Governo prepara com "saber e mestria" aumento "muito significativo" de impostos
20.11.2014 - 16:05
O Bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas acusou esta quinta-feira o Governo de preparar com "saber e mestria" um aumento "muito significativo" dos impostos para 2015, tentando subestimar o valor das receitas em ano de eleições.
STEVEN GOVERNO / GLOBAL IMAGENS
O bastonário reconheceu que haver "algum" desagravamento fiscal do IRS em 2015, mas defendeu que esta baixa não tem uma lógica orientadora
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"Isto é intencional, está feito com uma mestria de tal ordem que dificulta a leitura" das alterações fiscais previstas para o próximo ano, disse Domingues Azevedo em entrevista à Lusa.
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O bastonário defendeu que, para se ter "uma ideia" da realidade fiscal, é preciso analisar em conjunto as três propostas do executivo - o Orçamento do Estado para 2015, a Fiscalidade Verde e as alterações ao IRS -- e que só quem conhece bem a temática fiscal, tem tempo e conhecimentos técnicos é que se apercebe do aumento real da carga fiscal.
"Estou convencido de que 2015 será um ano de agravamento muito significativo da tributação para os contribuintes portugueses", afirmou, criticando a estratégia de discussão destes documentos que "pulveriza as alterações" fiscais.
Não existe lógica, segundo o bastonário, em alterar o código da contribuição autárquica ou do IVA através do projeto dos impostos verdes, o que na sua opinião revela a existência de "uma estratégia de pulverizar as alterações para sonegar" a possibilidade de ter uma ideia exata das receitas que vão ser arrecadadas no próximo ano.
"Na minha ótica, vão ser muito superiores ao que o Governo prevê nesses documentos", disse, acrescentando que "num ano de eleições isso seria uma maravilha", pois uma maior captação de receitas em ano eleitoral permite ao executivo melhorar a gestão da captação dos votos, nomeadamente realizando obra que agrade ao eleitorado.
Essa é a razão, segundo o bastonário, para "não haver muito interesse" do Governo em promover uma leitura integrada dos três documentos que no próximo ano vão alterar a realidade fiscal dos portugueses.
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