quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

EM MENOS DE UM MÊS, MORRERAM 8 PESSOAS EM HOSPITAIS PORTUGUESES, À ESPERA DE SEREM ATENDIDAS!!!!!!


Pressão nas urgências obriga Ministério da Saúde a reabrir 569 camas


ROMANA BORJA-SANTOS

20/01/2015 - 21:21


Secretário de Estado reconhece que medidas tomadas ainda não foram suficientes para resolver problemas na espera. Mas recusa falar em "caos generalizado" e avança que mudanças na triagem vão ajudar a dar melhor resposta.





4







MULTIMÉDIA



Vídeo

Angola: morte de portuguesa foi premeditada

Vídeo

Imagens exclusivas mostram o caos no Francisco Xavier

Vídeo

Direção-Geral da Saúde faz ponto de situação da gripe

Vídeo

Frio e pico da gripe fizeram mil mortes acima do esperado


TÓPICOS

Doenças
Ministério da Saúde
Serviço Nacional de Saúde
Hospitais
Saúde
Paulo Macedo
Médicos

MAIS
Hospitais libertam camas de casos sociais para antecipar surto de gripe mais forte
Em duas semanas, houve mais mil mortes do que era esperado
Enfermeiros podem vir a pedir exames de diagnóstico na triagem das urgências


Planeamento. O secretário de Estado Adjunto da Saúde repetiu várias vezes a palavra nesta terça-feira e assegurou que o planeamento foi a chave para dar resposta ao surto de gripe neste Inverno. Aposta na vacinação, reforço dos horários dos centros de saúde, contratação de mais profissionais e libertação de camas ocupadas por casos sociais foram alguns dos exemplos repetidos por Fernando Leal da Costa, que anunciou que foram reabertas 569 camas nas últimas semanas para responder à procura. O que falhou então e como se justifica o caos nas urgências? “Aquilo que parece evidente é que tudo aquilo que tem sido feito – e que foi muito – ainda não foi suficiente, relativamente a dois ou três hospitais identificados, para resolver a situação. E isso não vale a pena escamotear”, reconheceu.

Leal da Costa, que respondia a uma pergunta do PÚBLICO durante uma conferência de balanço sobre o combate à gripe neste Inverno, que decorreu na Direcção-Geral da Saúde, admitiu que ainda há trabalho a fazer, mas rejeitou que as falhas e problemas no atendimento derivem de “cortes, não contratações ou despedimentos”, criticando quem diz que “isto é deliberado pelo Ministério da Saúde para acabar com o Serviço Nacional de Saúde e ressuscitar os privados”. O também médico recusou, ainda, falar num “período de emergência ou caos generalizado” nos serviços de saúde e deu exemplos de picos de gripe mais elevados no passado, como nos governos de António Guterres.

Dados que também foram mostrados pelo director-geral da Saúde, Francisco George, e pela subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas, a mostrarem outras épocas com mais casos e mais mortalidade e a salientarem que as doenças respiratórias afectam sobretudo as pessoas com mais de 75 e de 85 anos, sublinhando que é nessas camadas que se têm registado mais casos graves até pelo “frio anormal” que se tem feito sentir e que coincide com a circulação do vírus da gripe. Nas últimas semanas, os dados das autoridades apontam para um excesso de mortalidade de quase 2000 pessoas desde o início de Janeiro, sendo esta a ferramenta normalmente utilizada para perceber quem morre de gripe no Inverno ou nas ondas de calor no Verão.

Apesar de refutar a palavra emergência, no seu discurso, Leal da Costa referiu-se algumas vezes à “crise a que assistimos”, falando do futuro como “quando esta crise passar” ou adiantando que “temos tido reuniões semanais desde que começou esta crise”. O governante informou que, além das 569 camas reabertas, há mais 471 prontas. O problema está na localização das vagas. “Nem todas estas camas que podemos abrir são exactamente onde gostaríamos que elas estivessem”, disse, falando numa “disposição assimétrica” dos hospitais perante as necessidades do país. Por isso, assumiu que recorrer pontualmente à oferta privada pode ser uma solução.

Sobre os casos que têm sido relatados de doentes que morreram nas urgências de hospitais após tempos de espera acima do recomendado, Leal da Costa apelou a que se aguardem os resultados das investigações. “Lamentamos todas as mortes e não deixaremos de encontrar eventuais falhas sistémicas ou pessoais que serão devidamente corrigidas”, garantiu, mas afirmou que “convirá não gerar alarmismos” – referindo-se a um caso noticiado nesta terça-feira de um doente que teria morrido no hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, após uma longa espera quando a pulseira laranja que recebeu corresponderia a um máximo de dez minutos.

O secretário de Estado reforçou o que já antes o ministro da Saúde tinha vindo dizer. O doente de 92 anos foi atendido nove minutos depois de dar entrada na unidade, com Paulo Macedo a criticar o “alarmismo” e “falsidade” com que o caso foi divulgado. “Estar a somar casos que não têm nada uma coisa a ver com outra é, de facto, lançar alarmismo e falsidade”, disse o ministro da Saúde, citado pela Lusa durante uma visita a Leiria, reforçando que “há um conjunto de óbitos muito significativo em qualquer serviço de urgência durante todo o ano em todos os hospitais e, ainda mais, há um número muito significativo (...) de óbitos por pessoas que entram na urgência” e separando os óbitos da “falta de assistência”.

10 mil mortes por ano nas urgências

“Não vale a pena fazer um exercício alarmista de que estão sempre a morrer pessoas na urgência. Não vamos atrás da procura mórbida de cada morte que acontece”, completou Leal da Costa, reconhecendo ainda assim que as denúncias são importantes para o sistema de saúde melhorar. A este propósito, Leal da Costa avançou alguns dados, dizendo que do total anual de cerca de 105 mil mortes em Portugal, há 50 a 60 mil que ocorrem nos hospitais. “Todos os anos nas urgências morrem cerca de 10 mil portugueses (…). Isso tem de acontecer assim, pela maior gravidade das pessoas que normalmente acorrem a um serviço de urgência”, acrescentou, defendendo que perante os cinco milhões de episódios de urgência que os hospitais públicos recebem todos os anos a “mortalidade é relativamente baixa”.

Sem comentários:

Enviar um comentário