sábado, 8 de fevereiro de 2014

Poema:

Ó TÁGIDES!

Descalças, patinhas de veludo,
dançam as gaivotas sobre os mares do Verão.
Poisam nas ondas de espuma, em alegre excitação
e vencem o duro caminho que, por entre névoas e confusão
as conduz ao doirado areal, extenso, húmido…

As brisas, indiferentes, passam eternas e imortais.

Ó TÁGIDES!
…”se sabedes novas do meu amor”…
Ai, Deus,
e onde está o fulgor do sulcar rotas
nas madrugadas, banhadas pelos olhos do mar azul?

Alma nua e magoada,
pego num ramo de versos com que me-sou-enfeitada .
Junto gerânios com rosas, no auge do seu viver.
Adorno espaços nostálgicos com raios da luz do sol
a bater numa azálea florida.
Levanta-se o vento dos marinhos aromas
a sacudir, impiedoso, o farto incenso dos montes…

Caravelas de poemas a sacudir ondas saudosas,
galgaram distâncias longas tais gaivotas nacionais
para se estenderem, enfim, aos pés de areias orientais.

Ao som da límpida água a escorrer das nascentes
as sílabas foram palavras saciadas, noutras fontes
da célere auréola dos sonhos…
…sonhos perdidos em águas sulcadas ao ombro da utopia,
no meio de primaveras que anunciavam ousadias-a-florir
no marulhar das terras prometidas…

Ó TÁGIDES!

…a água azul vai correndo…
…o sonho segue na espuma…
…uma guitarra soa, na bruma que o Tejo embala…
…os olhos cerram-se, ao passar
a velha escuna-a-gemer, sob as asas das gaivotas
a sussurrar rotas de engrandecer…

Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
JAN/014

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