sexta-feira, 5 de junho de 2015

BARROSO, o DURÂO DA AUSTERIDADE... (para os pobres...)


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Austeridade e o "kremlin azul" de Barroso


por PAULO PEREIRA DE ALMEIDAHoje




Nos tempos idos da Comissão Europeia (CE) presidida pelo ex-primeiro-ministro português Durão Barroso surgiram notícias que - com a devida distância - são, no meu entender, uma boa medida dos problemas que nos tem trazido a União Europeia (UE). Foi - justamente - num período em que se começava a pedir ainda mais austeridade aos países da UE que a CE de Barroso fazia gastos sumptuosos e continuava - de um modo amoral a que nos habituou - a dar um péssimo exemplo do que deveriam ser as políticas públicas e os políticos neste século XXI. Aliás, num mundo em que mais de 40% das pessoas ainda vivem no limiar da pobreza e com menos de dois dólares por dia, teria sido um gesto muito bem-vindo se - a seu tempo - a CE se tivesse retratado e tivesse - de caminho - reduzido os seus gastos faustosos e os seus salários milionários.

Para memória futura, recordemos - portanto - o artigo publicado na imprensa em 2 de junho de 2011, passados agora quatro anos: "Enquanto exige aos países da zona euro mais austeridade para reduzir o défice, a Comissão Europeia não tem refreado os seus próprios gastos. Segundo uma investigação jornalística, os comissários europeus gastaram cerca de oito milhões de euros em jatos privados, festas e férias luxuosas. Os números são avançados pelo jornal britânico Daily Telegraph, com base numa investigação do Bureau of Investigative Journalism, uma entidade sem fins lucrativos dedicada à investigação jornalística. De acordo com o jornal britânico, mais de 7,5 milhões de euros foram gastos entre 2006 e 2010 só em jatos privados. A isso junta-se a fatura de limusinas, estadas em hotéis de cinco estrelas, festas e presentes luxuosos."

Estes dados já seriam - por si só - bastante chocantes, mas a imprensa de investigação foi então ainda mais longe: "Um dos exemplos dados pelo jornal é o do presidente da CE Durão Barroso, que gastou 28 mil euros numa estada de quatro noites num hotel em Nova Iorque, em setembro de 2009, durante a cimeira das alterações climáticas das Nações Unidas. Em festas de luxo foram gastos cerca de 300 mil euros, com destaque para uma em Amesterdão, que custou 75 mil euros. Neste tipo de eventos, a CE contratou orquestras e ofereceu presentes luxuosos, como botões de punho, canetas de tinta permanente e joias Tiffany. De acordo com o Daily Telegraph, a divulgação destas notícias está a gerar polémica no Reino Unido, ainda para mais numa altura em que a Comissão Europeia pediu um aumento de 4,9% no orçamento do próximo ano." Ora num momento em que os ingleses se interrogam uma vez mais se vale a pena continuarem na UE, não é de espantar que os povos da Europa se revoltem cada vez mais contra este estado de coisas. Contudo - e fechados no seu "kremlin azul" - nada parece demover os burocratas de Bruxelas das suas "convicções", dos seus "modelos de austeridade virtuosa" e do seu pensamento de "alternativa única". E uma vez que - já todos começamos a perceber - a Grécia tem sido um laboratório que lhes tem dado relativamente poucos problemas, certamente que estes psicopatas económicos continuarão o seu percurso. De caminho, a Europa vai ficando mais pobre, mais fragmentada e mais insegura. A lembrar - uma vez mais - as vésperas de uma tristemente mortífera Segunda Guerra Mundial.

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