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A cartilha neoliberal, segundo a qual o Estado não deve interferir na economia, e as empresas não devem ter apoio do Estado, tem escondida uma excepção: a banca
Neste início de Agosto, o mês preferido da maioria dos portugueses para gozar férias, quer tomem o mar ou o campo como destino, quer fiquem aprisionados em casa, porque o dinheiro mal dá para comer, dava-me mais prazer escrever sobre literatura, sobre os livros que li este ano, e sugerir algumas leituras para estes dias tépidos e molengões. Mas a imoralidade do tempo que passa não permite tais derivas.
O colapso do Grupo Espírito Santo, onde se inclui o Banco (apesar do discurso dominante, mesmo perante o descalabro dos prejuízos anunciados, ainda querer separar um do outro), é uma montra onde se expõe a mais pérfida imoralidade do sistema em que vivemos. O escol neoliberal, onde pontifica Carlos Moedas, um dos mais apaixonados amantes das medidas ditadas pela troika, recentemente agraciado com a comenda de comissário europeu, pelos serviços prestados, "explica-nos", todos os dias, que o Estado não deve dispensar tantos recursos com a educação, a saúde, o rendimento mínimo ou o subsídio de desemprego. Pobre é pobre, não precisa de protecção. Também o senhor primeiro-ministro, quando o Tribunal Constitucional recusa propostas governamentais de diminuição de salários ou de pensões de reforma, vocifera contra os juízes e a Constituição, como empecilhos à política de empobrecimento dos portugueses. Os exemplos desta "doutrina" são destilados todos os dias: O Estado não tem dinheiro para alimentar, com subsídios, desempregados que não querem trabalhar, como disse o ex-banqueiro Ricardo Salgado; ou os portugueses aguentam muito mais pobreza, como disse o banqueiro Fernando Ulrich.
No entanto, o "Estado mínimo" que este escol neoliberal nos propõe, o Estado que não que aturar gente pobre, nem "tem vocação para economia" está sempre disponível para salvar a banca privada. O banco do senhor Ulrich precisou de dinheiro emprestado para "equilibrar as contas"? O Estado emprestou. O BANIF precisou de dinheiro para não ir à falência? O Estado emprestou. O Banco Espírito Santo vai precisar de 4 mil milhões de euros para não desaparecer? O Estado vai encontrar uma solução. Ainda os portugueses não acabaram de pagar as dívidas da máfia do BPN e já os ameaçam com os encargos da "salvação" do BES.
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