segunda-feira, 6 de março de 2023

 






POEMA:

ORLAS DE ETERNIDADE

 

 

 

Foi profundo

o espaço-do-tempo de todas as inocências

do Existir.

 

 

Resta ao homem,

ser na essência da clarividência da verdade,

a realidade-Acontecer.

 

O poeta acorda e senta-se na mão do sol,

que se prende à raiz subcutânea

da verde orgânica-matriz!

 

 

Nas pétalas das flores e nas copas das árvores,

fixam-se as sílabas que rebentam a vida telúrica

da terra-ventre-

vida-raíz.

 

 

Então, o universo, numa orla de eternidade,

apressa-se a caber no poema,

tal como cabe o mar no mistério-terreno.

 

 

E eu, parada numa ilha da claridade

à beira de uma antiga realidade,

oiço, nas vielas empedradas do continente-cais,

guitarras a chorar saudades,

que ficaram retidas nos palmeirais!

 

 

E aprendo que o vento move as caravelas,

ao som do sol das estreitas ruelas!

 

 

Nasci com a incumbência de ir-apanhando-rosas pelos espinhos da errância…

essa vaga tormentosa…

No Verbo do poema está a minha Urgência!

 No seu Corpo… a minha essência…

 

 

©Maria Elisa Ribeiro-2012

 

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