Para Teixeira de Pascoaes, o génio lusíada é essencialmente um criador e por isso, o mais belo representante do espírito humano em acção poética a “dilatar a obra de Deus”.
A alma lusíada é no filósofo a matéria e o espírito, misturando-se harmoniosamente, em uma constante actividade criadora de novas formas de vida, eternamente originais.[1]
Para Pascoaes o homem educado fora da sua “raça” não a conhece e portanto não a pode amar.[2] Despertar na mocidade o génio nacional através do ensinamento dos poetas, escritores e artistas representativos da língua, das lendas, da paisagem e da história de Portugal é o primeiro dever dos educadores. O autor considerava mesmo que não conhecia “pior erro do que esse de cultivar num povo qualidades estranhas que lhe não pertencem por natureza”.[3]
O indivíduo desnacionalizado perde a sua presença viva, dilui-se num fantasma inerte. O assim chamado “génio aventureiro” dos portugueses que hoje muitos desprezam, assim como o “temperamento messiânico” que ainda é mais desprezado, são as duas grandes qualidade que Pascoaes atribuiu ao povo português.[4]
Teixeira de Pascoaes considerava que aqueles que julgam o sentimento de amor à Pátria como sendo inimigo do progresso moral da Humanidade, das modernas ideias de justiça social, etc… são pessoas que desconhecem por completo a “natureza humana”.[5]
A justiça social, para Pascoaes só poderia realizar-se dentro de cada Pátria. Pois querer criar uma justiça comum para toda a Humanidade é um sonho chimérico; equivale a pedir um rosto igual para todos os homens. Algo que Pascoaes eufemísticamente descreve como um puro “absurdo”![6]
As pátrias diferem «por natureza» umas das outras, assim como os indivíduos. Elas resultam da união, por parentesco de sangue de um certo número de indivíduos num determinado território.[7] O amor à Pátria é por isso a própria saúde moral de um povo: “o sinal de que vive”.[8]
Pascoaes considerava que numa nação ainda atrasada como era Portugal, seria patriótico chamar a atenção de um povo para a sua alma revelada a fim de que ela encontre em si própria, uma luz guiadora dos seus actos e a energia que os provoque e lhes garanta sucesso.[9]
Dar à Pátria portuguesa a consciência do seu ser espiritual é dar mais relevo, nitidez e vida à sua presença entre as outras nações e prepará-la sobretudo para o cumprimento de um alto destino.[10]...
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