Do sonho à realidade

De repente, português torna-se sinónimo de competência e excelência 18.01.2015 00:30 Cristiano Ronaldo é um modelo a seguir. A verdade é que ele tem todas as razões para perder a motivação e não a perde. É jovem, é rico, é mundialmente famoso, tem uma carreira invejável e está na elite do futebol mundial. Ainda assim, a sua ambição de querer ser melhor mantém-se inalterada. Não vou entrar na velha conversa dos clubes, nem na de quem é o melhor jogador do mundo. Nem sequer vou falar de futebol. Vou falar de ter um sonho e de torná-lo realidade. O que aqui interessa é o percurso que ele tem traçado até ao topo. Interessa que é português, que vem duma família com poucos recursos e que ainda criança veio da sua Ilha da Madeira para Lisboa, trazendo na mala um sonho. E mais do que acreditar no seu sonho, ele traçou metas objectivas para o alcançar. Isso passa uma imagem muito importante: o rapazinho que joga à bola na rua com os amigos, muitas vezes descalço e cuja bola nem redonda é, pode sonhar em ser o melhor do mundo também. Não sou biógrafo do CR7 e o facto de nos termos cumprimentado duas vezes não me faz seu amigo pessoal, no entanto, baseado em tudo o que tenho lido e visto sobre ele, as opiniões são unânimes: a sua entrega como profissional é exemplar. Nos treinos é o primeiro a chegar e o último a sair. Quanto a mim é isso que caracteriza um líder: lidera pelo exemplo. Parece-me que a motivação do Ronaldo é competir consigo próprio. Ele quer sempre ser o melhor que conseguir. Ao ganhar a 3ª Bola de Ouro, o seu objectivo torna-se automaticamente ganhar a 4ª. Pouco importa neste contexto que o achem arrogante, que achem que tem dinheiro a mais ou que se expõe demasiado na sua vida íntima. Isso só a ele lhe diz respeito. No final do dia, ele é um ser humano, com as suas virtudes e defeitos. Por essa mesma razão, CR7 já falhou bastante no passado e continuará a falhar no futuro. A questão é que ele não desiste. Falha até acertar. Como diz um rapper meu amigo: "A inveja é um sentimento muito feio." Há dois tipos de pessoas: aqueles que vêem os outros subir e querem que eles desçam e os outros que vêem os outros subir e querem subir também. Acredito que sozinho, Ronaldo tenha feito mais pela imagem de Portugal do que quase todas as campanhas oficiais (quais?) de promoção do País. (Aqui abro um parênteses para dizer que Mourinho também tem o seu mérito). De repente, português torna-se sinónimo de competência e de excelência. Os impostos continuam altos, o país continua em crise, mas esse gostinho ninguém nos tira. Obrigado, Ronaldo! Este texto foi publicado na revista Domingo
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