" Não misturo dimensões Maria Elisa Ribeiro! Há na minha personalidade um forte apelo pelo denso, pelo triste, pelo maldito, pelo negro e pelo breu, julgo eu por tal me aguçar os sentidos e me permitir existir com o interior mais ao rubro e à flor da pele!
Mas vivo tal estado de forma controlada e na partilha de tal comigo próprio, ou de uma alma ou outra mais intima e também habilitada a perceber tal estado!
Paralelamente a isso, empenho-me em dar aos outros o lado menos obscuro de mim: o da irreverência, o de proporcionar o riso, a galhofa, a boa disposição! Mas sempre de f
orma genuína, com ironia, com cepticismo... algo que leve os meus companheiros de viagem a sorrir sim, mas tambem a pensar!Eu próprio posso estar deveras em baixo, mas se o contexto social me permite chalacear e brincar, mergulho nele de cabeça, presto-me a fazer de bobo ou de palhaço em prol dos outros; uns percebem que é disso que se trata, outros, coitados, auguram para mim o estatuto de coitado, sem nada de nada perceberem!
Nem de mim, nem deles, muito menos da vida! Mas claro que, abandonada essa dimensão de alegria da qual gosto de beber de quando em quando, e em que continuadamente não me revejo nem percebo, vejo tal como fútil uma espécie de sociedade de consumo de emoções e sentimentos, breve e por opção consciente e própria.
Regresso então ao meu casulo, à minha dimensão especial e única, mundo imaginário onde fantasio, sonho, amo, choro, divago e vivo a esperança!
De quê? já nem sei! Da melhoria contínua, como ser, do apego aos outros, da paixão intensa como nascente do amor gémeo por alguém!
E por ser como sou, e por toda a verdade e assombro que para mim próprio represento, passem todas as minhas fragilidades sinto-me e sou indestrutível! A fazê-lo, a acontecer, terei de ser eu!
Obrigado pelas suas palavras, pela sua poesia, kisses for you!"
NOTA minha: é claro que o texto é uma auto-análise! É claro que todos fazemos, mais ou menos profundamente, a nossa introspecção.
Devemos a nós próprios este exercício de "leitura" do nosso espírito!
Desse exercício pode resultar uma auto-consciência que leve o mundo para o seu melhor.
Obrigada, Rui Pucas!
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
Mealhada, 23 de Dezembro de 2015
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