Novo naufrágio no Mediterrâneo com cerca de 700 pessoas a bordo
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PÚBLICO
19/04/2015 - 08:52
(actualizado às 10:26)
Equipas de resgate salvaram apenas 28 pessoas até ao momento. Primeiro-ministro de Malta diz que está a desenrolar-se "a maior tragédia de sempre no Mediterrâneo".
Na semana passada, um outro naufrágio terá feito 400 mortos
GUARDIA COSTIERA/AFP
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Várias centenas de pessoas terão morrido esta noite no Mediterrâneo, em mais um naufrágio entre as costas da Líbia e a ilha italiana de Lampedusa. Até ao momento foram resgatadas 28 pessoas, mas a bordo da embarcação estariam "entre 500 e 700".
O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, disse que a embarcação transportava 650 migrantes. Ao todo, estão envolvidos nas operações 20 navios e três helicópteros de Itália e Malta.
"Menos de 50 foram resgatados até ao momento. Teme-se que haja muitas mortes", escreveu o chefe do Governo de Malta na sua conta no Twitter. O número avançado pelas agências de notícias, que citam fontes da guarda costeira italiana, é de 28 sobreviventes.
Carlotta Sami, porta-voz da Agência da ONU para os Refugiados no Sul da Europa, falou numa "tragédia de enormes proporções".
Em conferência de imprensa, o primeiro-ministro de Malta disse que está a desenrolar-se "a maior tragédia de sempre no Mediterrâneo", e lamentou que o seu país e Itália estejam "sozinhos nesta crise" – referindo-se aos naufrágios que fazem milhares de mortos por ano no Mediterrâneo.
"Malta tem tido problemas com a imigração, mas ninguém deveria ter de morrer", disse Joseph Muscat, citado pelo jornal Times of Malta.
"Está a desenrolar-se uma tragédia no Mediterrâneo, e se a União Europeia e o mundo continuarem a fechar os olhos, serão julgados da forma mais severa possível, tal como foram julgados no passado quando fecharam os olhos a genocídios enquanto os que viviam bem nada fizeram", disse o chefe do Governo de Malta, antes de pedir que se guardasse um minuto de silêncio.
Os corpos das vítimas estão a ser levados para a cidade de Catania, na Sicília.
O site do Times of Malta avança que pelo menos 650 pessoas que tentavam chegar à Europa caíram ao mar por volta das 0h00 (23h de sábado em Portugal continental). Os responsáveis da guarda costeira italiana disseram à BBC que seguiam a bordo "entre 500 e 700" pessoas.
O Times of Malta avança que o naufrágio ocorreu a cerca de 190 quilómetros de Lampedusa, ainda em águas líbias, quando os passageiros se deslocaram para um dos lados do barco, no momento em que se aproximava um navio da marinha mercante.
Um jornalista do Times of Malta disse à BBC que muitos destes naufrágios acontecem no momento em que as embarcações são abordadas por navios da marinha mercante.
"Este cenário já aconteceu vezes sem conta. As embarcações viram-se no momento em que vai começar um resgate. É uma parte do problema: navios da marinha mercante mal equipados estão a ser enviados para cumprir funções para as quais não foram preparados", disse Mark Micallef.
No sábado, em declarações ao jornal britânico The Guardian, o representante da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) em Itália, Lauren Jolls,culpou a "retórica extremista e irresponsável" contra a imigração na Europa pelas falhas nas operações de resgate no Mediterrâneo.
"Neste momento, em muitos países europeus, o diálogo político e a retórica são bastante extremistas e muito irresponsáveis", disse Jolls, apontando o dedo à proximidade das eleições.
"É o medo dos estrangeiros, que é um medo natural, mas que está a ser explorado para fins populistas ou políticos, especialmente em períodos eleitorais", disse o responsável.
Na semana passada, um outro barco com migrantes naufragou ao largo das costas líbias – 150 pessoas foram resgatadas, mas cerca de 400 terão morrido.
Em 2014, o Mediterrâneo tornou-se "a rota mais mortífera do mundo", com pelo menos 3419 mortes de migrantes que tentavam chegar à Europa, um número recorde, anunciou a Agência da ONU para os Refugiados em Dezembro do ano passado.
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