Língua portuguesa
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Português
Falado em: Ver geografia da língua portuguesa
Total de falantes: Nativa: 250 milhões
Total: 273 milhões
Posição: 5.ª como língua nativa[1] [2]
6.ª como língua nativa e segunda língua
Família: Indo-europeia
Itálica
Românica
Ítalo-ocidental
Românica ocidental
Galo-ibérica
Ibero-românica
Ibero-ocidental
Galaico-portuguesa
Português
Escrita: Alfabeto latino
Estatuto oficial
Língua oficial de:
9 países[Expandir]
1 entidade dependente[Expandir]
Várias organizações internacionais
Regulado por: Instituto Internacional da Língua Portuguesa;CPLP; Academia Brasileira de Letras (Brasil);Academia das Ciências de Lisboa, Classe de Letras (Portugal)
Códigos de língua
ISO 639-1: pt
ISO 639-2: por
ISO 639-3: por
Língua materna
Língua oficial e administrativa
Língua cultural ou de importância secundária
Comunidades de minorias lusófonas
Crioulo de base portuguesa
A língua portuguesa, também designada português, é uma língua românica flexiva originada no galego-português falado no Reino da Galiza e no norte de Portugal. Com a criação do Reino de Portugal em 1139 e a expansão para o sul como parte da Reconquista deu-se a difusão da língua pelas terras conquistadas e mais tarde, com as descobertas portuguesas, para o Brasil, África e outras partes do mundo.[3] O português foi usado, naquela época, não somente nas cidades conquistadas pelos portugueses, mas também por muitos governantes locais nos seus contatos com outros estrangeiros poderosos. Especialmente nessa altura a língua portuguesa também influenciou várias línguas.[4]
É uma das línguas oficiais da União Europeia, do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas, da Organização dos Estados Americanos, da União Africana e dos Países Lusófonos. Com aproximadamente 280 milhões de falantes, o português é a 5ª língua mais falada no mundo, a 3ª mais falada nohemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul da Terra.[5]
Durante a Era dos Descobrimentos, marinheiros portugueses levaram o seu idioma para lugares distantes. A exploração foi seguida por tentativas de colonizar novas terras para o Império Português e, como resultado, o português dispersou-se pelo mundo. Brasil e Portugal são os dois únicos países cuja língua primária é o português. Entretanto, o idioma é também largamente utilizado como língua franca nas antigas colônias portuguesas de Moçambique,Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial,[6] [7] [8] Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, todas na África.[9] Além disso, por razões históricas, falantes do português são encontrados também em Macau, no Timor-Leste e em Goa.[10]
O português é conhecido como "a língua de Camões" (em homenagem a uma das mais conhecidas figuras literárias de Portugal, Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas) e "a última flor do Lácio" (expressão usada no soneto Língua Portuguesa, do escritor brasileiro Olavo Bilac[11] ). Miguel de Cervantes, o célebre autor espanhol, considerava o idioma "doce e agradável".[12] Em março de 2006, o Museu da Língua Portuguesa, um museu interativo sobre o idioma, foi fundado em São Paulo, Brasil, a cidade com o maior número de falantes do português em todo o mundo.[13]
Índice [esconder]
1História
2Distribuição geográfica
2.1Idioma oficial
2.2Língua estrangeira e o futuro
3Visibilidade política
4Dialetos
5Léxico
6Classificação e línguas relacionadas
7Ortografia
7.1Reformas ortográficas
8Gramática
9Fonologia
9.1Vogais
9.2Consoantes
9.3Exemplo de pronúncias diferentes
10Ver também
11Referências
12Bibliografia
12.1Apoio à aprendizagem do português - Instituto Camões
12.2Dicionários em linha
12.3Dicionários
12.4Ferramentas de apoio à escrita em português
12.5Períodos históricos da língua portuguesa
13Ligações externas
História[editar | editar código-fonte]
Mapa cronológico mostrando o desenvolvimento das línguas do sudoeste da Europa entre as quais o português.
Poesia medieval
portuguesa
Das que vejo
nom desejo
outra senhor se vós nom,
e desejo
tam sobejo,
mataria um leon,
senhor do meu coraçom:
fim roseta,
bela sobre toda fror,
fim roseta,
nom me meta
em tal coita voss'amor!
João de Lobeira
(c. 1270–1330)
O português teve origem no que é hoje a Galiza e o norte de Portugal, derivada do latim vulgar que foi introduzido no oeste da península Ibérica há cerca de dois mil anos. Tem um substrato céltico-lusitano,[14] resultante da língua nativa dos povos ibéricos pré-romanos que habitavam a parte ocidental da península (Galaicos, Lusitanos, Célticos e Cónios). Surgiu no noroeste da península Ibérica e desenvolveu-se na sua faixa ocidental, incluindo parte da antiga Lusitânia e da Bética romana. O romance galaico-português nasce do latim falado, trazido pelos soldados romanos, colonos e magistrados. O contacto com o latim vulgar fez com que, após um período de bilinguismo, as línguas locais desaparecessem, levando ao aparecimento de novos dialectos. Assume-se que a língua iniciou o seu processo de diferenciação das outras línguas ibéricas através do contacto das diferentes línguas nativas locais com o latim vulgar, o que levou ao possível desenvolvimento de diversos traços individuais ainda no período romano.[15] [16] [17] A língua iniciou a segunda fase do seu processo de diferenciação das outras línguas românicas depois da queda do Império Romano, durante a época das invasões bárbaras no século V quando surgiram as primeiras alterações fonéticas documentadas que se reflectiram no léxico. Começou a ser usada em documentos escritos pelo século IX, e no século XV tornara-se numa língua amadurecida, com uma literatura bastante rica.
Chegando à Península Ibérica em 218 a.C., os romanos trouxeram com eles o latim vulgar, de que todas as línguas românicas (também conhecidas como "línguas novilatinas" ou "neolatinas") descendem. Só no fim do século I a.C. os povos que viviam a sul da Lusitânia pré-romana, os cónios e os celtas, começam o seu processo de romanização. As línguas paleo-ibéricas, como a Língua lusitana ou a sul-lusitana são substituídas pelo latim.[18] A língua difundiu-se com a chegada dos soldados, colonos e mercadores, vindos das várias províncias e colónias romanas, que construíram cidades romanas normalmente perto de cidades nativas.
A partir de 409 d.C.,[19] enquanto o Império Romano entrava em colapso, a península Ibérica era invadida por povos de origem germânica e iraniana ou eslava[20] (suevos,vândalos, búrios, alanos, visigodos), conhecidos pelos romanos como bárbaros que receberam terras como federados. Os bárbaros (principalmente os suevos e os visigodos) absorveram em grande escala a cultura e a língua da península; contudo, desde que as escolas e a administração romana fecharam, a Europa entrou na Idade Média e as comunidades ficaram isoladas, o latim popular continuou a evoluir de forma diferenciada levando à formação de um proto-ibero-romance "lusitano" (ou proto-galego-português). Desde 711, com a invasão islâmica da península, que também introduziu um pequeno contingente de saqalibas, o árabe tornou-se a língua de administração das áreas conquistadas. Contudo, a população continuou a usar as suas falas românicas, o moçárabe nas áreas sob o domínio mouro, de tal forma que, quando os mouros foram expulsos, a influência que exerceram na língua foi relativamente pequena. O seu efeito principal foi no léxico, com a introdução de cerca de mil palavras através do moçárabe-lusitano.
Interior do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, Brasil.
Em 1297, com a conclusão da reconquista, o rei D. Dinis I prossegue políticas em matéria de legislação e centralização do poder, adoptando o português como língua oficialem Portugal. O idioma se espalhou pelo mundo nos séculos XV e XVI quando Portugal estabeleceu um império colonial e comercial (1415-1999) que se estendeu do Brasil, na América, a Goa, na Ásia (Índia, Macau na China e Timor-Leste). Foi utilizada como língua franca exclusiva na ilha do Sri Lanka por quase 350 anos. Durante esse tempo, muitas línguas crioulas baseadas no português também apareceram em todo o mundo, especialmente na África, na Ásia e no Caribe.
Em março de 1994 foi fundado o Bosque de Portugal, na cidade sul-brasileira de Curitiba; o parque abriga o Memorial da Língua Portuguesa, que homenageia os imigrantes portugueses e os países que adotam a língua portuguesa; originalmente eram sete as nações que estavam representadas em pilares, mas com a independência de Timor-Leste, este também foi homenageado com um pilar construído em 2007.[21] Em março de 2006, fundou-se em São Paulo o Museu da Língua Portuguesa.
O Dia da Língua Portuguesa e da Cultura é comemorado em 5 de Maio, sendo promovido pela CPLP e celebrado em todo o espaço lusófono.[22]
Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]
Ver também: Lista de organizações internacionais que têm o português como língua oficial
Países onde o português é o idioma oficial.
O português é a língua da maioria da população de Portugal,[23] Brasil,[24] São Tomé e Príncipe (95%)[25] e Angola.[26] Apesar de apenas 10,7% da população de Moçambique ser de falantes nativos do português, o idioma é falado por cerca de 50,4% dos moçambicanos, de acordo com o censo de 2007.[27] A língua também é falada por 11,5% da população da Guiné-Bissau.[28] Não existem dados disponíveis relativos a Cabo Verde, mas quase toda a população é bilíngue, sendo os cabo-verdianos monolíngues falantes do crioulo cabo-verdiano.
Há também significativas comunidades de imigrantes falantes do português em muitos países como Andorra (15,4%),[29] Austrália,[30] Bermudas,[31]Canadá (0,72% ou 219.275 pessoas segundo o censo de 2006,[32] mas entre 400.000 e 500.000 de acordo com Nancy Gomes),[33] Curaçao, França,[34]Japão,[35] Jersey,[36] Luxemburgo (9%),[23] Namíbia (4-5%),[37] [38] Paraguai (10,7% ou 636.000 pessoas),[39] África do Sul,[40] Suíça (196 mil cidadãos em 2008),[41] Venezuela (1 a 2% ou 254.000 a 480.000 pessoas)[42] e nos Estados Unidos (0,24% da população ou 687.126 falantes de acordo com oAmerican Community Survey de 2007),[43] principalmente em Nova Jersey,[44] Nova York[45] e Rhode Island.[46]
Em algumas partes do que era a Índia Portuguesa, como Goa[47] e Damão e Diu,[48] o português ainda é falado, embora esteja em vias de desaparecimento.
Idioma oficial[editar | editar código-fonte]
Ver também: Lista de países onde o português é língua oficial
Países-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)
Países observadores ou associados
Países oficialmente interessados na CPLP
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (sigla CPLP) consiste em nove países independentes que têm o português como língua oficial: Angola,Brasil, Cabo Verde, Timor-Leste, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.[9]
A Guiné Equatorial fez um pedido formal de adesão plena à CPLP em junho de 2010 e deve adicionar o português como terceira língua oficial (ao lado doespanhol e do francês), já que esta é uma das condições para entrar no grupo. O Presidente da República da Guiné Equatorial, Obiang Nguema Mbasog, e o Primeiro-Ministro Chefe de Estado, Ignacio Milam Tang, aprovaram e apresentaram no dia 20 de julho de 2011 o novo Projeto-Lei Constitucional que pretende adicionar o português como língua oficial. O decreto aguarda ratificação pela Câmara de Representantes do Povo e entrará em vigor 20 dias após a sua publicação no Boletim Oficial do estado (equivalente ao português Diário da República).[49] [50] [51]
O português é também uma das línguas oficiais da região administrativa especial chinesa de Macau (ao lado do chinês) e de várias organizações internacionais como o Mercosul,[52] a Organização dos Estados Ibero-Americanos,[53] a União de Nações Sul-Americanas,[54] a Organização dos Estados Americanos,[55] a União Africana[56] e da União Europeia.[57]
Mapa dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP)
Poderá acrescentar-se a esse número a imensa diáspora de cidadãos de nações lusófonas espalhada pelo mundo, estimando-se que ascenda aos 10 milhões (4,5 milhões de portugueses, 3 milhões de brasileiros, meio milhão de cabo-verdianos, etc.) mas sobre a qual é difícil obter números reais oficiais, incluindo-se nisso a obtenção de dados porcentuais dessa diáspora que fala efetivamente a língua de Camões, uma vez que uma porção significativa será de cidadãos de países lusófonos nascidos fora de território lusófono descendentes de imigrantes, os quais não necessariamente falam o português. É necessário ter-se igualmente em conta que boa parte das diásporas nacionais já se encontra contabilizada nas populações dos países lusófonos, como por exemplo o grande número de cidadãos emigrantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOPs) e brasileiros em Portugal, ou o grande número de cidadãos emigrantes portugueses no Brasil e nos PALOPs.[58]
A língua portuguesa está no cotidiano de 241 milhões de pessoas, que têm contato direto ou indireto legal, jurídico e socialmente com a língua portuguesa, podendo tal contato consistir do idioma no dia-a-dia, passando pela educação, pelo contato com a administração local ou internacional, pelo comércio e/ou serviços, ou até mesmo consistir do simples vislumbre de sinalética, informação municipal e publicidade em português.[carece de fontes]
Cabe notar ainda o importante aumento e a consolidação da população das várias jurisdições para números arredondados facilmente identificáveis: Portugal passa dos 10,5 milhões; o Brasil passa dos 206 milhões, Moçambique dos 28,7 milhões, Angola dos 25,7 milhões, Guiné-Bissau 1,5 milhão, Guiné Equatorial 1,2 milhão, o grupo insular africano Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, que têm 1 milhão, Timor-Leste, que também tem praticamente a mesma população, e Macau com mais de 600 mil. Números recentes e reais que, individualmente e em conjunto, fortalecem as suas nações, as identidades lusófonas e a língua portuguesa no panorama internacional.
Segundo dados estatísticos oficiais e fiáveis dos respectivos governos e seus institutos nacionais de estatística, a população de cada uma das dez jurisdições é a seguinte (por ordem decrescente):
Brasil (81%)
Portugal (4%)
Angola (4%)
Moçambique (3%)
Outro (8%)
PaísPopulação (est. 2014)[59]IDH (2014)[60]
Total 267.396.837 S/D
Língua estrangeira e o futuro[editar | editar código-fonte]
Placa bilíngue em Macau, China.
O ensino obrigatório do português nos currículos escolares é observado no Uruguai[61] e na Argentina.[62] Outros países onde o português é ensinado em escolas, ou onde seu ensino está sendo introduzido agora, incluem Venezuela,[63] Zâmbia,[64] República do Congo,[65] Senegal,[65] Namíbia,[65] Suazilândia,[65] Costa do Marfim[65] e África do Sul.[65]
No estado de Goa na Índia, atualmente o português é aprendido, no ensino oficial e particular. A Universidade de Goa tem um mestrado em Estudos Portugueses desde 1988.
Segundo estimativas da UNESCO, o português é um dos idiomas que mais crescem entre as línguas europeias após o inglês e o espanhol. O português é o idioma que tem o maior potencial de crescimento como língua internacional na África Austral e na América do Sul.[66] Espera-se que os países africanos falantes da língua portuguesa tenham uma população combinada de 83 milhões de pessoas até 2050. No total, os países de língua portuguesa terão por volta de 400 milhões de pessoas no mesmo ano.[66]
Desde 1991, quando o Brasil assinou no mercado econômico do Mercosul com outros países sul-americanos, como Argentina, Uruguai e Paraguai, tem havido um aumento no interesse pelo estudo do português nas nações da América do Sul. O peso demográfico do Brasil no continente continuará a reforçar a presença do idioma na região.[67] [68]
Embora no início do século XXI, depois de Macau ter sido cedida à China, o uso de português estivesse em declínio na Ásia, está novamente se tornando uma língua relativamente popular por lá, principalmente por causa do aumento dos laços diplomáticos e financeiros chineses com os países de língua portuguesa.[69]
Visibilidade política[editar | editar código-fonte]
IV Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa emBrasília.
Existe um número crescente de pessoas que falam português, nos média e na Internet, que estão apresentando tal situação à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa(CPLP) e outras organizações para a realização de um debate na comunidade lusófona, com o objetivo de apresentar uma petição para tornar o português uma das línguas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em outubro de 2005, durante a convenção internacional do Elos Clube Internacional da Comunidade Lusíada, realizada em Tavira (Portugal), uma petição cujo texto pode ser encontrado na Internet com o título "Petição para tornar o idioma português oficial na ONU" foi redigida e aprovada por unanimidade.[70] Rômulo Alexandre Soares, presidente da Câmara Brasil - Portugal, destaca que o posicionamento do Brasil no cenário internacional como uma das potências emergentes do século XXI, pelo tamanho de sua população, e a presença da sua variante do português em todo o mundo, fornece uma justificação legítima para a petição enviada à ONU, e assim tornar o português uma das línguas oficiais da organização.[71] Esta é actualmente uma das causas do Movimento Internacional Lusófono.[72]
Em África, o português é língua oficial em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola.[73] Finalmente, na Ásia, encontra-se Timor-Leste uma nação lusófona.[9]
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