domingo, 18 de janeiro de 2015

POEMA(meu)





Poema :




ÁGORA





voam folhas desnorteadas pela fúria dos ventos que varrem as avenidas.
movem-se sombras humanas encolhidas na angústia dos tormentos.
deslizam canoas, rio abaixo-rio acima, indiferentes às folhas das avenidas.
deslizam…a balouçar num lívido oásis de dor.
sinos de igrejas iluminadas tocam serenos acordes de tom prateado-roxo.




sobe a noite lentamente rasa às nuvens no frouxo crepúsculo
[que as chuvas anunciam]




esgueira-se a vida pelas vielas como ar que viaja por entre florestas
[à procura das ondas do mar]




correm loucas, em meu corpo, as saudades paradas nos degraus do anoitecer.

esperam o rebentar das estrelas, em naves de esplendor.

perfumes de lírios bravos acordam-me, para amar um horizonte de trigo__________.

trigo loiro a ondular sob as brisas desse vento
______________________________que se esgueira pelas esquinas do tempo.




dilatam-se-me as pupilas-a-conviver-com-o-absoluto
cuja melodia sentida eu sei, mas não conheço.

sinestesias…confusão de sentidos-a-sentir policromias-cromáticas
[dos sonhos das alegrias
…prelúdios da solidão nas margens do evasivo –que-sou…]




Os dias? Deposito-os na pele da memória,
minha ÁGORA- da- Poesia,
em fila alinhados,
sentinelas perfiladas em cárdicas confusões
de um contexto-fantasia…




Maria Elisa Rodrigues Ribeiro

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