quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Sobre o poeta/filósofo ANTERO de QUENTAL (1842-1891



Sobre as ideias de Antero de Quental (1842-1891), in www.ufsj.edu.br

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Antero diz que com a democracia histórica ou instintiva, com o comunismo e do pior
comunismo, o comunismo autoritário, o ideal e objetivo final é a guerra de classes, a luta sangrenta e
onipresente, e ainda no "opúsculo" "Duas democracias", chama a atenção para o, modo
disfarçante e até de embuste mais ou menos ilusório em que a democracia instintiva pode
aparecer e enganar, assim o povo. Esta democracia apoiava-se na conspiração e na revolta, mira a
ditadura e a concentração dos poderes, muito embora possa parecer que não, aos olhos dum povo,
que, levado pelos ideais aparentemente democráticos dos revolucionários, pareçam afirmar os
interesses e liberdades individual mas mais não querem que servirem-se dela para os amordaçar e
aniquilar. Esta democracia tal como no-la apresenta é uma espécie da "Astúcia da razão",
hegeliana, que se serve das pessoas para as levar onde ela quer ir, Antero de Quental identifica a
democracia histórica, como a culpada de todas as misérias sociais. Diz mesmo que, "Todas as
questões sociais, as mais graves, as mais complexas, resolve-as sumariamente com a confiscação, as
distribuições de terra, as leis do maximum, e as regulamentações, isto é a tirania da economia: E o
regime da miséria pública como instituição” (RODRIGUES, 1990, p. 58). Daqui Antero demarca-se
claramente das teorias marxistas, da luta de classes, da revolução proletária, do materialismo
histórica e dialéctico, e dos campos de concentração estalinista, aproximando-se muito mais das
ideias do reformismo social, federalista e associacionista de Proudhon.
Antero opõe e afirma, por isso, o valor positivo e superior da máxima elevação
humanista e espiritual da democracia socialista ou filosófica. Esta, diz Antero, afirma a
liberdade, o respeito pelas liberdades individuais. Esta é individualista, porque defende os direitos
individuais. Ainda relativamente ao Estado, segundo Antero, aquele tem que acabar à maneira das
teorias marxistas, mas o Estado é visto como uma associação livre, onde reside o direito negando, por
isso, o autoritarismo. A democracia filosófica afirma e pressupõe cidadãos livres, independentes,
Revista Estudos Filosóficos nº 12/2014 – versão eletrônica – ISSN 2177-2967
http://www.ufsj.edu.br/revistaestudosfilosoficos
DFIME – UFSJ - São João del-Rei-MG
Pág. 58 - 69

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