria parte da paisagem, e por todos, quantos nos vissem, reconhecida como de ali."(...)

sexta-feira, 21 de junho de 2013





SEMANA DA FESTA DO LEITÃO DA BAIRRADA, A DECORRER NA MEALHADA, COM PATROCÍNIO DA CÂMARA MUNICIPAL!

POEMA





POEMA:


PALAVRAS NAS NUVENS-LIVRES


Mesmo que não me oiças nem vejas ou sigas os passos meus…
…eu quero-te…
…e quero-te nas subtis entrelinhas do poema
que a razão me dita,
com o sentimento a escorrer pelas veias dum pedaço de papel…

!Quero-te!

E as flores que se abrem, na Primavera, juntam seus doces odores
à sombra deste inconformismo do amar,
premente…a despontar.

Então,
canto, no meu poema, o renascer permanente da vida
com todas as vozes do mundo dentro da minha voz.
É isso que exige a Humanidade…
------------------------------------------que seja um de entre todos,
------------------------------------------um qualquer de entre vós
------------------------------------------a abrir a boca das palavras a que não se dá voz!

Da maceração das sílabas, dos fonemas de todos os lexemas
elas sairão, prontas a derrubar um muro de ideias …
…ideias nefastas, madrastas no dividir a Mensagem-Paz
-----------------------------------------que deve fluir, livre como nuvem flutuante,
-----------------------------------------ao encontro do Ser.

O amor e o querer derrubam muros…Por isso te digo

!Quero-te!

Será que vais ler meu poema
ao som do ribombar de um qualquer trovão
que te desperte a emoção?
Só então voarão livres os pássaros de fogo
e se abrirão novas e frondosas flores!
Só então correrão rios por entre as searas, a caminho do mar…
Só então…
-quem sabe?-
a paz ataque a guerra…
e corramos livres pela terra, na aragem das palavras-livres-das-nuvens…


Maria Elisa Rodrigues Ribeiro



Marilisa Ribeiro-Maio/ 012

quinta-feira, 20 de junho de 2013

HOJE, 20 de Junho/013. DIA DOS REFUGIADOS

DIA DOS REFUGIADOS:


O drama destes seres inocentes, cujo único pecado foi nascer num mundo fora do nosso, não nos pode deixar indiferentes, a nós que gozamos das condições mínimas de conforto que nos dão a DIGNIDADE de sermos uns felizard...Ver mais
O QUE VOS TINHA DITO????CÁ VAI MAIS UMA "CAVACADA" DO HOMEM QUE DIZ PREOCUPAR-SE MUUUUUUUITO COM AS CONDIÇôES EM QUE O POVO PORTUGUÊS SE ENCONTRA....

Notícias de PORTUGAL

MAIS UMA MACHADADA NA MISÉRIA! É PRECISO "CORTAR"NELES!
PORTUGAL EM DESESPERO!
A maioria parlamentar PSD/CDS-PP aprovou esta quarta-feira na especialidade o corte de 5% sobre os subsídios de doença e 6% sobre os subsídios de desemprego.
A norma foi declarada inconstitucional pelo TC mas o governo tenta contornar a dec...Ver mais

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OBRIGADA A TODOS OS AMIGOS QUE ME VISITAM! (20 de Junho de 2013)



quarta-feira, 19 de junho de 2013

O PENSAMENTO DE ERNEST HEMINGWAY

“Há certas coisas que não se aprendem rapidamente e pelas quais temos de pagar caro com a nossa única moeda - tempo. São as coisas mais simples, e porque um homem leva a vida inteira para as aprender, o pouco que cada homem tira da vida é muito caro e é a única herança que tem para deixar.”
-Ernest Hemingway-