
Poema
LAMAS do TEMPO
surge o céu nocturno
por entre o verde-escuro do corpo das árvores
sem que eu possa ouvir a voz do meu poema.
os lamentos do vento agitado não o reconhecem,
naquela ânsia de Sempre
de se espalhar
pelas lamas do Tempo-que-vai-a-passar.
as palavras em suas formas e cores são
sons de música articulada com a voz dos vendavais
a pedir que fale às estrelas
acantonadas no azul do firmamento,
que se derrama pelo Universo extenso.
cresce-Me um poema como sinfonia que parte
de um Nada que lhe deu forma…
soa-Me como uma luta contra o bramir do oceano
que se levanta, em ondas, ao Longe,
a querer amedrontar o que Me sinto nascer no seio
de um verso, de outro verso…enfim…de todo o poema!
surge o céu nocturno,
dentro do que Me sou…
escrevo a vida adormecida, as flores-a-repousar,
os orvalhos desvanecidos-
- em-gota,
sobre as corolas,
que vão reabrir.
Húmidas, como lábios entreabertos,
minhas palavras ressurgem e vivem,
no beijo que nos mantém despertos…
Maria Elisa Ribeiro-Portugal
Junho/016
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