quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

SEGREDOS DO CASO BES...


KPMG escondeu problemas do BES Angola ao Banco de Portugal

Posted on 2 Dezembro, 2014 by administrador in Angola, Portugal // 0 Comments



Auditoria KPMG sabia da situação financeira em Angola desde 2013 mas não reportou a Portugal

A KPMG sabia do buraco do BES Angola desde 2013 mas não reportou ao Banco de Portugal (BdP), apurou o i.

A história conta-se em poucas palavras: em 2011 a KPMG passa a ter um escritório em Luanda, e audita as contas dos BES Angola (BESA). Em Portugal, a KPMG mantém-se como auditora do BES, e ambas têm o mesmo presidente, Sikander Sattar e o mesmo responsável de auditoria: Vítor Ribeirinho. Em 2013 a KPMG Angola já sabia dos problemas existentes no BESA e nunca os reportou ao BdP. No início de Junho, o “Expresso” noticiou que o BESA em Angola tinha perdido o rasto a 5,7 mil milhões de dólares em créditos, que teriam sido concedidos sem garantias ou quaisquer colaterais, e em muitos casos sem a existência de um registo de quem os recebeu ou para que fim. Curiosamente, o BESA está, no entanto, contabilisticamente salvo por uma garantia estatal dada em Dezembro de 2013 pelo governo angolano no valor de 5,7 mil milhões de euros. Só depois destas notícias é que a KPMG falou com o regulador, que pediu esclarecimentos à auditora.

Nas análises às contas anuais do banco em 2012 e 2013 a KPMG escreveu que “não foi possível obter a identificação efectiva das operações de crédito que foram objecto de reestruturação e do grupo económico em que cada cliente se insere”. Isto seria suficiente para permitir à KPMG emitir um relatório com ‘escusa de opinião, ao abrigo do artigo 22 do Manual do Revisor Oficial de Contas – que transpõe as normais internacionais: “Nos casos extremos em que se verifiquem múltiplas incertezas cujo efeito conjunto afecte de forma significativa as demonstrações financeiras, o revisor/auditor pode considerar apropriado emitir um relatório de revisão/auditoria com escusa de opinião em vez de um relatório com ênfases. O i tentou contactar a KPMG mas até ao fecho da edição não obteve resposta da auditora. Questionado, o Banco de Portugal não quis comentar.

O BESA obedece a supervisão angolana, assim já o confirmou Carlos Costa, governador do BdP. Mas o facto de não ter reportado logo a situação no BESA “indicia falta de governança interna, numa auditora que não consegue ter em mãos uma operação de que beneficia muito mas que é demasiado arriscada”, refere o economista do ISCTE, Sandro Mendonça, considerando que parece haver “informação de natureza institucional, ética e legal que não está a passar”.

Esta tarde, o presidente da KPMG Portugal e Angola terá a oportunidade de prestar esclarecimentos sobre este caso na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES.

Jornal i

Sem comentários:

Enviar um comentário