domingo, 2 de fevereiro de 2014


foto de Uma Página Numa Rede Social.
há 4 minutos


Quando voltar a ouvir a conversa da suposta falta de alternativas à austeridade, recorde o seu interlocutor do facto de que a esmagadora maioria das 20 maiores empresas nacionais têm a sua sede fiscal no estrangeiro, o que lhes permite fugir às obrigações fiscais que têm para com o seu próprio país.

Alexandre Soares dos Santos, por exemplo, assumiu-se como grande apoiante de Cavaco Silva, aquando da candidatura deste para a Presidência da República. O apoio foi dado com base no suposto patriotismo do candidato, qualidade na qual Soares dos Santos se revia. Pouco tempo depois, o empresário e, na altura, líder do grupo Jerónimo Martins, deslocava a sede fiscal da empresa para a Holanda - que é, aliás, o destino fiscal favorito dos "grandes empresários" portugueses.
Este esquema permite às empresas poupar milhões de euros, que, depois, distribuem entre os seus accionistas, defraudando o sistema fiscal e contributivo em Portugal.

Para ilustrar melhor a dimensão do problema, saiba que, segundo a Agência para o Investimento e Comércio Externo, 69,3 por cento do investimento directo de empresas portuguesas no exterior (IDPE), nos primeiros dez meses de 2011, destinou-se à Holanda.

Em 2010, o investimento total das empresas portuguesas no exterior (IDPE) foi de quase 7 mil milhões de euros, sendo que uma parte significativa desse valor foi direccionado para a Holanda.
Em 2011, o valor do IDPE chegou quase aos 10 mil milhões de euros.
Este aumento de cerca de 3 mil milhões de euros investidos no exterior deveu-se ao aumento no IDPE para a Holanda, que cresceu quase 800 por cento entre 2010 e os primeiros 10 meses de 2011.
E estas contas não incluem sequer a mudança da sede fiscal do grupo Jerónimo Martins, que factura mais de 8 mil milhões de euros por ano.

Na última década, houve vários anos em que o IDPE representou entre um quarto e metade do total do investimento português no exterior. Entre 1999 e 2009, a Holanda foi sempre o maior ou o segundo maior destino do IDPE.

As 19 das 20 empresas do PSI-20 que fogem aos impostos no seu país fazem-no desdobrando-se num total de 74 sociedades, sediadas em paraísos fiscais. O Banco Espírito Santo tem dez destas sociedades, enquanto que o Banif tem nove. 31 destas sociedades estão registadas na Holanda, em Amesterdão.

Enquanto este desvio de capitais ocorre perante o nosso olhar, o Governo continua a aumentar os impostos a trabalhadores e reformados em Portugal, numa tentativa de equilibrar a balança contributiva. Estamos nós a pagar mais impostos para garantir que os milionários portugueses podem continuar a pagar menos.
Fofo, não é?
Uma Página Numa Rede Social

Sem comentários:

Enviar um comentário