quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O último banco "desviado" dos carris... E O Montepio...aguentar-se-á??????????


Banif poderá ter duas comissões de inquérito


MÁRCIO BERENGUER e SOFIA RODRIGUES

06/01/2016 - 07:45


No Parlamento, PS, BE e PCP preparam proposta conjunta de criação de uma comissão de inquérito. Na Assembleia Legislativa da Madeira, o PS da região propõe ainda esta semana a criação de outra comissão sobre o banco.Só daqui a duas semanas será votada a criação de mais uma comissão parlamentar de inquérito a um banco RUI GAUDÊNCIO




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Pela primeira vez na história da democracia portuguesa, a mesma situação – no caso, o processo que levou à resolução do Banif - poderá vir a ser objecto de duas comissões parlamentares de inquérito a funcionar em simultâneo, uma na Assembleia da República e outra na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira.

A nível nacional, PS, BE e PCP estão a trabalhar numa proposta comum de criação, na Assembleia da República, de uma comissão parlamentar de inquérito ao Banif. Na Madeira, o PS do arquipélago promete entregar até ao final desta semana um pedido de instalação, na assembleia legislativa, de uma comissão de inquérito para apurar eventuais responsabilidades do PSD-Madeira e da administração pública regional na queda do Banif.

A proposta de comissão parlamentar de inquérito na Assembleia da República só agora dá os primeiros passos, depois do anúncio da intenção de a constituir feito durante a discussão do Orçamento Rectificativo que permitiu a injecção de capital no banco, dias antes do Natal. PS, BE e PCP estão a trabalhar num texto conjunto com os fundamentos para a proposta da comissão de inquérito. A proposta deverá estar pronta nos próximos dias e ser aprovada também com os votos de PSD e CDS. No entanto, as duas bancadas da direita não excluem vir a apresentar uma proposta própria.

O inquérito em causa incidirá no período posterior a 2012, ao momento em que o Estado assumiu 61% do capital do banco e lhe concedeu uma ajuda financeira no valor de 1100 milhões de euros. As atenções estarão viradas para a actuação do anterior Governo liderado por Passos Coelho, que concedeu a ajuda financeira mas não nomeou nenhum administrador para o banco. As bancadas do PS, BE, PCP e PEV estão a concertar posições, embora não haja divergências de fundo quanto aos fundamentos para propor o inquérito parlamentar. O PSD e o CDS mostraram-se disponíveis para apoiar uma comissão que procure apurar o que se passou no banco nos últimos três anos.

O documento da esquerda ficará concluído nos próximos dias, mas já só na conferência de líderes que acontecerá dentro de duas semanas é que poderá ser agendado o debate e votação da proposta. Só depois de aprovada a comissão é que as bancadas podem indicar os deputados que a integrarão.

Mais adiantado, o PS-Madeira vai entregar ainda esta semana no parlamento regional um pedido de instalação de outra comissão de inquérito. Carlos Pereira, líder dos socialistas madeirenses, diz ao PÚBLICO que o banco, que tinha sede no Funchal, esteve sempre estreitamente ligado à governação madeirense, tendo-se, muitas vezes “confundido” a gestão das duas entidades. “Importa clarificar e esclarecer até que ponto estas relações e cumplicidades contribuíram para a situação a que chegou o Banif”, acrescenta Carlos Pereira, lembrando que vários dirigentes do PSD-Madeira ocuparam cargos nos órgãos sociais do banco e que outros se mantinham na administração quando o banco foi vendido.

O presidente do PS-Madeira, que é deputado na Assembleia da República, argumenta que, mesmo existindo uma comissão de inquérito em São Bento, não cabe aos deputados nacionais fiscalizarem o executivo regional. Daí que faça todo o sentido avançar com esta iniciativa no Funchal, argumenta. “A assembleia legislativa regional é que tem competências de fiscalização do Governo Regional e este tema exige uma atenção profunda e cuidada dos deputados regionais, de modo a tornar mais transparentes as acções, decisões, políticas e intervenções de índole governativa que possam ter contribuído para a situação do banco com sede na região”, justifica Carlos Pereira.

Já os social-democratas, que têm maioria na assembleia madeirense, não se comprometem com a aprovação do pedido de comissão. “Precisamos de saber quais são os termos em que assenta o pedido de audição, só depois podemos avaliar em conformidade”, comenta o líder parlamentar do PSD-Madeira, Jaime Filipe Ramos. Para já, adianta, os social-democratas madeirenses ficam satisfeitos com a abertura de uma comissão de inquérito na Assembleia da República. “É um assunto bastante sério que importa clarificar, porque teve implicações para milhares de madeirenses”, afirma, ressalvando que o tema deve ser analisado sem qualquer tipo de preconceito, principalmente político.

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