Stiglitz defende que "a melhor coisa" seria a Alemanha sair do euroRITA FARIA | afaria@negocios.pt | 11 Outubro 2016, 12:20

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O prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz diz que a Alemanha é um país "muito egoísta" e que seria melhor que saísse da Zona Euro. Algo que tornaria a moeda única mais "competitiva".
O economista Joseph Stiglitz defende que a Alemanha devia sair da Zona Euro, já que o país é "a fonte dos problemas" da região da moeda única.
Em entrevista ao jornal francês Le Parisien, o prémio Nobel arrasa a política de austeridade germânica e diz que é natural que economias como Portugal e Espanha estejam a enfrentar dificuldades devido às regras rígidas da Zona Euro.
"Os líderes europeus puseram a carroça à frente dos bois. Quisemos criar uma moeda única antes de criar as instituições necessárias para o seu funcionamento, como um sistema bancário unificado", afirmou o prémio Nobel da Economia, em entrevista à publicação francesa.
Stiglitz acredita que os problemas enfrentados pelas economias de Portugal, Espanha, Itália ou França, explicam-se, em parte, pelo choque da crise financeira de 2008, que foi "muito violento". Mas não só. "O euro tornou tudo ainda mais difícil, impedindo a Europa de adoptar a reacção certa", explica. As restrições da Zona Euro são "muito fortes" e, com tais regras rígidas, não pode haver crescimento.
O economista, que lançou recentemente o livro "Euro: como a moeda única ameaça o futuro da Europa", defende que se devia criar duas Zonas Euro, uma para os países do Norte e outras para os países do Sul, incluindo a França.
"Não podemos ter uma taxa de câmbio única para países tão diferentes. O dinheiro é um meio, não um fim em si mesmo. Muitas vezes as pessoas reivindicam uma moeda forte, como se fosse uma bandeira. É um erro", frisa Stiglitz.
Muito crítico da postura da Alemanha nos últimos anos, o economista reitera que o país é "egoísta" e que seria melhor que saísse da Zona Euro.
"A Alemanha manteve a sua posição dominantes em detrimento de todos os outros países. Ela é a fonte do problema. A melhor coisa seria que saísse da Zona Euro. Isso tornaria o euro mais competitivo", defendeu, na entrevista ao Le Parisien.
O economista diz que o país tem duas ideias-chave: que a austeridade promove o crescimento, "o que é exactamente o oposto" e que não devia haver, na Europa, um país que sirva de bóia de salvamento para os outros. "Este país é muito egoísta", conclui.
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