sábado, 17 de janeiro de 2015

Poema de Francisco Amaral Jorge












GRITO







- Francisco Amaral Jorge










Ainda não era o tempo do
cacimbo
e já a tua tela procurava
marcar o ritmo dos tambores
As cores e as formas
eram desenhadas com raiva
e faziam nascer o teu grito
Um grito nascido
das cores que só tu sabias
misturar
Um grito nascido
das tuas mãos que de forma
ágil percorriam a tela
Um grito que era nosso e queriamos que rebentásse no
Universo
Por isso o vermelho
o verde o amarelo
o sangue
Por isso o azul
o castanho o preto
a lágrima
Por isso o cinza
o roxo o branco
o silêncio
Vai amigo
arranca todas as cores da tua memória
e pinta todos os gritos
de todas as mães
que já não sentem a seiva no seu corpo
Vai amigo
mistura os amarelos os vermelhos os pretos
mistura os cinza e os azuis
e pinta suavemente a curva ágil da gazela
a matar a sede no desejo

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