POEMA: OCELOS
OCELOS
Uma árvore nua na crua paisagem da neve que caiu,
emerge
atirando ao céu os braços nus, que a fria brisa despiu.
Um passarito, plumagem abundante no resistente saltitar nu,
de ramo-.em-ramo,
decidido a sobreviver nos braços brancos do frio peito da terra…
A natureza a pintar histórias da vida…
O silêncio que sucumbe à força do querer viver…
E ouve-se um hino telúrico no isolamento do pensar-a-caminho
da primavera solar do quando germinar o grão.
Alma selva de neve e fogo na escalada divina------------------------------------------------
Ramos pendentes e raízes salientes a elevarem-se para um místico céu-----------------
A mente, dominada por um sentimento de espaço infinito
compete com a majestática águia , no errático voo
de ocelos coloridos-a-ser-vento-asa –borboleta
-fragmento do ar!
Meus -sonhos -por-sonhar ali na árvore erecta
a apontar para um céu …
(Ocelos-fantasmas a - tecerem-urdiduras -do-meu-eu)
E o poema, voz do Tudo-que-é-intenso,
conhece o rumo dos odores de incenso das asas das borboletas,
pelo sonho das palavras em mãos implorantes .
Eu-árvore-nauta-inexperta,
corro estradas desiguais
com céus adversos de turvas tempestades lexicais,
nas mãos fumegantes de fonemas…
(ocelos-tessituras-de-mim…controversos …)
Dobra o sonolento sino na hora do Outono do horizonte
que empalidece ao voar da brisa
de um vento, que suspira calafrios da árvore nua
como crepúsculo descorado, no meio da neve fria.
O sol desce à terra das manhãs enevoadas…
Derrete o orvalho das tantas flores delicadas…
Cantam os pássaros a melodia perfumada das árvores
que moribundas viviam, ausentes das palavras,
em ocelos de mariposas peregrinas que não voavam…
… lambiam jasmins no suco de rosas rubras casadas
com lírios de místicos jardins…
Maria Elisa R. Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)
CQ16-60/013-(MSTs)

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