segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Poema de Vergílio Ferreira



Poema de Vergílio Ferreira:




Cai a Chuva Abandonada




Cai a chuva abandonada
à minha melancolia,
a melancolia do nada
que é tudo o que em nós se cria.


Memória estranha de outrora
não a sei e está presente.
Em mim por si se demora
e nada em mim a consente

do que me fala à razão.
Mas a razão é limite
do que tem ocasião

de negar o que me fite
de onde é a minha mansão
que é mansão no sem-limite.
Ao longe e ao alto é que estou
e só daí é que sou.




Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'

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