domingo, 4 de janeiro de 2015

DE PORTUGAL...


D. Manuel Clemente vai tornar-se cardeal em Fevereiro


MARISA SOARES

04/01/2015 - 11:54

(actualizado às 13:47)


ADRIANO MIRANDA




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O patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, foi este domingo nomeado cardeal pelo Papa Francisco, e deverá assumir o cargo numa cerimónia marcada para 14 de Fevereiro, no Vaticano.

D. Manuel Clemente integra um grupo de 20 novos cardeais nomeados pelo Papa, durante a tradicional oração do Angelus, na Praça de São Pedro, para um grupo de elite na hierarquia da Igreja Católica. Destes, 15 têm menos de 80 anos e vão integrar o conclave que escolherá o sucessor de Francisco.

D. Manuel Clemente, 66 anos, é natural de Torres Vedras e foi ordenado sacerdote em 1979, em Lisboa. Foi reitor do seminário e professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica. Ordenado bispo em 2000, foi bispo-auxiliar de Lisboa, mais tarde rumou ao Porto onde foi o bispo titular da diocese e regressou à capital onde a 18 de Maio de 2013 foi nomeado Patriarca de Lisboa.

Os 15 cardeais eleitores são originários de 14 países – apenas um deles é do Vaticano. Além de Portugal, estarão representados religiosos de Espanha, Itália e México. Pela primeira vez, foram nomeados cardeais da Birmânia, de Tonga e de Cabo Verde, representando o desejo do Papa Francisco de ter no Colégio Cardinalício representantes da "natureza universal" da Igreja, segundo o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, citado pela Reuters. O Papa "não se sente preso à tradição", segundo a qual as maiores cidades mundiais devem automaticamente ter cardeais nomeados, acrescentou.

Esta é a segunda vez que Francisco, desde que ocupou a cadeira de São Pedro, nomeia novos cardeais. Há um ano foram 19 os escolhidos, entre os quais 16 eleitores.

Segundo a agência de notícias Ecclesia, o consistório para a criação de novos cardeais, marcado para 14 e 15 de Fevereiro, vai decorrer após um encontro de dois dias com todo o Colégio Cardinalício, sobre a reforma da Cúria Romana, nos dias 12 e 13 do mesmo mês.

Actualmente existem 110 cardeais eleitores, dos quais menos de metade são da Europa (52), seguindo-se a América (33: 17 do Norte e 16 latino-americanos), África (13), Ásia (11) e Oceânia (1). Paulo VI (1897-1978) fixou em 120 o número de cardeais eleitores do Papa e estabeleceu como idade limite para a possibilidade de votar os 80 anos, disposições que foram confirmadas por João Paulo II (1920-2005) e Bento XVI que, pontualmente, excederam o número estabelecido.

Saraiva Martins substituído
Portugal estava representado no Colégio Cardinalício até agora por D. José Saraiva Martins, prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos (com mais de 80 anos) e D. Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor emérito. Manuel Clemente vai agora substituir Saraiva Martins.

A Rádio Vaticana sublinha que três dos novos cardeais são de língua portuguesa. Além de Portugal, está representado Cabo Verde com D. Arlindo Furtado, bispo de Santiago, com 65 anos; e Moçambique com D. Júlio Duarte Langa, bispo emérito de Xai-Xai e que não será cardeal eleitor por ter mais de 80 anos.

Segundo o Código de Direito Canónico, os cardeais "constituem um colégio peculiar, ao qual compete providenciar à eleição do Romano Pontífice". No entanto, as funções dos membros do colégio cardinalício não se esgotam na eleição. Qualquer cardeal é também um conselheiro que pode ser consultado em determinados assuntos quando o Papa o desejar, pessoal ou colegialmente.

Os requisitos para ser criado cardeal são os mesmos que estabeleceu o Concílio de Trento na sua sessão XXIV de 11 de Novembro de 1563: homens que receberam a ordenação sacerdotal e se distinguem pela sua doutrina, piedade e prudência no desempenho dos seus deveres.

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