quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Os Refugiados que vêm para Portugal...


Maior parte dos refugiados que Portugal vai receber estão na Hungria e na Grécia


JOÃO MANUEL ROCHA

09/09/2015 - 10:54

(actualizado às 12:56)


Juncker quer tirar rapidamente os que chegam à Europa das estações de comboios. “Estamos a combater o Estado Islâmico, por que não podemos aceitar os que fogem ao Estado Islâmico?”Presidente da Comissão entende que "há falta de Europa na Europa" FREDERICK FLORIN/AFP




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Portugal vai receber 1383 refugiados que estão na Hungria, 1291 na Grécia e 400 em Itália, anunciou esta terça-feira a Comissão Europeia, no dia em que o seu presidente, Jean-Claude Juncker, disse no Parlamento Europeu que os que chegaram recentemente representam apenas 0,11% da população europeia.

O número de refugiados que, segundo a proposta da Comissão Europeia sobre relocalização de pessoas chegadas nos últimos meses à Europa, virá para Portugal totaliza os 3074 previstos para o país no conjunto de 120 mil que Bruxelas pediu nos últimos dias aos Estados para acolherem. Mas o número deverá ser superior: quando, no início do Verão, a Comissão pediu que fossem acolhidos outros 40 mil refugiados na UE, previa-se que Portugal recebesse desse conjunto 1701 – o que somaria 4775, número avançado no início da semana pela agência Reuters.

A ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, disse que os primeiros refugiados podem começar a ser acolhidos em Portugal em Outubro. "Ainda não há dados concretos relativamente a esse aspecto, mas eventualmente pode-se adiantar Outubro como uma possibilidade, mas essa é uma situação em permanente evolução", afirmou, citada pela Lusa.

No discurso sobre o estado da União que esta quarta-feira fez no Parlamento Europeu, o presidente da Comissão apelou aos países membros para que cheguem a um acordo sobre o acolhimento de 160 mil refugiados na reunião dos ministros do Interior marcada para dia 14, em Bruxelas. Confirmou também a proposta de um sistema de quotas e defendeu o seu carácter obrigatório.

“O Inverno está a chegar, queremos mesmo famílias a dormir em estações de comboios, em tendas, nas noites frias? … Não há religião, nem crença, nem filosofia quando se trata de refugiados”, disse em Estrasburgo, onde confirmou a proposta de distribuição pelos países europeus de 120 mil refugiados, a somar a 40 mil cujo acolhimento fora já proposto em Maio. A maior parte dos refugiados iriam para a Alemanha, França e Espanha.

“Espero que desta vez todos participem. Basta de retórica é preciso acção”, disse também Juncker, para quem a resposta à crise dos refugiados deve ser nesta altura a primeira prioridade da UE. Lembrou que, desde o início do ano, quase meio milhão de pessoas se puseram a caminho da Europa.

Logo no início do seu discurso sobre o estado da UE disse que a “União Europeia não está em bom estado”. “Há falta de Europa na Europa, e falta de união, e isso tem de mudar.”

“Precisamos de mais Europa na nossa política de asilo. Precisamos de mais União na nossa política de refugiados”, afirmou Juncker.

O presidente da Comissão manifestou-se a favor de alterações legislativas que permitam aos refugiados trabalharem enquanto os seus pedidos são apreciados. Manifestou-se também a favor da manutenção do espaço Schengen de livre circulação, embora tenha defendido um reforço do controlo das fronteiras externas, acompanhado da abertura de “canais legais de migração”.

No discurso, disse ter pedido aos Estados um aumento de 1800 milhões de euros do fundo de emergência para apoio ao desenvolvimento e estabilização dos países do Norte de África.

Os números de refugiados que estão a chegar à Europa são “impressionantes”, mas este não é o momento para ter medo, é o momento para a acção conjunta. “Devemos lembrar-nos que a Europa é um continente onde em algum momento todos foram refugiados", disse.

Juncker recordou, entre outros, o caso dos húngaros que fugiram para a Áustria após a revolta de 1956 contra o domínio soviético e os 60 milhões de refugiados na Europa após a II Guerra Mundial. “Esquecemo-nos de que há mais MacDonalds a viver nos Estados Unidos do que na Escócia.”

Juncker concordou que a Europa não pode acolher todos os que vivem em situação de necessidade no mundo, mas disse que a UE tem os meios para ajudar os que estão fugir ao terror e sugeriu que a questão fosse vista em perspectiva.

O número de refugiados “representa apenas 0,11% da população europeia”, lembrou. No Líbano, "os refugiados representam 25% da população, que tem apenas um quinto da riqueza da UE”. “Quem somos nós para nunca fazermos estas comparações?” Noutra passagem perguntou: “Estamos a combater o Estado Islâmico, por que não podemos aceitar os que fogem ao Estado Islâmico?”

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