sexta-feira, 5 de abril de 2013

PELO PAÍS...






PELO PAÍS…


1-José Sócrates, o anterior primeiro- ministro que se deu ao trabalho de ir para PARIS “estudar Filosofia”, com um empréstimo bancário!-regressou a Portugal, para ser comentador na RTP, a convite (dizem…) de Miguel relvas, o ministro ontem demitido , sem honra nem vergonha.

Com o ar arrogante, vaidoso , narcisista e mentiroso que lhe conhecemos , durante seis penosos anos, assim se voltou a apresentar ao povo, “dando uma carga de pancada” no Presidente da República acusando-o de falsidade institucional, de má-fé no trato com os seus governos desgovernados e não dando com todas as suas balofas afirmações, qualquer prova de lhe ter valido de algo o que “estudou” na cidade-luz!
Diz quem assistiu ao “circo” que o homem continua sem perceber nada disto , de tal modo que quis conduzir as suas afirmações sem querer “passar cavaco” aos jornalistas que conduziam a “entrevista”!

2-Assistimos , há dias, à apresentação  no Parlamento, por parte do PS, de mais uma moção de censura ao desgoverno de passos coelho, quase um “alter-ego” de Sócrates! Os votos de todos os partidos de Esquerda não bastaram-como se sabia, aliás!- para derrotar passos e os seus apaniguados. Igual a Sócrates, também este está doentiamente convencido de que é a Salvação de Portugal e, por isso, continuam os roubos indignos das pensões dos pobres e remediados, que trabalharam dezenas de anos para viver um fim de vida digno, de acordo com o que descontaram.
O que se passa em Portugal com todos os seres da política, faz-nos compreender que nos devemos sentir, todos os dias e apesar da sua (deles) existência, mais inteligentes e dignos do que realmente somos, mesmo que miseráveis no contexto desta EUROPA à beira do fim!

3-Não acabam os aumentos de impostos! O imposto sobre os imóveis aumentaram, tão assustadoramente, que não sabemos como pagá-los; pessoalmente e só como exemplo, o meu subiu mais de 400%!Tenho que o pagar agora, em Abril! A segui, vem o IRS com um aumento tão brutal que,mais uma vez, não sei como pagá-lo depois de me ver roubada todos os meses, a partir de agora, em mais 175Euros! Passo a passo, para além dos desempregados que são assunto que não preocupa o desgoverno, vamos começando a “vegetar” pois não podemos viver! E o chamado ministro das finanças continua a FALHAR todas as suas previsões!
Entretanto, os portugueses, nomeadamente os jovens, continuam a emigrar para longes terras sem certezas de emprego ou bem-estar.

4-Mas, amigos, a notícia do dia é, verdadeiramente, a demissão do ministro de passos coelho e seu “cérebro pensante”, Miguel relvas, o tal que se fazia chamar de DR sem ter a licenciatura, que comprou parece, com créditos de uma vida dedicada a causas públicas!???????????????
No seu discurso de demissão disse que “a História provará que foi um homem recto”!!!!!!!!
Disse , igualmente, “que não tinha força anímica” para continuar…isto no momento em que a Inspecção Geral do Ensino se preparava para mandar a Tribunal a questão da sus “licenciatura”! Já foi tarde porque a sua vida no governo tem sido marcada por episódios tão chocantes como a censura na RTP e no trabalho de jornalistas, o desmantelamento das Freguesias de Portugal, as ligações a ditos espiões…Foi-se , sem honra nem dignidade!E foi-se num momento em que o TRIBUNAL CONSTITUCIONAL está para se pronunciar sobre os aspectos inconstitucionais do ORÇAMENTO DE passos coelho! Os ratos começam a abandonar o navio, que já está tão esburacado que não se sabe quanto vai resistir.Deve dizer-se , em abono da verdade, que este tipo tem sido contestado pelo povo e por gente do PSD como nunca antes acontecera!A pasta que detinha, a da Comunicação Social, foi o trampolim para projectar a sua vaidade balofa, censurando , cortando a direito nos direitos de tudo e de todos, derrubando uma administração da RTP, dois directores de informação, o director da RTP2, um programa de opinião e cinco comentadores da ANTENA1!

Sendo este artigo uma resenha simples dos factos, aconselho a leitura dos jornais, para uma completa e detalhada informação, impossível de levar a cabo ,neste espaço, por motivos óbvios.


Mealhada, 5 de Abril de 2013-04-05
Maria Elisa R. Ribeiro

quinta-feira, 4 de abril de 2013

quarta-feira, 3 de abril de 2013

POEMA: A VESTE DOS DIAS






A VESTE DOS DIAS


Muitos dias se vestiram de cheiro a terra molhada.
Outros tantos se despiram, de calor, na alvorada.

À janela da vida
inclinados, os poemas absorvem o ouro do corpo das montanhas,
                                                           banhado de  alvas madrugadas.

Transpiro-os,
por sobre o rumor das vagas deitadas na areia…
No cosmos,
as flores penteiam odores  de alvoradas labirínticas
                                                            nos vapores-húmus-da- terra- semeada.

Ares esbranquiçados de nuvens carregadas, estendem-se
por sobre matas e vales de orgiástica beleza,
encobertos  por véus de algodão branco, em toda a sua pureza.

                                                           Passa por mim o ar do teu vital respirar
                                                           a caminho de segredos que não sei adivinhar …

Repousam, serenas , as pedras do areal, vestidas de tempos-eras a
deslocar  conchas, confundindo búzios do alto –mar…

E vestem-se os dias de flores…
…e cheiram as flores a amores dispersos no teu suave
universo-poema…

O vento é uma epopeia da terra a caminho de ilhas-de-tantos-rumores
de paz
numa eterna guerra, que ampara lexemas-maiores…

Cilícios de goivos e grinaldas de lírios vestem buganvílias
que se desprendem dos olhos  dos Amores.

Na memória de teu rosto-poema vou pendurando quadros…
…catedrais de sonhos que choram vitrais do silêncio
das noites  em que-tu-não-És
e uma ferida solar chora o Tempo-Devagar…

…este Presente do  Passado,
 a caminho de um Futuro de nada-saber
da veste dos dias-em-que-te-não-Fui…


Maria  Elisa R. Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)
CQ16-OUT/012-VDS

domingo, 31 de março de 2013

sábado, 30 de março de 2013

MEDITANDO...(REP)





MEDITANDO…


“Esta viagem não responde às minhas perguntas.
(…)
Vítima da memória, nenhum deus me acolhe à chegada.”
Do POEMA “ESTA VIAGEM”, in “O País de AKENDENGUÊ”, de Conceição Lima-Editora “CAMINHO” .
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Medito…E se medito, penso…Logo, existo! E é esta existência que, por vezes, me leva a sentar numa cadeira, cómoda e relaxante, para, ao som da música, neste ambiente que respira a mim,”limpar, reavivando-as, memórias do que fui e do que sou. Como é impossível controlar o que vem à memória, vou ao meu silêncio interior, minha catedral espiritual para poder ser-eu-comigo-própria.
As memórias da vida são sempre um factor de tensão do sujeito pensante; tensão positiva, porque o impele a reconhecer-se, ao ver-se ao “espelho” da Verdade de si próprio; factor de tensão negativa, porque a verdade de nós requer coragem para lidarmos com os nossos defeitos, as nossas paixões…a nossa realidade como seres, enfim.
Sendo a vida a maior verdade do homem que nasceu, à qual ele deve o maior respeito e amor, no cumprimento implícito da fidelidade aos princípios, ela é, igualmente, um projecto traçado para cada um de nós, que devemos respeitar, realizando-nos.
Cada vez mais consciente dessa realidade, sinto que estou em contínua aprendizagem a qualquer momento em que respiro, em que vibro com o sol, as estrelas e a lua, seja qual for o espaço ou o lugar em que me encontre. Oiço os “PINK FLOYD”, essa maravilha da arte musical que se entranha em mim, ajudando-me a ter ideias e a sentir a força da mensagem!
E deambulo por cima de “um castelo de algodão”, chamado “Revolução dos cravos” que, ao longo das últimas décadas se foi diluindo nos ares do autoritarismo e da militância corrupta, do carreirismo capaz de desbancar um país e de o levar à mais vergonhosa miséria, a da fome, que se vê nos olhos silentes de crianças e idosos! Passo por florestas, outrora majestosas, onde as árvores cantavam de alegria ao lado de aves primorosas e de rios caudalosos…Recordo DINIS, rei –trovador- lavrador a sonhar mundos de espuma…Lembro Alcácer-Quibir, onde um rei foi morrer em areais ensopados de sangue…Vejo uma “orquídea”no cabelo de AUUN SUNGSUKY, que nunca renunciou à sua natureza humana…Passam-me os olhos, pelo que sei de memória, de TREBLINKA, de DACHAU, de AUSCHWITZ…Vejo o “ENOLA GAY” a vomitar fogo nuclear sobre milhares de seres inocentes…Vejo PASTEUR a criar raízes contra males da humanidade…
Continuo a sentir como meus, os caminhos do mundo; a mente escorre dores e desafios, quando escrevo. Sendo livre, viaja, à vontade nas memórias chocantes que não pretendo nimbar, com fantasias delirantes. Há memórias que devemos pôr num canto do COSMOS MENTAL, afastando-as do âmago de cada um de nós, para termos a força de continuar “viagem”…Apesar de tudo, dialogo com esses horrores para não arrasar o meu moral…
A caneta puxa por mim e, então, descubro que, sendo a caneta quem escreve a PALAVRA, nela está impressa a letras, ora de oiro, ora de amargura, a marca da minha identidade e da minha personalidade…Então, a PALAVRA é formada numa teia do pensamento que me constrange ao tecer tramas de dor nessas recordações, que se transformam em memórias…
Não tenho memórias de amor paternal ou maternal…Por isso, há paredes sem janelas dentro de mim…janelas de carinhos, de afagos, de família, de amor pelo que é UMA CRIANÇA…
Hoje, há um ir-aparecendo-diferente, de ano para ano…Há memórias de maturidade na infância do medo…Há um eu, sempre a querer fugir da mediocridade, para saltar barreiras, a caminho do possível aperfeiçoamento…
E não há memórias boas? Oh…se há…Embora pretenda “apenas” reflectir, sem fazer biografia da auto- biografia, há momentos de encontro com presentes que são passado, lembranças de pedaços de vida impagáveis…os meus filhos…os meus estudos…os meus livros…a minha música…a paixão pelos alunos e pelas Letras e Filosofias…a minha POESIA…
Ao começar a escrever poemas, sem o imaginar, estava a comemorar a minha Vida…Foi como se tivesse pegado num “espelho de registos” que o Passado me entrega a todo o momento, para exorcizar tempos que me fizeram sentir um frio diferente. Nessas memórias reflexivas, que são os meus poemas, sinto que se tornam mais claras muitas das nuvens cinzentas do viver, porque as enfrento na força da Palavra. Momentos há, em que pareço retida nas teias da infância, sem ser capaz de fugir dessas lembranças, para, como navio aparelhado, partir para a “rota” da “actualidade seguinte”, o novo “EU”refugiado em espaços desabitados por outros que não eu. É AÍ que sei SER-ESTAR! AÍ, encontro-me e lavro as ideias em folhas de caderno, com a ajuda do Dicionário. AÍ, no POEMA, ACONTEÇO, sem cobardia. Aí, apanho a coragem e a determinação como motores de arranque para a descoberta do que ainda não ME conheço!
Dizia ANTERO DE QUENTAL no Soneto “TESE E ANTÍTESE”:
(…) “TU, pensamento, não és fogo, és luz!”
Atrevo-me a responder-lhe: Não, Antero…O meu pensamento é luz…mas é FOGO, também!

Mealhada, 10 de Novembro de 2012-11-09
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
http: //lusibero.blogspot.com

POEMA:SENTIDOS


                                                             




 SENTIDOS



Minha cabeça apoiava-se nas  saudades  que tinha de ti,
enquanto uma comunhão de anseios te retinha
na alquimia das cores e dos sabores que eu-te-vivi.

Nos olhos tenho o vento que trazia o odor dos teus sentidos, amadurecidos…
Desse vento, chegam fragmentos de farrapos das nuvens
em que nos afundávamos, num recanto do jardim…

Agora…
do alto de uma pétala roxa, é hora da melancolia chamar as lembranças
 vermelhas-rubras de um Acontecer
que sereno, em mim resplandecia…

Os pássaros continuam a murmurar a liberdade de voar…
Os astros iluminam as noites de Lua Cheia,
enquanto a fecundação das pérolas fecha ,na concha,
o seu  grão -de-areia.
As flores dispersam nos ventos
sinais de cio das minhas pálpebras ,
cerradas aos simulacros de cintilação.

Meus sentidos andam à deriva na recordação-de-ti,
dentro da poesia que ‘inda não escrevi…

Meu fogo parou, quando um vulcão vomitou magma-fervente
na cintura que te oferecia pulsações ascendentes
de permanente euforia …
Ciciam sementes, contentes por germinarem na terra que as cobre
com litanias,
que despertam como as flores, ao nascer do dia!

Vou construindo um poema de teus olhos
numa mágica ilha de orlas sensuais,
onde seremos um teorema de luz no caos das sensações
da natural geometria dos temporais…

Um realismo de seiva quente corre pelas veias das plantas outonais…
No mar, por trás dos montes, cantam ventos imemoriais…


C14P-11-NOV/012
Maria Elisa R. Ribeiro

(Marilisa Ribeiro)

quinta-feira, 28 de março de 2013

VISITA ÀS NOSSAS ALDEIAS...





Chove em Portugal; chove muito e tão sistematicamente que os nossos lavradores vêem, com apreensão,este contínuo acumular de águas nos terrenos que vai levar ao apodrecimento das sementes.

Aproveitei a tarde para ir dar uma volta pelas aldeias do Concelho de ANADIA, a que pertenço. Passei pela CURIA, minha terra, que ficou mais "limpa" e atractiva depois das obras que a Câmara lá mandou realizar. Mas com tanta chuva nem dá para apreciar  e usufruir das mesmas.

Fui à MATA...continuei por Óis do Bairro, São Lourenço e Couvelha. Notei o envelhecimento e o abandono triste a que estes lugares estão votados, pelo envelhecimento das populações e pela nova onda de emigração a que os portugueses estão a ser obrigados, em consequência da catástrofe a que estamos condenados com as políticas deste governo de passos coelho.

Entrei na Igreja de TAMENGOS e na  de VILARINHO do BAIRRO.O período pascal faz-se sentir na costumada ornamentação das mesmas. O roxo impera, como é tradição num lugarejo católico. Mas sente-se igualmente o cheirinho dos "folares" da Páscoa, tradição desta região bairradina...caseirinhos, amassados com o suor da força das nossas mulheres que mantém viva a tradição do bolo da páscoa que se oferece aos afilhados ,no próximo Domingo.

Fui até SAMEL... Não vi muitas mudanças , em relação a tempos idos... Há tanto a fazer!

Resolvi fazer este passeio em vosso nome, amigos que sois, destas aldeias.

Notícias boas?

Senti-as em Vilarinho do Bairro onde, tendo família, pude sentir as saudades e a tristeza de ver fora do país, em longínquos horizontes, os nossos familiares. Senti também, não posso deixar de o dizer, a ideia determinada de jovens primos que afirmam que vão emigrar...

Uma Páscoa diferente, esta...pela muita chuva e pela angústia em que se vive...

FELIZ PÁSCOA, MEUS AMIGOS E CONTERRÂNEOS!


Maria Elisa- 28 de Março de 2013

SAUDAÇÃO DE PÁSCOA





Estamos às portas de um novo período pascal.

Com tantos amigos e visitantes do meu Blog espalhados pelo mundo, venho, por este meio , desejar uma Páscoa muito feliz a todos os que comungam da paz desta época do ano e a todos, em geral, que estão em união, fora do país!

Muita Paz para todos os meus bons amigos!

Maria Elisa Ribeiro

domingo, 24 de março de 2013

"NOSTALGIAS"----PARQUE DA CURIA







IDEIAS POR PALAVRAS…
“NOSTALGIAS…

O grande Mahatma Gandhi, filósofo e pacifista indiano do séc. passado, dizia do ser humano:”A indolência é um estado maravilhoso, mas perturbante. Temos que fazer alguma coisa para sermos felizes.”
Talvez por isso e talvez, também, por uma questão de carácter, dei comigo, depois de me aposentar, a fazer pequenas viagens pelo território das minhas raízes, esta ímpar região bairradina, a procurar motivos de recordação de épocas passadas…nunca longínquas precisamente porque, sempre presentes. A “Bairrada”é, para além do mais que se possa dizer, uma página da História de Portugal, da antiga e da mais recente! É uma página de grandiosidade dum povo que sempre viveu da terra e do mar, da agricultura, pesca, turismo, artes, livros, monumentos, gastronomia, sublevações contra regimes…tudo me vem à cabeça no momento em que procuro motivos de sublimação da terra e das gentes.
Nostalgia é o nome abstracto através do qual, em todo o mundo, se pretende dar um significado ao estado de espírito que, nós, portugueses, tão bem conhecemos como SAUDADE. Isto para vos dizer, leitores, que o tempo passa de tal modo veloz como o espaço de um “ai”…quase não dá por ele! Ainda “ontem”, menina de 14/15 anos, “vivia “o PARQUE da CURIA. Por lá passaram tantas das minhas ilusões, tantas alegrias e tantas tristezas, também (por que não admiti-lo?); tudo fez parte da criação do meu ser, ora brincando com as minhas irmãs e as minhas companheiras de escola, ora namoriscando, naquela idade em que a Primavera de cada um de nós começa a florescer…Nem tudo na vida são alegrias…As rosas têm espinhos e a infância que deveria ser um espaço/tempo de alegria, não o é, para todos…Não é disso, no entanto, o assunto das minhas lucubrações de hoje. O estar aposentada proporciona, a quem não sente a velhice, oportunidades únicas de ver a vida com outros olhos. Tenho-me dedicado, como dizia Garrett, no capítulo 49 de “Viagens na minha terra”, a procurar revisitar espaços onde não ia, há muitos anos:”De todas quantas viagens, porém, fizeram, as que mais me interessaram sempre foram as viagens na minha terra.”
Ora, meus amigos, eu fui ao…PARQUE da CURIA! E não se riam… que é verdade!
Passaram anos, desde a última vez que lá tinha ido; com tantas proibições de andar por aqui e por ali, confesso que desmotivei …Quando lá entrei, na passada semana, não encontrei o parque dos meus encantos! Vi um lago quase totalmente pantanoso, arvorezitas sem a pujança de outrora, desbastadas, carreiritos e atalhos cobertos de vegetação rasteira que reclamou o que era seu, cadeados por tudo quanto é lado, parecendo querer impedir-nos de testemunhar a degradação, meia dúzia de patitos dando, ao que já foi o maior lago natural de Portugal, um ar da vida que ele perdeu…e carpas, muitas carpas, enormes, com a barriga cheia de lodo e de algumas migalhas de pão, que lhes vão atirando para aquela água paúlica! 
Nesse lago, montavam-se, nos anos 50/60, enormes palcos, que serviam à actuação de artistas da rádio, no auge da fama; lá se faziam festivais de folclore e de outras artes. Era o tempo da Simone de Oliveira, do António Calvário, da Madalena Iglésias, do Henrique Mendes, Artur Garcia…
Era ainda o tempo em que a volta a Portugal tinha uma etapa, que partia do Largo da Rotunda e em que o PALACE HOTEL organizava o, então famoso, “Baile das Rosas”, para o qual, como é lógico! só as elites eram convidadas. Parecendo que não, isso eram eventos que davam à Curia um ar fino e …um pouco de cultura e animação.Vi, de relance, na realidade e na imaginação, um pouco desse lago, de então…Nos mais recônditos cantinhos, hoje, o lago é ,quase todo, um potencial pântano.
Na entrada do parque, apesar de tudo, as árvores dão já um ar da sua graça, com aragens primaveris; as flores desabrocham, por todo o lado; os trabalhadores fazem a poda e limpam aquilo que ainda podemos visitar…Os patitos nadam e refugiam-se na “ilha”.
Resta-nos a recordação desanimada daquilo que a Curia já foi…Que pena!
Diz o filósofo SAVATER:” Viver com coragem inteligente na ausência de certezas absolutas.”
Ao ver o Parque da Curia, a única certeza absoluta é a do nosso envelhecimento com ele, com as memórias e os, -ainda-sonhos!  
Atrevo-me a falar para os meus conterrâneos: devemos preferir o melhor de tudo, para o rejuvenescimento do espaço ímpar que é o parque! Exige-o a consciência pública, exigem-no as memórias das nossas vidas, exige-o a ideia que se tem do paraíso na terra…A Natureza, nossa única casa, exige-o, também!
Responda quem puder, se puder, como puder…Mas respondam ao parque da Curia, verdadeiro património bairradino!

Mealhada,13 de Março de 2013

Maria Elisa Rodrigues Ribeiro

sábado, 23 de março de 2013

O Pensamento de RAÚL BRANDÃO (1867-1930)-in O Citador






O Assombro da Incoerência do Nosso Ser"Sou um mero espectador da vida, que não tenta explicá-la. Não afirmo nem nego. Há muito que fujo de julgar os homens, e, a cada hora que passa, a vida me parece ou muito complicada e misteriosa ou muito simples e profunda. Não aprendo até morrer - desaprendo até morrer. Não sei nada, não sei nada, e saio deste mundo com a convicção de que não é a razão nem a verdade que nos guiam: só a paixão e a quimera nos levam a resoluções definitivas.
O papel dos doidos é de primeira importância neste triste planeta, embora depois os outros tentem corrigi-lo e canalizá-lo... Também entendo que é tão difícil asseverar a exactidão dum facto como julgar um homem com justiça. 
Todos os dias mudamos de opinião. Todos os dias somos empurrados para léguas de distância por uma coisa frenética, que nos leva não sei para onde. Sucede sempre que, passados meses sobre o que escrevo - eu próprio duvido e hesito. Sinto que não me pertenço... 
É por isso que não condeno nem explico nada, e fujo até de descer dentro de mim próprio, para não reconhecer com espanto que sou absurdo - para não ter de discriminar até que ponto creio ou não creio, e de verificar o que me pertence e o que pertence aos mortos. De resto isto de ter opiniões não é fácil. Sempre que me dei a esse luxo, fui forçado a reconhecer que eram falsas ou erróneas". 

Raul Brandão, in " Se Tivesse de Recomeçar a Vida "
NOTA:
Escritor português dos finais do século XIX princípios do século XX, retratou, como ninguém a vida dos povos ribeirinhos ,do nosso país e nomeadamente da beira-mar de Mira, Vagueira, Costa Nova e outras. Via o sofrimento da miséria destes povos que, afirma, "chegava a comer plantas do chão, para matar a fome..."Das suas obras, destaco "HÚMUS", que nos faz encontrar com a finitude da vida, pensamento a que todos fugimos.A ter em conta, também, "OS PESCADORES".

Maria Elisa

quinta-feira, 21 de março de 2013

POEMA: "PROFUNDO FEMININO"-INÉDITO-ESCRITO , ESPECIALMENTE PARA HOJE, "DIA INTERNACIONAL DA POESIA"!


                                       



 PROFUNDO FEMININO

.soltam-se fios de ouro do sol à passagem felina das estrelas
perfumadas de luar,
que se instalam numa especial redoma de palavras de amor.

Alarga-se um cerco de ternura que ganha corpo na doçura do odor
da minha mão, que pede à tua um beijo
ao estender-se para a força da luz da lua
quarto-crescente, a rebolar pelas pedras de uma nascente-em-flor…
…dentro de mim…dentro de nós…ao som  de um botão a explodir rubra cor!

                              Profundo-feminino-lírico!

_________________onde nossas bocas são o centro de um universo___________________
______________onde teu rosto se desenha nas searas e campos lavrados______________
_________________________no verso-do-meu-inverso___________________________

___________________________nascente a explodir prazer
_______________________________prazer de existir a ser
___________________________________hora a anoitecer
________________________________o profundo feminino
__________________________________do meu querer-te
_________________________________no dia a desvanecer
_______________________________em meu corpo vertical!

Noite recta                                 noite erecta                                    noite inacabada
nos desmaios de queimar cinzas das bibliotecas, que ruíram ao anoitecer!
      
Noite vermelha…
vermelho odor de seios de brancas rosas…
sangue rubro dentro de um Sonho!

Que belo é o anoitecer da seara onde volteia, rodopiando,
o perfume de Florbela-Mulher-Amor!

.perfume aceso.      sorriso de trigo quente.      olhar ardente
no rosto rubro da nossa voz –que-diz-SIM!

DEPOIS…
…um clarão cresce dentro do florear da madrugada ,nos campos magnéticos
que são teus braços nos meus, dentro de sombras que um céu protegeu

e…
…há uma busca de permanente harmonia no reconhecer cada fresta de nós,
sem querer saber do Tempo  que pode durar uma hora-de-nós-sem-voz…

…porque o amor dura sempre uma eternidade frenética
                                                                                  e eu não conheço o mapa do teu coração…
 Mas sei que ouves a voz  que se desprende das clareiras floridas,
e dos rios sussurrantes de  brisas entontecidas…

Maria Elisa R. Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)
CQ16-(ERTS)- MARÇO/013

segunda-feira, 18 de março de 2013

POEMA: SE...(II)





SE…(II)


Se ao menos uma palavra iluminada soubesse
ensinar-me o caminho…
Se as flores não desmaiassem de cor perante
o  brilho quente do sol…
Se ao menos o vento te fechasse na força
de um abraço, contra meu peito…
Se teus dedos soletrassem os meus sentidos, perdidos
 no magma de  sulcos de lava…

                                                 …as areias do mar, ao longe, perder-se-iam no canto
                                                  das sereias prateadas…
                                                   ...os rios deslizariam por cima de seixos quentes, obstinados,
                                                    sempre presentes na trajectória dos dias…
                                                  …o orvalho sensual perdido nas folhas das árvores, escorreria ,
                                                  natural, pela folha de papel onde me escondo-a-  sentir
                                                  a fugaz, pálida , luz do teu olhar, ao encontro do viver…

Oh, se caminhássemos nesta bruma, que anuncia o dia onde já nos perdemos…

Talvez tivéssemos mudado a mão do vento que sufoca as árvores…
E outros poderiam ter sido ser os rios, as montanhas, as florestas dos desertos
onde o desalento e a erosão dão as mãos…
e talvez, das nossas memórias se tivesse ausentado o esquecer-as-flores-rubras a vicejar…

………………………………………………Se não tivéssemos sido pedra-arruinada-entre-ruínas
………………………………………………talvez o sangue continuasse a fluir  no corpo dos cactos
……………………………………………..e voltássemos a ouvir um piano no meio das águas
……………………………………………..um violino a dançar num céu de espumas esbranquiçadas
……………………………………………..uma sonata de amor num poema de noites exaustas….   



Maria Elisa R. Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)
CQ16-ERTs-OUT/012         

sábado, 16 de março de 2013

PORTUGAL DEPOIS DA 7a AVALIAÇÃO DA "TROIKA"






PORTUGAL DEPOIS DA 7ª AVALIAÇÃO da “TROIKA”


De mal a pior!

Esteve ,por cá, durante quase três semanas, o trio falhado de observadores internacionais, que encontraram o país, apesar de toda a terrível austeridade a que temos sido submetidos, pior que nunca!

Digo “trio falhado” , porque ,agora, não querem reconhecer que as  decisões tomadas para Portugal, estavam erradas e  têm contribuído para a miséria em que nos encontramos .

Falhado, também, estre desgoverno cego que nos quer ver a todos de mão estendida e cujo ministro das finanças não acerta nenhuma das previsões que faz; não consegue pôr de pé políticas de desenvolvimento e  a única coisa que sabe fazer é cortar nas pensões,  roubar aos pobres e funcionários públicos,  ir decrescendo o que ganhamos, de tal modo que, dentro em pouco, teremos que pagar para ir trabalhar. Pessoalmente, vi-me roubada, este mês, em mais de 70 Euros, novamente! (mais 14 contos antigos!). Como eu, milhares de aposentados e pensionistas, que ganham muito menos que eu! No mês passado, levaram mais de 1000 Euros em impostos relativos a Janeiro e Fevereiro!

Estimam os entendidos que, no fim de 2013, o desemprego vá chegar aos 20%! Mas, outros que já fizeram as contas, dizem que já lá estamos e que o desgoverno está a apresentar as estimativas “POR BAIXO”!

As manifestações de desagrado aumentam e sucedem-se, agora já com idosos, jovens, crianças ao lado dos pais, militares, polícias, professores, empregados e desempregados, todos contra este estado de coisas e contra “as coisas” deste estado!

Não sabemos que fazer perante tantos impostos, tantos aumentos da luz, da água, do gás, bens essenciais sem os quais a sociedade moderna não pode já viver.Do mês passado para este, passei de um pagamento de 69 Euros de luz para 83 este mês! Como? Porquê? Ando pelos corredores encostada às paredes para, com o braço sentir a porta onde quero entrar!
O Imposto sobre a casa, subiu de 35 Euros do passado ano para 132, este ano, a pagar em Abril! Onde vamos roubar o dinheiro? Eu quero “assaltar” um “banco”!

Os reformados ultramilionários das chefias bancárias, liderados por filipe vinhal fizeram um movimento “DE REFORMADOS INDIGNADOS”!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!porque não querem que o governo lhes roube tanto dinheiro, nas reformas ultramilionárias! Ao que nós chegámos! Há desgraçados com reformas de DUZENTOS E POUCOS EUROS! Há milhares e milhares de desempregados sem receberem qualquer tipo de ajuda do desgoverno! POBRE POVO!

Muitas são as vozes, da Esquerda à Direita, a pedir a demissão destes tipos que não estavam nem estão preparados para liderar o país nesta Europa de crise, de guerras sociais, de uma miséria como nunca se viu, no velho continente!

Jean Claude Junker, da União europeia, alerta para os perigos de guerra, nesta europa destroçada por quem a tem saqueado. E reparem, amigos leitores, é a Alemanha, mais uma vez! a estar por detrás da nossa miséria…A Alemanha que viu 2/3 da dívida perdoada, depois da Guerra, para poder reconstruir o seu território e que hoje, século XXI, não tem vontade de se integrar nessa mesma europa ,que a ajudou.

Diz um conhecido provérbio popular; “ Nunca lembres a um rico que ele, se calhar, já foi pobre!”

A situação política/social do nosso país, porém, é de tal ordem que, seria hora de chamar Sua Exa, o Sr. Presidente da República, a mostrar que sabe destas histórias e a dizer-lhe que deve “dar um murro na mesa” desta Alemanha, lembrando-lhe estas situações e o dever de olhar para o continente em que se integra, e a viver repartindo a solidariedade. Mas em Belém mora um “espectro”do que deveria ser um Presidente da República! Dele só esperamos que se preocupe em acabar o mandato, para ter mais uma pensão de reforma! Então, não querem saber que o Senhor ontem declarou que não fazia ideia de que a “água estivesse tão cara”?!!!!!

Depois, quando uma vez por mês se digna sair à rua, fica “abananado” por ver que há manifestações de desagrado popular e diz que “é necessário ter em atenção o desagrado do povo”!

Prenuncia-se, cada vez com mais visibilidade, o desastre económico e social para que caminha, a passos cada vez mais largos , este pobre país.

O filósofo Edgar Morin pediu-nos para estarmos vigilantes quanto à imprevisibilidade dos tempos e das situações. Como pode estar um povo que tem certas as calças que veste tal como o copo de água que bebe ou o pão que come?



Mealhada,16 de Março de 2013

Maria Elisa R. Ribeiro


sexta-feira, 15 de março de 2013






POEMA: PORTAL


PORTAL


É o deserto um mar feito de areias do próprio mar.


Encriptados pelo sol sob as patas da Esfinge
há segredos dos livros de Alexandria, a conhecer,
quando o mar de areia se tornar água de fonte, límpida e corredia.


A lua, presa ao céu lavado de fresco pela força das trovoadas
trespassa a noite de solidão fria, para inundar de luz as areias do caos.
A noite dará lugar ao dia quando as frésias florescerem e
as primaveras
puderem entrar no mar cheio de areias do calor.


A orla das ilhas salpicadas de tufos de harmonia
recebe
sem qualquer dramática filosofia,
a espuma cinzenta das ondas a lutar,
fugindo
dos pés da Esfinge-louca-por-saber…


O magma das sílabas em plena conexão ordena
os verbos do mundo, numa gramática preliminar que , só no poema, se pode agregar.


O sol abre o portal do mundo!
As aves espantam-se e desatam a voar!



Os golfinhos despertam as ondas libertinas
despidas em tons de beleza felina…



Os mares acordam as águas azul prateadas.

que correm para o portal da verdade
levando no dorso o poema .
que tenta saber da eternidade há tanto prometida
nas ondas do silêncio,
prolongadas pelo decorrer da vida…


Maria Elisa Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)
CQ16-FEV/013

quarta-feira, 13 de março de 2013