Poema:
FOSTE-TU-EM-MIM...
*sentem-se sós. As minhas longas noites,
como se carregassem nos ombros
o peso de um mundo, onde não sabemos amar
*confio. No nascer de um novo dia
em que o sol tenha o poder de espalhar
seus raios cintilantes, pelos ombros da noite fria
*sorriem. Teus olhos perdidos no lago do mar inerte,
no intervalo que vai do dia para a noite
*…e logo se abrem os meus, tais rosas primaveris
a espalharem odores subtis, como o afago das borboletas
a beberem sucos das violetas
*é de todos o mais belo. O nosso amor sem diamantes,
simples , grande, natural como o brilho das estrelas,
sem reinos, sem castelos, sem feudos desgastantes,
sem outros presentes mais sensíveis, que o calor dos abraços
com que me tapas os ombros
*foste tu. Quem me levou a fazer odes à vida,
à cor do sangue vermelho que me corre pelas veias,
num olhar que suplanta o brilho da lua
**foste-tu-no-eu- que- te espera na imensidão do mar-a-amar,
quem me levou a guardar segredos nas pétalas rubras das rosas,
desfolhadas por um vento atento aos anjos
que descem à terra, para te poderem celebrar.
*escrever-te-ei na nudez da Noite, com um traço mais preciso... se eu quiser um poema
onde a minha pele arda, rasgada pelo veneno que exala do teu sorriso…
Maria Elisa Ribeiro
NOV/014
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