

POEMA:
SOU APENAS…O-QUE-JÁ-FUI!
Deixemos que o silêncio adormeça, sem que algo o possa perturbar…Permitamos que ouça, apenas, o ritmo do coração onde tudo dizemos, em palavras claras e sem atropelos das artérias…Palavras tímidas, claras de luz, ciciadas no medo de perder a chama que lhes dá vida, quando alinhadas como os dias que voam pelos parapeitos do tempo.
Enquanto o silêncio repousa, fala-me com o olhar, onde nos entendemos ao recordar os odores que foram-ficando, ao-passar pelo repouso dos sentidos. Por vezes, há raios de luz que entram na vida e forçam a dor a apossar-se das mágoas da memória…
E eu tropeço nela, à medida que os pretéritos- perfeitos se vão tornando mais-que-perfeitos, no desfolhar das pétalas das flores do jardim, que vai ficando sem nós.
Sou feita, afinal, de tudo -o-que-já-FUI…
e tu estiveste na palma da mão dos sonhos ,que se foram afastando quais restos de rosas, por força do furor dos ventos nos dias das nossas tempestades…
Quando o silêncio acordar, desfolhemos as páginas escritas e procuremos encontrar, à margem de nós, apontamentos do que poderá bailar nos gestos de uma sinfonia das palavras que sentimos, mas não proferimos…
A saudade virá depois da lua adormecer no esboço da noite, que se enrosca nas folhas das árvores, nas águas dos rios e nas ondas do mar…
…e saberemos se as flores continuam a florir, na corola do nosso sorrir…
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
(MERR)
REG: CR-MQC-OUT/013
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