sábado, 15 de outubro de 2016

Sobre Anna Politvskaya, jornalista russa assassinada há poucos anos. Artigo de Fábio Mourão( pesquisa Net)







Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito
Para a maioria das pessoas, o trabalho de um escritor é sempre visto como uma posição confortável atrás de um teclado, digitando histórias perigosas de um lugar bem seguro. Claro que, às vezes, alguns jornalistas precisam ir a campo, e até encarar zonas de combate, para compor suas pesquisas. Mas realmente a maior parte dos autores de ficção não precisam muito se preocupar com um bom seguro de vida.
Mas as ideias contidas em uma escrita podem alcançar uma plenitude que nenhum poder político ou militar é capaz de destruir completamente. Ao longo da história, muitos escritores perderam suas vidas por que se atreveram a escrever sobre algo que não deviam. Mesmo atualmente, existe pelo menos meia dúzia de escritores pelo mundo sob ameaças diretas de execução por causa de seus trabalhos.
Aqui estão alguns autores que poderiam ter vivido um pouco mais se não tivessem tido a teimosia de escrever seus livros.
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Anna Politkovskaya
Pode parecer engraçado ver o presidente russo, Vladimir Putin como um meme divertido de internet, mas quando você considera que ele provavelmente tenha mandado assassinar a jornalista Anna Politkovskaya pela sua oposição declarada à sua administração e a guerra na Chechénia,… Ele não parece uma piada.
Politkovskaya foi encontrada morta a tiros em um elevador (justamente no dia do aniversário de Putin), depois de ter sobrevivido a pelo menos nove outras tentativas documentadas contra a sua vida. Embora cinco homens tenham sido condenados pelo assassinato, eles confessaram que o fizeram apenas sob ordens expressas, mas a identidade do mandante permanece desconhecida.
livroUm Diário Russo
Em 7 de Outubro de 2006, Anna Politvoskaya foi morta a tiro à porta da sua casa, a meio de uma investigação que estava a levar a cabo para o jornal Novaya Gazeta sobre a tortura na Chechénia. Em 24 de Novembro de 2006, dois colegas do mesmo jornal que investigavam o seu assassinato receberam ameaças de morte. Alexander Litvinenko, muito crítico do regime de Vladimir Putin e dissidente dos serviços de informações russos, foi envenenado com tálio enquanto investigava, a morte da jornalista Anna Politkovskaya.
O assassinato de Anna Politkovskaya foi objecto de condenação internacional e levantou preocupações sobre a estabilidade política da Rússia. Em Dezembro de 2006, o Comité Executivo do Instituto Internacional de Imprensa (IPI) decidiu nomear a jornalista russa como Heroína da Liberdade de Imprensa Mundial. Recentemente, as autoridades russas detiveram 10 suspeitos formalmente acusados de envolvimento no assassínio.
Politkovskaya foi a 13ª jornalista a ser assassinada a soldo desde que Vladimir Putin chegou ao poder, no ano 2000. Apesar das reiteradas ameaças de morte que recebeu até esse dia, Anna sentiu que era seu dever continuar a denunciar o sofrimento de milhões de russos sob a governação de Vladimir Putin e recusou ter um guarda-costas ou dar ouvidos aos pedidos da sua família para deixar o país.
Um Diário Russo inclui entrevistas a pessoas cujas vidas foram devastadas pelas polícias de Putin, incluindo as mães das crianças cujos filhos morreram no cerco de Beslan, as vidas dos soldados russos estropiados na Chechénia e depois abandonados pelo Estado e de todos os jovens homens e mulheres dados como “desaparecidos”. (Editora Rocco)

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