terça-feira, 14 de janeiro de 2014

POEMA









Poema:


PÓ -DE -TALCO NOS POEMAS- EM - ASAS DE BORBOLETAS…


*meus lábios órfãos de mel…
*meus olhos pedaços de mim…
*minha face sulcada pelo sol dos verões-a-correr-nos-tempos…

(Eu…um deus-a-sonhar…pobre-pedinte-a-pensar!)

*ressoa, na-memória das minhas memórias, um invocar da orfandade das glórias,
que podiam ter sido pedaços de história dos meus sussurros de amor.


*minhas mãos vazias da infância-névoa
que povoa o tempo padrasto, que FOI…
que não viajam no vento ,
que afagam ondas do mar,
que abraçam árvores de flores a ondular,
que empurraram caravelas-a-Procurar*

Segregados pelas sombras, vão assomando reflexos de perfeitas sonatas do mar-a-falar
nas extremidades das areias movediças,
que o vento foi dominando…

…violinos repousaram cordas na copa das ondas…

(Oiço, hoje, o maravilhoso som do restolhar das-folhas-dos-poemas-onde-Me-Sou!)

Letras ortónimas calcorreiam a ortografia dos versos,
que amacio com pós-de-talco
e perfumes de flores húmidas de orvalho, da-noite-a-gerar-um- dia.

(Sonho, sem permitir que os sonhos se apoderem de mim.)

Sei, (porque o oiço!) de um piano a tocar Chopin, mergulhado nas areias-à-beira- mar - de –explodir- volúpias de espumas…ejaculações das eróticas ondas a reclamarem lábios órfãos famintos de paisagens pó-de-talco , das aragens dos ventos a varrerem brumas.

*colónias de pesadelos instalam-se nas velas lusitanas
* arquipélagos de inquietações afastam sons ancestrais de pinhais de carumas
*não oiço Carmina Burana
*os anjos não dormem nos céus e as suas gargalhadas de alegrias consecutivas ferem os intervalos dos abismos das rotas humanas*

A música narcisista das letras, diluída nos cantares da noite, exulta na escuridão da casa-dicionário,
no fundo de um armário-a-verter -mel, delgado e trémulo, nas asas das borboletas-que-querem-aprender-poemas …

*Devagarinho,
deste meu afastado recanto,
colo o ouvido à porta de um corredor, onde a penugem ortográfica ensaia um sorriso
numa amarelada tela de pintor pintor de letras homem-pranto!*

Confesso a voracidade de coloridas imagens
petrificadas pela força das Mensagens.

*A qualquer momento, um poema vai amanhecer
neste dia que é mais um dia, na simetria dos dias-que-vão-deixando-de-o-ser*

Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
Janeiro/014 — com Antonio Branco e 46 outras pessoas.

Sem comentários:

Enviar um comentário