sábado, 11 de outubro de 2014

Poema "DEUSAS"








POEMA: DEUSAS

DEUSAS…


A areia molhada moldou-se em meu corpo
deliciada com vibrações dos sentidos
tecidos na força da branca espuma, que o rodeou.
O sol batia forte na linha do peito
avermelhado como linha do horizonte,
onde se esconde a verdade que Me vou sendo,
lentamente, em magma-fervente…
Ilha coberta de um tule de espuma
deixo os contornos da verdade que sou,
na espera interminável de um sonho de marfim
que guiará tuas mãos com um só fim…até mim…





No céu, adensam-se notícias da Lua que Me percorrem
o corpo ansioso por te ver chegar
às enseadas enluaradas de meu bosque-mulher-florescente.




Deusas, vaidosas e experientes, dão aulas de amor… (Que horror!...)




Em brancos lençóis de linho extenuados
há marcas impressas, que vagueiam dispersas
no majestoso suor-corpo-mulher.
Vénus desenhou catedrais de amor
movidas ao ritmo de sinfonias, com palavras tão antigas
que dão vida à vida- por- acontecer,
nas sensuais alegrias do alvorecer.


Então, segredaste segredos a crepitar numa sonata
da qual não entendi as pautas…
E entre os meus extremos oscila um tecido de sabor
que a deusa trabalhou com extremo ardor.




(Tudo pára ao som das trombetas do amor!)




A natureza deixa que palavras secretas voem, livremente,
entre os nossos corpos,
perdidos no amanhecer das frias águas do mar,
ensombrado pelo calor que não pode apartar.


A noite estende-se em sinfonias cósmicas de estrelas cadentes,
curiosas e irreverentes.

Uma orquestra de magia toca flores aromáticas…
O mundo só existe na medida desse perfume, que nos faz beijar lume…
…lume cósmico da genética do sangue –misturado- em- horizontes –de- pecado…





O lençol de linho, húmido, em desalinho, inclina-se sobre teu sono-acordado…
As brisas rumorejam o cortejar de uma cantiga de amor no abanar
portentoso das folhas ,que oscilam entre a morte e o movimento…




A deusa, cansada, adormeceu num lamento…
Uma flor entontecida rompe o silêncio da noite
numa veia que se incendeia,
no limite…no Momento…


Maria Elisa R. Ribeiro (2012)Poema que publiquei, em 2012 e que voltou a ser visitado. (REP.)

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