terça-feira, 21 de julho de 2015

In "DN"


Lula e a ode a Brecht


por FERREIRA FERNANDESHoje




Os juízes brasileiros estão de olho em Lula pela sua ligação a empresas. No ano passado, numa entrevista à RTP, Lula puxou pelo investimento brasileiro em Portugal e num encontro com Passos Coelho falou-lhe da construtora brasileira Odebrecht. Fez, afinal, o que os nossos presidentes se orgulham (lembro-me duma viagem presidencial em que uma portuguesa levava amostras de chouriços na mala), Angela Merkel fez pela Autoeuropa e Sarkozy fez pelos Mirages... Os brasileiros, bons de palavras, chamariam a isso fazer de mascate e nós, que gostamos de palavras engravatadas, dizemos diplomacia económica. Ontem, o jornal O Globo acusou: Lula fez isso "já fora do cargo". Ah, acabado o mandato já não se pode ser patriota? Por seu lado, Lula negou lobby e garantiu só receber por palestras. Eis-nos mergulhados em palavras. Os juízes sugerem ilegalidades mas estão longe de as provar. E Lula (palestras, o tanas!) devia assumir-se mascate e pagar os impostos por isso. Só lhe ficaria bem e era útil ao seu país. Os países subdesenvolvidos em lobby, como Portugal e Brasil, deviam legislá-lo como prática limpa. Tirávamos o tapete a uma luta larvar entre dois poderes - políticos e juízes - que entre outros males impedem-nos isto: vigiar os lóbis maus. E sem ser pago pela Odebrecht, permitam--me uma ode a Brecht, citando-o: "Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem." Mas a luta larvar continua.

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