
Isto não vai nada bem...
14 Novembro 2014, 10:17 por Baptista Bastos | b.bastos@netcabo.pt

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Sabemos todos, por experiência visível, que a democracia, em Portugal, é uma farsa tenebrosa. O que resta dos sonhos de Abril é uma mascarada.
São podemos permitir, sob risco de soçobrar, que a pátria continue assim, dirigida por gente incapaz e, céus dos céus!, apoiada por um Presidente que acha estar tudo bem. Os indícios são mais do que suficientes para que haja uma sublevação moral. Vai haver mais cortes, mais reduções, mais despedimentos, mais gente na miséria e no desespero incontido. Em obediência a uma estratégia de empobrecimento, estamos ao nível do esmoler. Espero, apenas, que esta gente seja punida, não só nas eleições, como acusada de malfeitorias de lesa-pátria.
O crime não pode passar impune, e os avisos de economistas e de políticos qualificados, que têm previsto o desastre, têm encontrado ouvidos de mercador. Já não se aguenta mais impostos, ouve-se dizer por todo o lado. No entanto, eles aí vêm, com impudico desaforo. Peças importantes, e acaso decisivas, para a nossa economia, são privatizadas, ante o silêncio de comentadores estipendiados. As manobras na comunicação social são, agora, mais visíveis. Em causa não está somente o despedimento de centenas de pessoas: está a própria norma democrática. Uniformizada e hirta, com a colaboração de um advogado que se celebrizou em alterações nas estruturas de órgãos de televisão e de imprensa.
Sabemos todos, por experiência visível, que a democracia, em Portugal, é uma farsa tenebrosa. O que resta dos sonhos de Abril é uma mascarada. Poucos defendem o regime porque têm medo de perder o emprego e de retaliações das mais subtis. A oposição vive de retórica e da esperança, já um pouco embaciada, de que António Costa poderá dar uma volta às coisas. Impossível. Costa vive dentro do sistema, e o sistema é o que é, determinado pelos "mercados", pelos grandes grupos económicos, e por manobras que têm como objectivo manter as coisas como estão.
A União Europeia é outra farsa. Serve para aumentar a hegemonia alemã, com a colaboração da França, dirigida por um imbecil, que se mascarava para ir ao encontro de uma amante. Seria o menos, apesar da indignidade; o pior é que esta invenção de "socialista" é cúmplice de conflitos que já se antevêem. O que está em causa é a própria natureza do capitalismo, que se tornou mais predador depois da queda do Muro de Berlim, acentuando as crises previsíveis. Não foi só Marx a prever estes acontecimentos deletérios, que podem degenerar numa guerra mundial. O Papa Francisco já o disse; e não é unicamente o conflito religioso que está a explicar a nuvem de terror. As guerras manifestadas um pouco por todo o lado, o aumento do armamentismo, a observância da guerra como fatalidade inevitável, o ambiente crispado que se vive em todo o mundo, o aparente esgotamento das forças progressistas, e a abdicação da social-democracia são sinais preocupantes, que nos são apresentados como irrevogáveis.
Em Portugal, a apatia generalizada não encontra resposta nem no PCP nem no Bloco de Esquerda, embora estes dois partidos configurem um esforço importante para o esclarecimento e combate das situações. A Imprensa não diz; as televisões são o que são. E a SIC, outrora tão desenvolta, parece um eco filmado de Passos Coelho, cuja permanente presença nos ecrãs chega a ser enjoativa.
Assim vão as coisas, assim vai a nossa terra. Um resto de esperança?...
b.bastos@netcabo.pt
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