segunda-feira, 23 de maio de 2016

Artigo completo em www.publico.pt-----------Da EUROPA NÃO CESSAM COM OS "AVISOS" A PORTUGAL....QUEREM MAIS "MAMA"...


ENTREVISTA
“É absolutamente vital que se evolua em direcção a bancos pan-europeus”


SÉRGIO ANÍBAL

23/05/2016 - 07:22


Peter Praet, membro do conselho executivo do BCE, avisa Portugal da situação frágil em que se encontra nos mercados e critica recuos nas reformas estruturais.Peter Praet apela ao Governo para que não recue em reformas estruturais RUI GAUDÊNCIO




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“Já mostrámos no passado que podemos ser muito criativos”


É um dos seis membros do conselho executivo do Banco Central Europeu e lidera o departamento que prepara as recomendações para as decisões de política monetária. De visita a Lisboa para participar numa conferência falou com o PÚBLICO sobre a situação portuguesa. Não quis fazer comentários sobre casos específicos de bancos por não ser a sua área, mas defendeu que “o que interessa nos bancos é que sejam bem geridos, não que sejam detidos por nacionais”. Em relação à economia e ao orçamento, avisou que “a disciplina do mercado ainda está presente” e disse acreditar que o Governo português “está bem ciente da fragilidade da situação”.

Como é que o BCE está a gerir o facto de a sua política afectar de forma diferente os países que poupam mais e os países que estão mais endividados, como Portugal?
Realmente, temos países que tiveram um ciclo financeiro muito pronunciado, como Espanha ou Portugal e depois uma grande correcção. E temos países como a Alemanha, sem um ciclo financeiro e com excesso de poupanças. É uma situação em que alguns países da união são credores e outros devedores. Mas é também importante dizer-se que em todo o ajustamento que foi feito, olhando para a união como um todo, se registou uma compressão da procura, por que tal aconteceu de forma muito acentuada nos países em crise, mas não houve uma compensação por parte dos países excedentários ao nível da procura interna. Na Alemanha, por exemplo, o PIB esteve muito bem durante a crise, mas a procura interna foi relativamente fraca. Feitas as contas, o excedente da balança de transacções correntes que vamos ter na união económica e monetária será de 4% do PIB, o que é enorme, com a Alemanha quase com 9%. Há um excesso de poupanças na zona euro. Antes da crise, tínhamos uma balança situada entre -1% e 1% do PIB. O desequilíbrio que agora temos é difícil de resolver.

Mas são os países com excedentes que se estão a queixar que são os mais afectados pelas taxas negativas. Isso condiciona as decisões do BCE?
O conselho de governadores não altera de nenhuma forma a sua capacidade para decidir por causa de debates políticos. Fazemos o que temos a fazer como bons banqueiros centrais. E somos unânimes a defender esta ideia, mesmo que não sejamos totalmente unânimes em relação às medidas que tomamos. O facto dominante é que somos unânimes na nossa intenção de atingir o nosso objectivo para a inflação e apoiar a economia.

Para os países com défices, como Portugal e outros, o BCE apresentou muitas vezes críticas e recomendações. Não concorda que o BCE tem sido menos veemente nas críticas e recomendações de política que faz aos países que têm excedentes?
É um muito bom ponto. Nós tivemos de passar por uma crise da balança de pagamentos nos países deficitários porque o dinheiro estava a sair e não tínhamos um bom mecanismo de ajustamento na união monetária para os choques assimétricos. E o problema nesses países foi uma grande perda de competitividade. Foram feitas reformas estruturais, mas ao mesmo tempo, quando esses países foram atingidos pelos choques assimétricos, não houve uma compensação noutros países. É um problema que é difícil de resolver, mas é um facto que a união monetária não tem funcionado muito bem nesta questão. Uma preocupação é que uma reflexão fundamental sobre a forma de pôr a união monetária a funcionar melhor não está a avançar suficientemente. Claro que nem tudo é negativo. Conseguimos montar melhores mecanismos para lidar com a crise da dívida soberana, mas ainda estamos a meio. E temos a união bancária, onde estamos especialmente avançados em termos de supervisão, mas ainda não a terminámos.

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