
Poema:
GEOGRAFIA DE ENCANTOS…
Quando era pequenina, costumava acordar ao som dos raios
de sol ,que entravam pela vidraça da velha casa da avó,
que dava para o quintal.
Estremunhada, na harmonia da vida, debruçada da janela,
via, entre couves e saladas,
as velhas roseiras brancas e vermelhas
que,
como aranhas tecedeiras,
trepavam pelo muro lavado de cal.
Soletro, hoje, através da majestade d’outrora,
os segredos íntimos dessa Natureza,
de onde-me-Fui-embora.
Agarro ainda no sonho, essa janela mirífica
por onde entram papoilas de um inverosímil rubro,
esculpidas no itinerário de um silêncio-que-me-fala.
Meu véu de poesia, coberto de aromas de urze-em-malvasia dos montes,
é um manto de palavras que o crepúsculo liberta,
ao romper uma lua afogueada pelos beijos do sol, dos últimos horizontes…
---palavras que o crepúsculo liberta…
…palavras como teias desenhadas na polpa dos dedos,
que tocam sonatas adiadas, ao lusco-fusco de um poema
atravessado pela urgência-de-Ser_____________________________________
…olhos da alma perdidos na distância dos pomares grávidos
de mistérios dos frutos rubros, amadurecidos no cantar dos pássaros
embalados pela mão invisível do vento,
que liberta Saudade- em -cores de permanente lamento.
Poesia de silêncio…labirinto de cristal a quebrar ondas de
um mar revoltado, sob o peso da dor do poeta angustiado
que fala…
…que usa as palavras com que nele deixou deslizar lágrimas de sal,
do choro das vozes onduladas de poetas-marinheiros…
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
JAN/014
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