"Donos disto" e "mexilhões": Pedro Passos Coelho debaixo de fogo
por João Pedro Henriques07 dezembro 2014
71 comentáriosPrimeiro-ministro acha que a economia portuguesa se libertou de grupos que forçavam o Estado a maus investimentos
Duas declarações controversas de Passos Coelho na sexta-feira à noite deixaram o primeiro-ministro debaixo de fogo da oposição.
Primeiro afirmou em Braga, ao encerrar um seminário sobre economia social, organizado pela União de Misericórdias de Portugal, que na superação da crise foi contrariado o princípio segundo o qual nestas alturas "quem se lixa é o mexilhão". "Ao contrário do que era o jargão popular de que quem se lixa é o mexilhão, de que são sempre os mesmos (...), desta vez todos contribuíram e contribuiu mais quem tinha mais, disso não há dúvida."
Depois, já vestindo a pele de líder do PSD, num jantar com militantes em Santarém, resolveu considerar que a economia "estava aprisionada por grupos económicos que eram incentivados pelo Estado a aplicar os seus recursos em obras públicas que não eram sustentáveis" - só que "isso está a acabar". "Os donos do país estão a desaparecer. Os donos do país são os portugueses", disse Passos, numa declaração com claras reminiscências para a sigla pela qual foi em tempos conhecido Ricardo Salgado (DDT, "Dono disto tudo").
Sobre os "donos do país" que estarão a "desaparecer", Ferro Rodrigues ironizou: "Infelizmente, quem se tem comportado como "donos do país" tem sido esta maioria PSD e CDS, Passos Coelho e Paulo Portas, e eu espero que seja uma boa previsão que ele faz, de que o país se vai ver livre daqueles que têm mandado no país nos últimos três anos. E, por consequência, espero que nas próximas eleições deixem (PSD e CDS) de mandar no país", disse ontem discursando no congresso da JS em Troia.
A afirmação de Passos suscitou também comentários críticos no PCP e no BE. João Frazão, da Comissão Política do PCP, afirmou ao DN que o primeiro-ministro "demonstra uma absoluta falta de seriedade". "Seriam declarações graves se não fossem risíveis", prosseguiu, dizendo que a atuação do governo se caracterizou precisamente por ter "entregue as alavancas fundamentais da economia portuguesa ao grande capital estrangeiro".
Sem comentários:
Enviar um comentário