

Poema
VIVI-TE
Não rasgues os versos
em que escondi sonhos nas copas das árvores…
Eles fugirão, sem hesitar,
para a memória do tempo infiel
que abala os olhos das ondas cor de mar azul esverdeado,
sem saberem , ao certo, onde podem pousar.
Não espantes as canções que as aves mortas de sono
já não podem repetir, pois elas são o teu céu luminoso,
esse céu- olhar- adolescente do tempo de amar,
que a Via Látea procura no meu seio, para poder brilhar…
Não permitas que morra o teu desejo de me abraçar,
pois só pretendo viver o que prometeste dar…
E se vires que é preciso reescrever dentro de ti
os mil poemas em que te vivi,
não hesites, porque a felicidade tem um preço
e os versos são a memória fiel do vento que se move,
das estrelas que brilham dentro do corpo do sol,
da seda perversa em que, inocentes, dormimos,
sonâmbulos como borboletas dos contos infantis…
Não há lágrimas no teu peito, que viveu abraçado ao meu?
Lembras-te da música dos dias, em que a bússola da alma
nos transformava em tudo, menos numa luta calma?
Oh, não…não rasgues os meus versos…
Pelo menos, não o faças na solidão das minhas madrugadas…
Maria Elisa Ribeiro
AGOSTO/015
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