
Poema:
DESASSOSSEGO
*A noite passeia ainda por sobre o mar cristalino
e balanceia-se na sua dormência fria
de onde vai sair, para acabar, estendida, na areia.
*Da minha janela aberta para o mundo
vejo a praça onde, na igreja, o sino toca a “Avé- Maria”,
quando o velho relógio murmura,
que o Tempo se vai escoando.
*No meu Dentro vejo os anjos, que por ela vão velando.
Têm mantos azuis, cor do céu-que-eu-não-sei,
e voam, suspensos, com asas etéreas,
quase nuvens de algodão translúcidas de fragilidade,
a libertarem uma claridade difusa
em todos os intervalos por onde entra a luz.
*A noite expande o rumor do mar na manhã diagonal,
que se perde pelo mundo das montanhas soberanas,
transversais ao meu Ser-Estar.
*Quem pode viver a verticalidade da árvore
que se não verga à realidade
do vento-que-vive-no-Tempo?
*Na massa das nuvens bradam as ondas que Me navegam
…que me trouxeram do Passado-ao-Futuro-meu-Presente
Lá…Além…naquele oriente tão a Oriente do segredo das noites
e dos dias, que continuam a Sonhar com lusas caravelas-a-penar.
Desassossego!
Embrulho-me nele com as minhas palavras, inquietas
antíteses das sínteses em que as mergulho…
…dúvida sôfrega, secreta e incansável
que o sonho não sustenta ,nem aguenta!
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
Out/014
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