EUA, Japão e Coreia do Sul prometem aumentar isolamento da Coreia do Norte
PÚBLICO
07/01/2016 - 10:34
Seul reinicia esta quinta-feira as emissões de propaganda através de altifalantes ao longo da fronteira que desencadearam a última crise com Pyongyang.
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Washington, Tóquio e Seul vão trabalhar em conjunto para aumentar o isolamento da Coreia do Norte, que reclama ter testado com sucesso umabomba de hidrogénio. Numa conversa esta quinta-feira de manhã, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse a Barack Obama que é necessária “uma resposta global firme” e condenou “uma provocação inaceitável”.
O Presidente norte-americano falou separadamente com Abe e com a chefe de Estado da Coreia do Sul, Park Geun-Hye. Todos “concordaram trabalhar para forjar uma resposta internacional forte e unida contra o novo comportamento perigoso da Coreia do Norte”, fez saber a Casa Branca num comunicado.
De acordo com Seul, Park e Obama discutiram a criação desta frente comum para “assegurar que a Coreia do Norte paga o preço correspondente” pelo teste nuclear.
A Coreia do Sul já decidiu limitar a entrada no complexo industrial de Kaesong, que opera em conjunto com o Norte, e vai reiniciar esta quinta-feira as emissões de propaganda através de altifalantes ao longo da fronteira. Em Agosto, os dois países trocaram disparos de artilharia depois de Pyongyang exigir o fim destas emissões, no mais alto nível de tensão entre os rivais em muitos anos. Na altura, as duas Coreias decidiram estabelecer conversações e destas acabou por sair um acordo que permitiu reabrir o diálogo para melhorar os laços.
Park, Abe e Obama falaram horas depois de um reunião do Conselho de Segurança nas Nações Unidas ter acabado com o anúncio de que estão a ser preparadas “mais extensas e significativas sanções” contra Pyongyang.
Enquanto membro não permanente do Conselho de Segurança, o Japão já dissera na quarta-feira que quer novas medidas multilaterais contra a Coreia do Norte, mas Tóquio já está a estudar mais sanções bilaterais. Depois dos testes com mísseis balísticos de 2006, o Governo japonês impôs um embargo comercial e proibiu os navios norte-coreanos de entrarem nos portos japoneses. Algumas das sanções foram aligeiradas o ano passado, quando o regime de Kim Jon-un prometeu investigar o rapto de japoneses durante a Guerra Fria.
O que é uma bomba de hidrogénio e por que devemos temê-la
Muitos peritos duvidam que o teste de quarta-feira tenha envolvido de facto um poderoso engenho de hidrogénio, mas o Japão já está ao alcance dos mísseis convencionais da Coreia do Norte. Os militares japoneses temem que o regime esteja próximo de desenvolver uma ogiva nuclear suficientemente pequena para ser montada num míssil.
Com a China a condenar o teste mas parecendo relutante em punir o vizinho e aliado com demasiada pressão económica, possivelmente por temer o seu colapso, os EUA apostam em coordenar a sua resposta com o Japão e a Coreia do Sul. Os países resolveram recentemente uma disputa sobre o uso de sul-coreanas como escravas sexuais pelos japoneses durante a II Guerra, parte em resposta à pressão de Washington, que queria os dois países concentrados no programa nuclear norte-coreano.
Os EUA têm 28 mil militares estacionados na Coreia do Sul e quase 47 mil no Japão (mais de metade na ilha de Okinawa). Analistas japoneses e norte-americanos antecipam que esta nova crise pode levar a um aumento da cooperação militar entre Washington e Tóquio.
Seul também quer que os EUA coloquem armas estratégicas na Península Coreana, disse à Reuters um oficial sul-coreano sem acrescentar pormenores. Depois do último teste nuclear, em 2013, Washington fez dois dos seusbombardeiros B-2, com capacidade para lançar ataques nucleares, sobrevoarem a Coreia do Norte, numa demonstração de força, prova da sua disposição a defender os aliados.
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