sábado, 11 de abril de 2015

Editorial do "Àvante" ,onde se fala da verdade dos factos, em Portugal!



«Um Partido que, falando verdade ao povo, já mostrou ser de confiança»


PARTIDO DE CONFIANÇA



Os indicadores económicos e sociais continuam a desmentir a propaganda do Governo. Os resultados do inquérito do INE às condições de vida e rendimento dos portugueses não deixam margem para dúvidas sobre a trágica situação a que chegámos: nos últimos quatro anos, 808 mil portugueses foram arrastados para a pobreza, que atinge hoje um total de 2,7 milhões (25,9 por cento). A evolução do PIB, no último trimestre de 2014, mostra um crescimento económico anémico ou de estagnação.


No final do 3.º trimestre de 2014, a dívida pública, que equivalia a 131,4 por cento do PIB, excedia em muito qualquer limiar de sustentabilidade. Os juros e outros encargos desta dívida ultrapassarão em 2015 os 8000 milhões de euros, o que restringe brutalmente a capacidade de investimento do País e a capacidade do Estado em cumprir as funções e competências constitucionalmente atribuídas.


O desemprego alastra como mancha de óleo, à medida que novas empresas são privatizadas (entre as quais empresas de sectores estratégicos como a PT e a TAP) ou encerradas e avançam os processos de despedimento, ditos de «requalificação», na Administração Pública.


As micro, pequenas e médias empresas vivem momentos de grande aflição, sufocadas pelo peso duma enorme e injusta carga fiscal ou dos custos insustentáveis dos factores de produção. A agricultura definha, exposta a uma política de deliberada desprotecção (fim das quotas leiteiras, extinção da Casa do Douro, criação de condições para o roubo dos baldios, exposição da produção nacional à concorrência dos produtos estrangeiros).


Sujeitos aos sucessivos cortes e desvalorizações dos seus salários, os trabalhadores do sector privado e os do sector público perderam, entre 2011 e 2014, respectivamente, 12 e 22 por cento do seu poder de compra.


As funções sociais do Estado, nas áreas da Saúde, Educação e Justiça mergulharam numa situação que oscila entre a crescente inacessibilidade e o caos.


Perante esta situação de catástrofe, e enquanto o Governo, a pensar nas eleições, insiste na sua propaganda enganosa da recuperação económica e do crescente bem-estar social, o PS, sem real alternativa, ora se vai distanciando do PASOK, na Grécia, clamorosamente derrotado nas últimas eleições, ora procura simular diferenças de fundo com a política do Governo, em Portugal. Não consegue, no entanto, iludir o facto de, em questões tão determinantes como a dívida, o euro, a soberania, o Tratado Orçamental, a política de privatizações, o favorecimento do grande capital no processo de integração europeia, a centralização administrativa, entre tantos outros aspectos, manter uma indisfarçável identidade com os eixos estruturantes da política de direita.




No combate a esta política, por uma real alternativa, está o PCP, que realizou na última semana um diversificado conjunto de iniciativas: as Jornadas temáticas sobre «Investigação, Inovação e criação de empregos na Economia do Mar» levadas a cabo pelos deputados do PCP no Parlamento Europeu, nos dias 30 e 31 de Janeiro, que traduzem a sua firme posição de combate em defesa e pelo desenvolvimento dos sectores ligados a actividades económicas associadas ao mar; as Jornadas Parlamentares que os deputados do PCP na Assembleia da República realizaram, dias 2 e 3, no distrito de Aveiro, onde, a par do contacto com a realidade sócio-económica daquele distrito, o PCP apontou soluções para os problemas e anunciou a apresentação na AR de um conjunto de projectos e propostas para o desenvolvimento da Região e do País; a realização em Coimbra, na passada sexta-feira, de um jantar com muitas centenas de participantes; os contactos realizados com membros do Partido; os compromissos assumidos para a Campanha Nacional de Fundos; as visitas, com a participação do Secretário-geral, a importantes estruturas de apoio social; a audição pública sobre a situação no Serviço Nacional de Saúde. De grande significado se revestiu também a participação e intervenção do Secretário-geral do PCP, camarada Jerónimo de Sousa, a convite da embaixadora da África do Sul, na celebração em homenagem aos Activistas Anti-Apartheid realizada naquela embaixada, há uma semana.




No plano da luta de massas, realizaram-se importantes acções, como foi a semana de luta do STAL, a manifestação nacional da Função Pública e a greve dos trabalhadores dos granitos de Alpalhão. Mantém-se a greve dos docentes à realização da PACC. De 6 a 18 de Fevereiro, vai realizar-se a greve de 2 horas por turno dos trabalhadores da Efacec; a 12, a dos trabalhadores dos TST; a 20, a dos trabalhadores não docentes das escolas e, a 13 de Março, a greve nacional dos trabalhadores da Administração Pública. Significativa foi também a reunião do Conselho Nacional da CGTP-IN que decidiu convocar uma Jornada Nacional de Luta para o dia 7 de Março, com manifestações e concentrações nos distritos do Continente e nas Regiões Autónomas.




A luta dos trabalhadores e dos povos, por essa Europa fora, faz soprar ventos de mudança. O grande capital, temendo a inevitável derrota, agita o velho espantalho do medo e da chantagem. Os três partidos do arco da política de direita em Portugal reagem, nervosos, procurando afivelar as máscaras que melhor sirvam à continuação desta política de exploração e empobrecimento.


Incomoda-os, sobretudo, que os trabalhadores e o povo, na sua luta pelo futuro, possam contar sempre com o PCP. Um Partido de luta e de protesto, mas também de propostas e soluções. Um Partido de real alternativa que, falando verdade ao povo, já mostrou ser de confiança.

Sem comentários:

Enviar um comentário