
Nota pessoal:
Esta obra de STTAU MONTEIRO proibida em PORTUGAL no tempo da Ditadura, retrata, através de todas as personagens, um paralelo entre a situação vivida no país na altura das Lutas Liberais, no século XIX, e a situação de miséria e falta de TUDO, que se viveu no tempo de Salazar, apoiado pela PIDE.
Aconselharia a sua leitura, até porque PORTUGAL, sob a incompetência de passos-portas vai pelo mesmo caminho, pelo caminho da miséria, da falta de direitos básicos do ser humano, incluindo o da Liberdade e o da falta de Cultura, Justiça, cuidados de saúde, roubo de direitos, de pensões de reforma...tudo, de um modo inimaginável, para quem cá não está.
Através de ha2sem3.blogspot.sapo.pt/4888html
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Aspectos Simbólicos
A frase que dá título à obra é proferida por duas personagens de “mundos” diferentes – por D. Miguel, símbolo do poder, e por Matilde, símbolo da resistência -, adquirindo sentidos diferentes consoante a perspectiva de cada uma das personagens.
D. Miguel
exprime o desejo de que a execução do alegado chefe da conspiração e de todos os seus seguidores seja uma demonstração da força da regênciaque não consentirá futuras rebeliões.
Lisboa há-de cheirar toda a noite a carne assada (...) e o cheiro há-de-lhes ficar na memória durante muitos anos... Sempre que pensarem em discutir as nossas ordens lembrar-se-ão do cheiro... (pág. 153)
A execução terá lugar à noite, altura do dia que simbolicamente se liga ao mal, ao sofrimento e à morte. Sabemos que se prolongará pela noite, o que nos sugere a longa duração do suplício dos condenados: É verdade que a execução se prolongará pela noite, mas felizmente há luar... (pág. 153)
D. Miguel deseja que este castigo exemplar seja iluminado pelo luar. Como todas as pessoas o poderão ver será eficaz o efeito dissuasor da execução.
Matilde de Melo
A morte de Gomes Freire será a motivação necessária para o povo se revoltar contra os opressores.
Julguei que isto era o fim e afinal é o princípio (...) Olhem bem! Limpem os olhos no clarão daquela fogueira e abram as almas ao que ela nos ensina!(...) Felizmente, felizmente há luar!(pg. 164)
O facto de Sttau Monteiro ter colocado esta expressão no final da peça não se deve ao acaso. Com isso pretende não só transmitir uma mensagem de esperança como também confere uma certa circularidade à obra. A morte de Gomes Freire não é um fim mas o início de uma nova era.
A fogueira não era destinada à execução de militares. No entanto, Gomes Freire, após ser enforcado, foi queimado. Contudo aquilo que inicialmente é aviltante acaba por assumir um carácter redentor.
O fogo associa-se ao sagrado, a algo purificador e regenerador. O seu poder de destruição é interpretado geralmente como meio para o renascimento numa esfera mais elevada. Desta forma, a morte na fogueira simboliza a purificação, a morte da “velha ordem” e o ponto de partida para um mundo novo e diferente e poderá sugerir que a destruição é necessária para que renasçam a força e a determinação capazes de conduzir o povo inerte e impotente à luta pela sua liberdade. Assim, ainda que o final da peça seja trágico, ela marca a glorificação de um momento de luta pela liberdade.
As palavras de Matilde: Aquela fogueira há-de incendiar toda a terra (pg. 161) têm um tom profético, uma vez que a execução dos alegados conspiradores teve uma profunda influência no surto de uma consciência liberal, servindo para estimular futuras rebeliões, visto que os opositores do regime se convenceram da tirania dos governantes e da impossibilidade de conseguir, por meios pacíficos, quaisquer modificações na situação. Estas rebeliões culminaram com a Revolução Liberal de 1820.
Representa a noite, a infelicidade, o mal, o sofrimento, a morte e o castigo.
Representa, por outro lado, a luz, a vida, a clarificação, a renovação, a transformaçãoe o crescimento. Desta forma, a execução que se perpetua à luz do luar poderá remeter para a transformação, para a renovação de uma sociedade que se pretende justa e liberta da tirania dos poderosos.
Associa-se à renovação anual da Natureza. É a cor da vida, da regeneração, daesperança, da longevidade e da imortalidade.
No dia da execução Matilde veste uma saia verde, que o marido lhe oferecera em Paris, para esperar o companheiro após a morte (Foi para o receber que eu vesti a minha saia verde!). A cor da saia liga-se, então, à esperança de que o martírio do General não tenha sido em vão, à esperança do reencontro depois da morte e à crença de que aquele amor é imortal.
Simboliza o castigo/condenação mas também a esperança/libertação.
Assinala o reencontro de personagens em busca da História, por um lado, e é o penhor de honra que Matilde, emblematicamente, usará ao peito, como “uma medalha”.
Símbolo de coacção psicológica nas personagens do povo;
Marca a presença das forças opressivas/opressoras;
Remete para a destruição operada pela guerra;
Cria um ambiente de medo, ameaça e morte;
Símbolo do poder temporal.
Poder de purificação;
Evocação da morte;
Símbolo do poder espiritual;
Comunicação entre o céu e a terra.
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