quinta-feira, 19 de março de 2015

POEMA





POEMA:




NÃO ME LEMBREI DE TE ESQUECER…





Não…não me lembrei de te esquecer…
É até normal…ninguém é perfeito, afinal!
E isto…
---------porque o fundo secreto dos teus olhos se transformou
---------num portal para a eternidade, onde me perdi numa procura
--------que deu tempo ao Tempo, para esfarelar cadernos envelhecidos
---------onde te escrevi, num anormal silêncio das eras que foram andando…




( Há quanto tempo não ouves o canto das aves que, de madrugada,
voam pelo céu das memórias, onde impera a música das asas
a baterem na glória-de-eu-te-recordar?)




E, não! Não me lembro de te ter esquecido…




______Alquebrada, peregrina cansada de olhar para as galáxias,
______persigo o sonho axiomático de um delírio do programa
______dos oceanos, revoltados em marés de falácias.




Culpa minha…pois não me lembrei de te esquecer.




Como nuvem passageira, evaporei-me-de-ti sobre o restolhar
das folhas da tarde , que soprou vapores-de-Viver.




_____Sinto-me uma tarde do crepúsculo azul das águas do mar-a-latejar
_____cores de um horizonte, que sonhei, avermelhado de rubor…




É assim, que recordo o não poder esquecer…
…assim…com um odor de cristal-jasmim-rosa
na ansiedade voluptuosa de te ver aparecer,
neste deserto-de-sempre-te-lembrar.




*O vento soprou, para bem longe, o sabor do teu-brilho-de-ser,
numa migração difícil de acompanhar.

E são duras, como pedras, as palavras que não disseste…
…que se foram com a Saudade, num total e perfeito à-vontade…
…mas que persistem em prender-se à imaginação num percurso do silêncio
Interior em que me esqueci de VIVER, porque…
______foram noites de amor em lençóis de seda amarrotados…
______ foram tardes de luz a ver deflagrar os sentidos…
______foram outonos sôfregos, no cimo das falésias,
a apanhar borboletas enfeitiçadas…
______foram milésimos de segundos a contarem os minutos do Tempo,
esperando a chegada da noite impetuosa…




Não! Não me lembro de te ter esquecido!
E, não! Não me quero esquecer de que te lembro…







Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
ABRIL/014 —


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