À espera do próximo
O abalo de 25 de Abril foi um choque, mas não foi propriamente uma surpresa. O Nepal está numa das regiões com maior actividade sísmica do planeta. Os Himalaias são o produto da subducção contínua (quando uma placa se afunda por baixo de outra) da placa tectónica Indiana sob a Euroasiática, que convergem a um ritmo anual de cinco centímetros.
Na verdade, a expectativa era de que o sismo tivesse sido ainda mais catastrófico. Pelo menos a fazer crer no plano de contingência elaborado pelo gabinete da UE em Katmandu, que previu um cenário em que morriam cem mil pessoas e em que instalações básicas como o aeroporto iriam colapsar. “Para nossa admiração, o aeroporto manteve-se e a maioria dos aeroportos e dos edifícios de betão ainda se mantinha operacional”, diz a chefe da delegação.
Uma das poucas instituições que estavam precavidas era o Hospital Universitário Tribuvhan. Os edifícios, construídos nos anos de 1970 com o apoio do Governo japonês, têm por si só uma estrutura mais segura perante abalos sísmicos. Mas há pequenas coisas que foram sendo feitas nos últimos anos que se vieram a revelar cruciais — um reforço na fixação de uma ventoinha, por exemplo, pode evitar mortes.
Naquela manhã de Abril, recorda o professor Pradeep Vaidya, “sabíamos que o hospital estava seguro e, portanto, ninguém entrou em pânico”. Depois do abalo, começaram a chegar ao hospital os primeiros feridos. A imprensa internacional tentava conseguir imagens “desastrosas”, “mas não conseguiu”, garante o médico-cirurgião. O hospital universitário tem uma capacidade de 568 camas, mas só naquele sábado atendeu duas mil pessoas — Vaidya assegura que as instalações poderiam expandir em caso de emergência até cinco mil. “Estamos ainda à espera do próximo grande desastre.”
O Hospital Universitário Tribuvhan foi construído nos anos de 1970 com o apoio do Governo japonês e tem uma estrutura mais segura perante abalos sísmicos
COMISSÃO EUROPEIA/DG ECHO
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Poucos duvidam de que uma nova catástrofe está iminente. Cada réplica — que ainda hoje continuam a ser sentidas — é temida como se fosse esse grande abalo que se anuncia.
“O fatalismo está muito entranhado na psique dos nepaleses”, diz o editor do Kathmandu Post. “Muitas pessoas de outras gerações passaram por desastres e não puderam fazer nada quanto a isso.” Mas Akhilesh Upadhyay não esquece alguns pequenos desenvolvimentos positivos, sobretudo no que toca à prevenção. “Algumas pessoas têm trocado mais informação, nas cidades há quem tenha appscom alertas de sismos”, explica.
Porém, um ano depois do terramoto que marcou uma nova geração de nepaleses, há uma pergunta que o jornalista repete durante a conversa, como se fosse a dúvida que atravessa toda a sociedade. “Estaremos hoje mais bem preparados do que há um ano? Não sei. Honestamente, não foi um grande ano.”
O jornalista viajou a convite da Comissão Europeia
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