terça-feira, 8 de setembro de 2015

IN "CORREIO da MANHÃ": PORTUGAL ATRÁS

Portugal atrás A coligação propõe, no essencial, continuar o que fez até aqui: austeridade. 07.09.2015 00:30 Tem de se reconhecer que é em grande medida verdade aquilo que tanto Pedro Passos Coelho como Paulo Portas dizem a respeito da coligação Portugal à Frente: é a primeira vez que alguém se apresenta às Legislativas quase sem uma única promessa em carteira. O aligeiramento da sobretaxa do IRS não passa de um rebuçado, que mal se compara com a cornucópia de promessas do PS. A coligação propõe, no essencial, continuar o que fez até aqui: austeridade, para cumprir o que foi acordado com os credores e pouco mais do que isso. São um bocado deslocadas as críticas que o PS faz ao PSD e ao CDS sobre o facto de não terem ‘programa’. Porque toda a gente sabe qual é o seu ‘programa’: continuar a fazer a mesma coisa. Se hoje o resultado das eleições é incerto, ao ponto de ninguém se surpreender com uma possível vitória da coligação, muito se deve a essa continuidade. Não que o ‘programa’ excite. Mas a verdade é que, ao fim destes quatro anos, já ninguém duvida de que o único programa possível num país do euro em crise que não queira sair do euro é esse. Hollande, Renzi e o Syriza são o cemitério das esperanças contrárias. A vantagem da coligação é poder dizer que o percebeu desde o início. Embora convenha lembrar que ela era, ao princípio, mais do que isso: era também uma promessa de reforma radical do país, que não ocorreu. Os responsáveis pelas poucas reformas, o Álvaro e Gaspar, há muito que se foram. Hoje, o Governo é uma equipa de tarimbeiros dispostos a cumprir alegremente a gestão da mediocridade que espera qualquer governo nas actuais circunstâncias. Para nos convencer de que a sua política é boa, o Governo gosta de apresentar os últimos números da economia, onde se vê um bocadinho de crescimento e de redução do desemprego. Mas isto é uma mistificação. O pequeno crescimento (que levou ao pequeno decréscimo de desemprego) deveu-se, ironicamente, à redução da austeridade a que o Tribunal Constitucional obrigou o Governo. Mas foi um crescimento ‘à antiga’: mal a economia acelerou um bocadinho, voltou o desequilíbrio externo. E não nos iludamos, é isto que significa o fim da austeridade sem alteração da estrutura da economia. Ora, quatro anos depois, é exactamente aí que estamos: no ponto de partida.

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