terça-feira, 17 de novembro de 2015

SOBRE A VENDA DA TAP...




Opinião

Não pode valer tudo!
16.11.2015
RUI SÁ










As eleições autárquicas de 2001 ficaram marcadas pelo choque entre o então presidente da Câmara do Porto, Nuno Cardoso, e o seu antecessor, tutor político e candidato do PS à presidência da Câmara, Fernando Gomes. Esta situação confrangedora culminava um processo de profunda divisão entre as hostes socialistas e com profundos reflexos na própria Câmara, com os seus vereadores a dividirem-se no apoio a um e a outro, mediante episódios pouco abonatórios que punham em causa a credibilidade institucional da Autarquia.

Os apoiantes de Gomes, convencidíssimos de que as eleições seriam "favas contadas", planearam que a nova Câmara seria empossada entre o Natal e o Ano Novo, procurando que Cardoso se despedisse pela "porta pequena", numa altura em que os portuenses estavam mais preocupados com a quadra festiva. Na altura, insurgi-me e defendi que Cardoso deveria sair, com a dignidade devida, após o Dia de Reis - data que ele tinha colocado no "calendário" das festividades citadinas na sequência do fiasco do "réveillon" de 2000. O que se veio a verificar, sendo certo que, afinal, não foi Gomes o empossado como presidente da Câmara, mas Rui Rio...

Infelizmente, a posição que assumi defendendo esta data foi dos maiores erros que cometi na minha vida autárquica. Porque Cardoso "borrou a escrita" nos seus últimos dias como presidente, ao aprovar uma série de medidas que prejudicaram a cidade. A mais significativa foi a aprovação de um PIP - Pedido de Informação Prévia que dava direitos urbanísticos aos proprietários de terrenos adjacentes ao Parque da Cidade. Quando se sabia que a maioria da nova Câmara era contra qualquer tipo de construções nesses terrenos! Esta ação descredibilizou Cardoso, pelo facto de ter imposto "na secretaria" uma vontade que era contrária ao que a maioria da população defendia (dado que tinha dado a maioria do seu voto às forças políticas que se opunham a essa construção).

Fui buscar este episódio ao baú das minhas recordações porque o caso da TAP é muito semelhante. Um governo demitido decidiu assinar, com evidente pressa, o contrato que efetiva a privatização da TAP, sabendo que a maioria dos deputados recentemente eleitos é contrária a essa privatização - ou, pelo menos, àquela privatização. Curiosamente, o PSD e o CDS, que "atiçaram os cães" contra a decisão de Cardoso, são agora os protagonistas e principais apoiantes desta inqualificável, do ponto de vista ético, ação.

E, como a consciência lhes pesa, inventaram um argumento: se não o fizessem, os aviões ficariam em terra (vá lá que não disseram que cairiam...) sem combustível. As "petas" do costume, à semelhança das "armas de destruição massiva" do Iraque...

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