O português como língua de Camões é um mito
ISABEL SALEMA
20/04/2016 - 07:15
Tese surpreendente defende que o investimento de Camões num português “castiço” é residual. O linguista Fernando Venâncio contradiz os mitos criados à volta de uma “língua de Camões”.
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Em 735 adjectivos usados por Luís de Camões n’Os Lusíadas apenas um é uma criação nova do poeta, uma estreia na história da língua portuguesa. É a palavra “insofrido”, que quer dizer impaciente.
Esta contabilidade foi feita pelo linguista Fernando Venâncio, que nesta quarta-feira vai apresentar alguns resultados da sua investigação dedicada àquela que será a primeira história do léxico português numa aula do curso de Estudos Camonianos da Universidade Nova de Lisboa, às 18h. “A primeira descoberta é que Camões inovou muito pouco”, explica numa entrevista feita por telefone e e-mail a partir de Amesterdão, onde é investigador na universidade.
“O uso que Camões faz do léxico exclusivo português já conhecido é extremamente moderado e, mais do que tudo, as exclusividades portuguesas introduzidas pela obra dele foram residuais. Dir-se-ia que Camões não acreditou numa língua portuguesa de perfil autónomo.”
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