sábado, 8 de agosto de 2015

OS NÚMEROS DO DESEMPREGO, EM PORTUGAL

In.www.publico.pt




EDITORIAL

Não brincar com os números

O tema do desemprego não vai sair do debate. Convém por isso que os números reflictam a realidade.
Já se percebeu que o tema do desemprego na campanha eleitoral vai ser explosivo e nesta altura tudo o que o país menos precisa é que haja alguém a atirar mais achas para essa fogueira. Os números do desemprego vão servir de arma de arremesso político e já estão a ser utilizados em cartazes e outdoorsde propaganda política. Ainda esta semana soube-se que o PS vai colocar uma série de cartazes temáticos na rua, numa campanha sob o lema “Não brinquem com os números, respeitem as pessoas”, e alguns desses cartazes já provocavam bastante polémica nas redes sociais. Isto, depois de o PS e a maioria terem passado os últimos dois meses numa acalorada discussão sobre o balanço do emprego na actual legislatura.
Foi no meio deste clima quente que apareceu o Instituto Nacional de Estatística (INE) a publicar estimativas provisórias para o desemprego no mês de Maio a apontar para uma subida da taxa de desemprego para 13,2%, mas o valor definitivo – e depois de algumas semanas de intensas discussões políticas em torno desse valor – veio afinal a ser de apenas 12,4%. Foram décimas suficientes para beliscar a credibilidade do INE, houve ataques políticos e até um comunicado dos trabalhadores a repudiar o que dizem ter sido um “aproveitamento político que tem sido feito da informação produzida pelo INE”.
Como tal, foi importante que a presidente do INE tivesse vindo dar a cara e explicar o que aconteceu com as estatísticas de Maio, colocando em cima da mesa inclusive a possibilidade de o instituto deixar de divulgar os dados provisórios sobre o desemprego. É uma decisão sensata que vem ajudar a retirar muito ruído à discussão política. E os dados provisórios do desemprego, sendo importantes para quem precisa deles como ferramenta de trabalho (ministérios, sindicatos, confederações, etc…), são inúteis se estiverem desfasados da realidade.

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