segunda-feira, 15 de junho de 2015

Poema(obra regª)








Poema

QUANDO A PROSA ME INVADE A POESIA…
(Nesga de rocha)


Montanhas são mundos mágicos de ventre aberto ao sol, fechado ao frio das noites. Debruçados sobre místicas varandas a espreitar seu vulto escuro-imenso, não deixamos de ouvir risos fantásticos de desconhecidos seres mágicos da hora da confusão das sombras, escondidos por entre orvalhos. Os ares dos raios de luz que a noite recebe, espalham-se por sobre as copas das árvores, pelos arbustos silvestres, pela face das flores, pelo regato que corre…Tudo, num tributo às maravilhas da Hora da Criação, tão contrária à existência das trevas …
No centro de toda a confusão de sombras e na excitação dos risos crepusculares, levantamo-nos, sempre sentados, silenciosos, aturdidos, perante a beleza, quase feridos.

(Não há vacinas contra a angústia de cada um de nós todos, seres vivos.)

A madrugada das montanhas aparece, luminosa e macia, numa tépida manhã
que roçaga as folhas das árvores tremelicantes
no leve restolhar da brisa,
quando me levanto-continuando sentada,
a ver surgir os sopros do paraíso.
Uma nesga de rocha, encravada na solidez do ventre da montanha, deixa sair um rasto de água que se dilui na lentidão do seu abrir caminho através do âmago dos campos, em miméticos saltos e desvios, que vão terminar num grosso fio de lágrimas, tão preciosas na hora do regadio.
Fileiras de ervas silvestres, grávidas de amoras maduras,
tão púrpuras como um vermelho escuro,
dão-se ao bico dos pássaros de voos transparentes
que correm pelos ares
como sangue pelas veias dos seres mais ardentes.

(Serei real na realidade de toda esta magia, com que Me começa o dia?)

Na ideia, respondo com corpos de Palavras que querem construir um jardim próprio… com sons abstractos, análogos, diversos de, enrolados em animados versos-em-diálogo com meus dedos, que deslizam suavemente sobre o papel, que cicia, quando entontece-de-MIM.
Minhas palavras estão contidas nelas próprias e em tudo o que as contém. Elas são-Eu, assim, perplexa como nesga de rocha-a-levar-um-rio para o mar…
Os dias, esses…mantém-se sempre frios, sempre quentes, primaveris, outonais…
Eu mudo constantemente e fujo para os intervalos-de-tudo com palavras coladas ao peito, num trejeito de amargura.
Da fenda na rocha, brota a pura água da Mensagem…

Maria Elisa Ribeiro
MRÇ/015

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