Mais de 100 mil jovens desapareceram das estatísticas de emprego

Dados comparam 2012 com 2013. Silva Peneda, antigo ministro do Emprego, mostra-se preocupado com o facto da causa provável ser a emigração: "Podemos estar perante um fenómeno de desertificação".
05-02-2014 19:14 por Cristina Nascimento
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Há menos 107,6 mil pessoas com idade inferior a 34 anos entre a população activa em Portugal, quando se compara 2012 com 2013. Os dados foram divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Na comparação de 2013 com o ano anterior, a população activa na faixa entre os 15 e os 24 anos perdeu 36 mil pessoas. Na faixa etária dos 25-34, recuou 71,6 mil.
No balanço de todas as faixas etárias, há menos 105,4 mil pessoas na população activa. Reduziu significativamente entre os 15 e os 34, desceu ligeiramente na faixa 35/44, aumentou entre os 45 e 64 e reduziu a partir dos 65 anos.
Questionado pela Renascença a propósito dos mais de 100 mil jovens com menos de 34 anos que desapareceram das estatísticas, o INE não atribui justificação, mas admite três "hipóteses plausíveis": morte, emigração ou passagem para a população inactiva.
Quando alguém deixa de trabalhar (reforma, por exemplo) ou deixa de procurar emprego, passa a fazer parte da população inactiva. Entre 2012 e 2013, esta população aumentou ligeiramente - há mais 4.800 pessoas. Destas, 3.700 passaram à reforma. Sendo assim, restam 1.100 que, por alguma razão, passaram a fazer parte dos inactivos. Ou seja, estas 1.100 pessoas justificam apenas uma parte muito pequena das mais de 100 mil que deixaram de fazer parte da população activa.
Tendo em conta as outras duas "hipóteses plausíveis" referidas pelo INE - morte ou emigração -, a segunda afigura-se como mais provável para justificar o porquê de 107,6 mil pessoas com menos de 34 anos terem desaparecido das estatísticas. O presidente da Conselho Económico e Social (CES) e antigo ministro do Emprego, Silva Peneda, olha com preocupação para este fenómeno da emigração.
"Tem implicações e podem ser tanto mais negativas quanto mais demorar o país a crescer economicamente", afirma Silva Peneda em declarações à Renascença. "Se houver retoma económica, provavelmente muitas destas pessoas regressam. Se não houver retoma económica, se calhar mais pessoas vão emigrar. Nós podemos estar perante um fenómeno de desertificação", alerta.
A taxa de desemprego anual de 2012 foi de 15,7%, que subiu para 16,3% em 2013. O método de cálculo do INE para encontrar a taxa de desemprego é uma relação entre a população desempregada e a população activa.
[artigo actualizado às 14h48 de 6 de Fevereiro]
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